segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Futura curva das cotações do Café Arábica


Em novembro de 2013, manteve-se a tendência de alta nas cotações futuras de juros e de câmbio (dólar estadunidense) praticadas na BM&F-Bovespa. Tais macro-indicadores são permanentemente monitorados pelos investidores e fundamentais para a tomada de decisão para aplicação em commodities. No caso dos juros futuros, por exemplo, a recém-aberta posição de abril negociava contratos com taxa pouco acima dos 11,04% (na média da última semana do mês anterior, esse percentual alcançava os 10,54%) (Figura 1). Comportamento similar foi anotado pelo futuro cambial, em que se negociaram papéis por até R$2,55/US$ (na média da 2a semana do mês). Por sua vez, na última semana de outubro (5a), a posição para dezembro de 2014 indicava conversão cambial de R$2,42/US$ (Figura 2).





A percepção dos investidores de que os ativos em dólar constituem opção única de investimento, dentre as demais alternativas disponíveis, impulsionou a tendência de alta dos contratos futuros expressos nessa moeda. Razões intrínsecas da economia estadunidense (recuperação do nível de emprego, melhorias na atividade industrial e previsão de interrupção do quantitative easing) atraem a atenção dos investidores para os EUA. Por seu lado, no Brasil, os sucessivos déficits acumulados na balança comercial e de serviços do país em 2013, associados ao retorno dos investidores para posições em dólar, responderam por esse movimento altista do câmbio2.

Em novembro, contrariando a perspectiva dos baixistas (bears), os contratos de café arábica negociados em Nova York ensaiaram pequena alta. As curvas futuras das médias das segunda, terceira e quarta semanas mantiveram-se acima da média da primeira semana (salto no patamar). Política de ordenamento dos embarques praticada pelo governo do Vietnã pode ser um dos fatores que impulsionaram as cotações. Nas posições de setembro e dezembro de 2014, por exemplo, na média da terceira semana do mês, negociaram-se contratos a US$¢124,42 e US$¢126,41, respectivamente (Figura 3). Aplicando-se o fator de conversão de libra-peso para saca de 60 kg, obtêm-se US$164,58/sc. e US$167,21/sc., que, ao câmbio futuro de outubro e dezembro de 2014, corresponderiam a R$413,26/sc. e R$426,22/sc. Comparativamente, no Estado de São Paulo, o preço recebido pelos cafeicultores coletado pelo IEA/CATI foi de apenas R$258,53/sc. – tipo cereja descascado, ou seja, R$154,73 acima do preço corrente na posição de outubro de 2014.




A média semanal do movimento de compra e venda de contratos de café arábica na Bolsa de Nova York em novembro de 2013 exibiu ligeira tendência de reversão na posição majoritariamente vendida dos fundos e grandes investidores (de 40 mil para 31 mil), embora sem a capacidade ainda de promover saltos significativos nas cotações. Em contrapartida, os traders (comerciais e indústrias) assumem crescentemente posição vendida, o que os obrigará em algum momento recorrer às origens em busca de suprimento para liquidação dos contratos), ou terão de liquidar financeiramente seus contratos, comprando contratos futuros, o que poderá dar alguma sustentação aos preços (Tabela 1).

As médias semanais em segunda posição do diferencial Bolsa de Nova York e BM&F-Bovespa oscilaram apenas na margem. Em novembro de 2013, a trajetória do diferencial mostrou pequena queda da primeira para a segunda semana, invertendo a tendência nas médias das semanas seguintes. Aceitando que houve recuperação na produção e exportação colombiana, essa variação marginal entre as bolsas aparentemente reflete o persistente interesse de torrefadores pelo café brasileiro que, em sua opinião, oferece maleabilidade necessária na composição de suas ligas (Figura 4).







Autor(es): Celso Luís Rodrigues Vegro ( ) Consulte outros textos deste autor
Félix Schouchana (felixsh@uol.com.br) Consulte outros textos deste autor

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