terça-feira, 8 de outubro de 2013

Governo incluirá a laranja na política de preços mínimos


O governo vai incluir a laranja na política de preços mínimos e também retomará os leilões de prêmios para subvencionar os preços e garantir pelo menos a cobertura dos custos de produção. A informação é do ministro da Agricultura, Antônio Andrade, em entrevista ao Broadcast. No entanto, contrariando as expectativas dos citricultores, que há três anos trabalham com margens negativas por causa do excesso de oferta da fruta, as medidas só devem entrar em vigor na próxima safra, pois boa parte da atual já foi colhida e comercializada. 

O ministro lembrou que, além de a laranja concorrer com outros sucos e bebidas não alcoólicas, o consumo também vem caindo no mercado interno e no exterior. Na avaliação de Andrade, infelizmente muitos produtores estão abandonando a atividade, o que deve contribuir para o equilíbrio entre oferta e demanda.

A maioria dos produtores que participou dos leilões de equalização de preços realizados entre o segundo semestre do ano passado e o início deste ainda não recebeu os recursos dos prêmios. Os pagamentos, que foram suspensos em fevereiro por causa das suspeitas de fraudes, estão sendo realizados após as análises caso a caso, com direito a defesa dos interessados em caso de pendências ou irregularidades.

Parlamento - Os produtores também buscam solução por meio do Legislativo. O deputado federal paulista Antonio Carlos Mendes Thame apresentou uma emenda a MP 623/2013, que tramita no Congresso Nacional, propondo a prorrogação por cinco anos das dívidas dos citricultores, sem necessidade de comprovação da incapacidade de pagamento por dificuldades na comercialização da fruta. A Associação Brasileira dos Citricultores (Associtrus) informa que a iniciativa recebeu parecer favorável do Ministério da Agricultura e depende de discussão com a área econômica do governo.

Cepea - Os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) mostram que os preços da laranja pera subiram 27% em setembro e devem se manter firmes neste mês, por causa da expectativa de menor disponibilidade da fruta e aumento do consumo incentivado pelas temperaturas mais altas nesta época do ano. No entanto, os pesquisadores do Cepea observam que a recuperação nos preços não deve beneficiar todos os produtores paulistas, porque a maioria comercializou boa parte da laranja pera para consumo in natura ou já havia compromisso de entrega às indústrias.

Bradesco - A citricultura é o tema da edição de outubro do boletim Agronegócio em Análise, elaborado pelo Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco. Ao analisar o mercado, a economista Regina Helena Couto Silva prevê que nos próximos meses os elevados estoques existentes nas indústrias ainda deverão continuar pressionando os preços internacionais para baixo, mas a gradual retomada do consumo na Europa e nos EUA, combinada à oferta ajustada nos principais produtores, deverá dar sustentação as cotações no próximo ano nos níveis atuais.

O estudo mostra que desde a crise financeira de 2008 o consumo de suco de laranja concentrado caiu 20% nos países desenvolvidos, refletindo a elevação do desemprego, que levou a população a conter os gastos. Já o consumo nos países emergentes avançou 35%, refletindo a melhora de renda da população, que favoreceu a inclusão de itens mais elaborados na cesta de consumo. "Os emergentes passaram de uma participação de 10% para 15% no consumo global entre 2008 e 2013. Mas ainda assim, não foi suficiente para compensar a perda dos desenvolvidos, levando o consumo global a uma queda de 15% de 2008 para cá", diz o estudo. Vale lembrar que 85% da produção brasileira de laranja é destinada à indústria e que 95% do suco produzido é exportado.

* Venilson Ferreira é jornalista da Agência Estado e publica semanalmente sua coluna no AE Agronegócios

Fonte: Agência Estado

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