segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ministro Neri Geller deve revogar resolução que aprova a venda de sacas de café dos estoques oficiais


O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, deve revogar resolução de quarta-feira passada, publicada no "Diário Oficial da União, na qual aprova a venda de 397.147 sacas de 60 kg de café dos estoques oficiais. A informação é do CNC (Conselho Nacional do Café).

"O ministro Neri Geller, compreendendo o efeito nefasto da medida, assumiu o compromisso de revogar este ato", informa o CNC, em comunicado. Também na quarta-feira, o governo divulgou que o preço mínimo do café arábica para 2014 foi mantido, sem reajuste, a R$ 307 a saca.

Segundo o CNC, existe a "necessidade de atualização do preço mínimo do café arábica, para níveis mais condizentes com a realidade dos custos de produção no campo, considerando-se que o valor de R$ 307 nem sequer cobre os gastos que grande parte dos cafeicultores do Brasil tem para cultivar o grão".

O CNC informa, ainda, que o governo até agora não anunciou a liberação dos recursos do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira) para as linhas de capital de giro destinadas a indústrias, exportadores e cooperativas de produção. Segundo a entidade, esse "compromisso foi assumido na ocasião do comunicado de liberação dos recursos para as demais linhas do Fundo, em 25 de abril".

O CNC explica que a liberação dessa verba justifica-se pela falta de liquidez do mercado físico nos momentos de alta do preço do café nos mercados futuros, período em que surgem boas oportunidades comerciais e de recomposição de receita. "Entretanto, com a falta da ação governamental, o cenário de baixa liquidez pode persistir, com os produtores não aproveitando cotações remuneradoras".

Plano Safra


Silas Brasileiro, reclamou, em nota que, na segunda-feira passada, o governo federal anunciou o Plano Safra 2014/15. Em meio às medidas apresentadas ao setor agropecuário nacional, chamou a atenção da entidade a elevação da taxa de juros para as linhas de crédito do Funcafé, que saltou de 5,5% para 6,5% ao ano.

Aliado a isso, ressaltou ele, também desagradou à elevação dos juros de 7,5% no Procap Agro (Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias), linha de capital de giro para cooperativas do BNDES, que na safra anterior tinha taxa de 6,5% ao ano.

Brasileiro ressaltou que, com a falta da ação governamental, continuaremos a observar cenário de baixa liquidez com os produtores não aproveitando cotações remunerativas. "Ou seja, nossos governantes perderam excelente oportunidade para auxiliar a recuperação da renda da cafeicultura nacional, o que permitiria honrar os passivos financeiros do setor e manter os tratos adequados à cultura, de forma que não se comprometam consumo interno e exportações do produto".

Silas Brasileiro enfatizou que o CNC vai reunir com os demais elos da cadeia produtiva do café para cobrar do governo federal que a gestão do Funcafé, um fundo social constituído por recursos do setor e apenas gerido pelo governo, seja feita de forma abrangente, permitindo o acesso do maior número de beneficiários em tempo hábil, com prazos adequados às necessidades.


Fonte: DCI

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