sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Unesp: Pesquisa experimental busca alternativa para conforto térmico de leitões


Pequisa experimental desenvolvida pelos alunos da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA), com a colaboração da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, Câmpus de Botucatu, verificou as propriedades de um piso de fibra de coco reciclado em instalações voltadas para a suinocultura.

O objetivo foi o potencial deste tipo de piso para oferecer conforto térmico aos leitões na fase de maternidade. “O leitão tem uma alta sensibilidade ao frio e dificuldade de ajustar sua temperatura corporal, pois seu aparelho termorregulador ainda está em desenvolvimento”, explica a professora Silvia Regina Lucas de Souza, do Departamento de Engenharia Rural da FCA e orientadora do trabalho. “Quanto menor a temperatura ambiente, mais ele tem que usar sua energia interna para manter sua temperatura corporal e esse gasto energético prejudica seu crescimento. Se o microclima lhe der conforto, ela vai devolver em produtividade, ou seja, ganhando mais peso”, complementa o professor Dirlei Antonio Berto, do Departamento de Produção Animal da FMVZ.

Se houver uma redução severa de temperatura, o leitão reduz sua atividade motora e entra em hipotermia. Pode haver também casos de esmagamento, acidente, quando o leitão busca o conforto térmico junto da mãe.

Problemas desse tipo têm sido amenizados com o uso de abrigos escamoteadores aquecidos por fontes artificiais de calor e, eventualmente, com piso de cimento protegido com algum tipo de material de proteção. A ideia de testar um novo tipo de piso, teve o objetivo de melhorar as condições térmicas dos abrigos. “Para adaptar qualquer material nas instalações dos animais ocorreu a necessidade de realizar um estudo de viabilidade técnica”, conta a professora. “O piso feito a partir de fibra de coco foi escolhido por ter a vantagem de não ser tóxico e não oferecer riscos se for ingerido pelos animais”.

O desenvolvimento da pesquisa utilizou uma baia coletiva na Área de Suinocultura da FMVZ, com capacidade para duas matrizes adultas com aproximadamente 18 leitões mestiços, das raças Large White e Landrace. Os abrigos eram dois escamoteadores, um com o piso convencional de concreto e outro com o piso de fibra de coco reciclado. Os dois escamoteadores contavam com lâmpadas incandescentes em suas paredes laterais.

Com a análise de imagens gravadas por câmeras de segurança, os pesquisadores notaram que, nos horários de observação, em média 56% dos leitões preferia o escamoteador com piso de fibra de coco reciclado. Os outros 44% dos animais encontravam-se exercendo outras atividades fora do escamoteador e o escamoteador com piso convencional permaneceu vazio, sem utilização pelos leitões.

Outra etapa do estudo media a temperatura superficial do piso dentro do escamoteador, usando um termômetro a laser. As temperaturas dentro do escamoteador ficaram entre 33,2 e 29,9 graus. “O leitão quando nasce tem seu conforto térmico por volta de 30 a 32 graus. À medida que vai ficando mais velho, vai tolerando temperaturas mais baixas”, explica o professor Dirlei. “Por volta de 21 dias de idade essa temperatura é na faixa dos 24 a 27 graus e assim vai até sua vida adulta”.

Essa primeira fase das pesquisas evidenciaram que o piso testado proporciona o conforto térmico de que os leitões necessitam. Adicionalmente, “a ideia será utilizar o piso em qualquer outra fase da suinocultura, e para isso será preciso outros estudos, uma vez que ele não foi desenvolvido para essa finalidade”, diz a professora Sílvia. “O próximo passo é saber quantos graus esse piso consegue reter em relação ao ambiente externo. Também precisamos testar a resistência do piso aos animais maiores e se ele não se deteriora por causa dos dejetos e uso contínuo”.

Ao oferecer novas soluções que atendem às exigências de bem estar animal, os pesquisadores pretendem colaborar para que o setor agregue valor à sua produção e se prepare para atender uma tendência real do mercado, mas que ainda não se refletiu na suinocultura brasileira. “Existe uma inegável preocupação da sociedade e do setor produtivo para tomar medidas que atendam o bem estar animal”, explica o professor Dirlei. “Quem reivindica precisa estar disposta a remunerar melhor aquele produto e isso ainda não ocorre no Brasil. No caso da exportação, os mercados que atendemos ainda não proporcionam uma remuneração diferenciada nesses casos”.

Mas, segundo o professor, o bem estar animal não é importante apenas para agregar valor ao produto exportado. Ele ressalta que, se as condições mínimas de conforto não estiverem presentes, a produtividade dos animais será afetada. “Os índices zootécnicos estarão abaixo do necessário e não haverá eficiência na produção. Para o animal atingir os índices mínimos de produtividade é preciso garantir boas condições em termos de instalações, manejo, nutrição e saúde. É uma exigência que é própria da atividade”.

A pesquisa teve início como Trabalho de Conclusão de Curso de Agronomia de Eduardo Trevisan Filho e teve prosseguimento com as alunas do primeiro ano de Agronomia, Ana Paula Oliveira Matusevicius e Mariana Pedutti Vicentini Sab, integrantes do Núcleo de Pesquisa e Otimização em Bem-estar Animal e Ambiência de Precisão, BAAP, sob a orientação da professora Silvia Regina Lucas de Souza.

Fonte: UNESP

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