sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Tecnologia inédita de indução na reprodução do lambari que pode aumentar a produção em 80%


A demanda por lambari deve ser multiplicada por 12 em decorrência da utilização do peixe como isca-viva na pesca industrial de atum. Atualmente, o Brasil produz 50 milhões de unidades por ano do lambari, mas esse número tende a aumentar para 600 milhões. Apesar de os barcos destinados à pesca do atum saírem de Santa Catarina, o Estado não produz a isca-viva devido à temperatura da água. São Paulo, então, terá papel fundamental, já que é detentor de 70% da produção brasileira de lambari.


Com a técnica, o piscicultor pode aumentar em 80% sua produção, por conta da reprodução sincronizada dos peixes. De acordo com Sussel, a reprodução induzida já é utilizada desde a década de 1930, porém, para peixes maiores. “O que fizemos foi aperfeiçoá-la para os lambaris, que são bem menores. Isso tem um forte impacto neste momento de grande aumento da demanda como isca-viva para a pesca de atum”, afirma.

Tradicionalmente, a sardinha é utilizada para a pesca do atum, porém, segundo o pesquisador da APTA, estudos comprovaram que o lambari é mais eficiente para a atividade. “Quando jogada no mar, a sardinha atrai o atum das águas profundas para a superfície. Porém, foi observado que o lambari se movimenta mais do que a sardinha, o que atrai melhor o atum”, explica Sussel. O pesquisador da APTA observa, porém, que mesmo sendo um peixe de águas doces, o lambari não causa nenhum prejuízo ao ecossistema ao ser colocado no oceano, já que sobrevive por apenas 30 minutos em água salgada.

A temperatura ideal para o cultivo de lambari é em torno de 26ºC e os rios de Santa Catarina são mais frios. “ Isso inviabiliza a produção no Estado. Dessa forma, São Paulo tem papel de destaque, já que lidera a produção do lambari. Mesmo assim, é preciso aumentar em muito nossa produção”, afirma Sussel. Além de São Paulo, os Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul também produzem o peixe.

A técnica da indução consiste na aplicação de hormônio da hipófise nos peixes para que se reproduzam de forma conjunta. “Sem essa técnica, cada lambari vai atingir sua maturidade sexual em uma época e os alevinos vão nascer de forma desordenada. Com isso, os peixes maiores podem comer os menores e causar um problema de logística, porque na época em que se reproduzem, os produtores podem não ter tanques para colocá-los”, explica o pesquisador da APTA.

A indução realizada em outros peixes se difere do lambari na quantidade de hormônio aplicado. “Nos peixes maiores a quantidade do hormônio é aplicada de acordo com o peso. No caso do lambari, como são menores e em maior quantidade, padronizamos uma quantidade de hormônio que é 0,1 ml para todos. Dessa forma, a aplicação é facilitada”, afirma Sussel.

De acordo com o pesquisador da APTA, a tecnologia é simples e barata e pode ser utilizada pelos pequenos piscicultores. “Para fazer a indução é necessário apenas uma incubadora, que custa em média R$ 400 reais, e uma caixa de mil litros de água. Além de barato, é algo fácil de ser feito. Dessa forma, os pequenos produtores – que são os produtores do lambari – conseguem utilizá-la”, explica. A tecnologia pode ser adaptadas em todas as regiões brasileiras que tenham o cultivo do lambari.

Cultivo de lambari em viveiros escavados

Castellani afirma que a melhor opção para os produtores são os tanques escavados, com a parede de terra batida. “Nos primeiros dez dias de vida, os alevinos só se alimentam de plâncton, só a partir do 11º dia começamos a introduzir a ração. Nos tanques escavados conseguimos fazer uma adubação para produzir esses plânctons, por isso, é a melhor opção para quem quer cultivar o lambari”, explica a pesquisadora.

De acordo com Castellani, o lambari é uma ótima complementação de renda para os produtores rurais que têm tanques em suas propriedades. Para se ter uma ideia, a produção de lambari por metro quadrado é o dobro da produção de peixes de tipo redondos e da tilápia. “Em um metro quadrado de tanque conseguimos produzir em torno de 60 toneladas de lambari. Nessa mesma área, o produtor consegue produzir cerca de 30 toneladas de tilápia”, afirma a pesquisadora da APTA.

Outra vantagem é que a safra do lambari é fechada em 13 semanas, enquanto que a tilápia demora até sete meses, o que garante renda o ano todo aos produtores. A produção do lambari, porém, requer alguns cuidados como a escolha dos locais para a escavação dos tanques, profundidade, qualidade e fluxo de água. “É importante que antes de começar a produzir, o produtor procure por cursos de capacitação ou por profissionais da área”, alerta a pesquisadora da APTA.

Preservação é essencial para a renda dos produtores

A maior parte da produção de lambari é utilizada para a pesca esportiva. Os produtores rurais vendem os peixes aos chamados “isqueiros”, que revendem aos pescadores. “O produtor consegue vender a unidade por R$ 0,25 a R$ 0,30. Os isqueiros vão repassar aos pescadores por até R$ 0,55”, explica Castellani.

Além da pesca esportiva, o lambari também é vendido em bares e supermercados. Os peixes são comercializados quando atingem 10 cm. “Para atender esse nicho de mercado, é preciso trabalhar melhor o processamento. Não temos hoje frigoríficos para processar o lambari. O processamento é feito de forma artesanal, pelos próprios produtores ou pescadores”, explica Abimorad.

O pesquisador da APTA afirma que seria interessante que os produtores se juntassem em cooperativas para realizar um estudo de mercado com os restaurantes e supermercados para ver a viabilidade da venda do produto fresco e congelado. “Ao constatar essa demanda, eles poderiam pensar em uma planta de abate, levando em consideração a escala necessária”, explica.

Outro ponto abordado por Abimorad em sua palestra será a preservação ambiental para a manutenção de renda dos produtores de lambari. Atualmente, os lambaris são usados para a pesca do tucunaré e da corvina. “Se essa é a principal utilização do lambari temos que preservar esses peixes para incentivar o turismo e manter a renda dos produtores”, afirma o pesquisador da APTA.

Por ser cortada pelos rios Grande, Paraná e Tiete, a região Noroeste Paulista atrai muitos pescadores. O objetivo de Abimorad é conscientizar todos que fazem parte da cadeia, como produtores, “isqueiros”, donos de pousadas, guias de pesca e o próprio pescador sobre a importância de preservação do ambiente e das espécies para a sobrevivência da pesca esportiva e a sustentabilidade da cadeia.

Texto: Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa - APTA
1 9 - 2137-0616/0613

Adaptado pela Rural Pecuária

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