quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Importância dos agentes luteolíticos em programas de reprodução


Diversos são os hormônios envolvidos no controle do ciclo estral bovino. Entretanto, nesse artigo iremos nos ater a prostaglandina (PGF2α) e as suas diferentes moléculas disponíveis na prática veterinária. Para isso, devemos entender primeiramente como esse hormônio tão importante atua.

O corpo lúteo (CL) é a estrutura formada no ovário após a ovulação, e sua função é produzir a progesterona (P4), responsável pela manutenção da gestação. Já, a prostaglandina é produzida no endométrio e está envolvida com a regressão do CL. Assim, quando esta molécula atua, o CL regride e consequentemente ocorre queda nos níveis plasmáticos de P4. Esse fato estimula a pulsatilidade do hormônio luteinizante (LH), o que promove o crescimento final do folículo dominante/ovulatório podendo culminar em uma ovulação. Devido à função luteolítica da PGF2α, a mesma é amplamente utilizada em programas reprodutivos, seja como indutor de cio para inseminação artificial (IA) convencional, seja nos protocolos para inseminação artificial em tempo fixo (IATF).

A prostaglandina natural é um hormônio muito instável e de difícil produção. Assim, ao longo dos anos diversos trabalhos foram feitos no intuito de desenvolver drogas que tivessem efeitos similares a mesma. De maneira geral, existem no mercado alguns análogos sintéticos de PGF2α entre eles, o dinoprost trometamina e o cloprostenol sódico, que é a droga mais utilizada mundialmente para esse fim. A diferença principal dessas moléculas, é que o cloprostenol possui um anel de cloro benzílico em sua molécula, o que reduz a ação enzimática responsável pela degradação, tornando-o mais resistente ao metabolismo endógeno quando comparado ao dinoprost. Essa característica faz com que o cloprostenol sódico tenha meia vida plasmática 23 vezes maior que o dinoprost (aproximadamente 3 horas vs 8 minutos, respectivamente; MACCRACKEN et al., 1999).

Esse diferencial entre os fármacos pode estar relacionado ao tempo de ação e intervalo entre a administração da prostaglandina e a luteólise. Martins et al. (2011), realizaram um trabalho para avaliar a concentração plasmática de progesterona de vacas de leite tratadas com dinoprost trometamina e cloprostenol sódico (Figura 1). 

Nesse estudo, os animais tratados com cloprostenol apresentaram um efeito luteolítico mais rápido, apresentando concentração de P4 circulante mais baixa que as fêmeas tratadas com dinoprost nas primeiras 12 horas após a administração dos hormônios. Nesse sentido, a rápida queda nos níveis plasmáticos de P4 é de extrema importância, principalmente nas primeiras 56 horas após a administração do agente luteolítico, já que os valores de progesterona devem estar abaixo 0,5 ng/mL para que a vaca tenha maior chance de ovular o folículo dominante (FD). Com a redução acentuada da progesterona, a pulsatilidade de LH intensifica, possibilitando um aumento na produção de E2 pelo FD e, consequentemente, aumenta a manifestação de cio.




Figura 1. Concentração (ng/mL) plasmática de progesterona (P4) um dia antes até 90 h após o tratamento com cloprostenol sódico (500µg) comparado com dinoprost trometamina (25mg) de vacas de leite lactantes que apresentaram luteólise completa em até 56 h após o tratamento (Adaptado de Martins et al., 2011).

Corroborando com esses resultados, outro estudo realizado com rebanho de leite comercial verificou que vacas tratadas com cloprostenol sódico apresentaram maior taxa de detecção de cio, concepção e prenhez comparadas às fêmeas tratadas com dinoprost (Tabela 1; Pursley et al., 2012).

Esse resultado pode estar relacionado a uma luteólise incompleta ou mais tardia provocada pelo Dinoprost. Tal fato foi verificado em 5 a 20% das vacas de leite sincronizadas com protocolos Presynch/Ovsynch após a administração da fonte de PGF2α. Por esse trabalho fica evidenciado que a maior potencia do Cloprostenol é benéfica às vacas de leite em protocolos reprodutivos e apresenta melhores resultados quando comparado ao Dinoprost.

Com o objetivo de minimizar os problemas devido a luteólise incompleta, alguns trabalhos vêm sendo desenvolvidos utilizando duas doses de dinoprost trometamina em protocolos de IATF. Os primeiros resultados mostram melhora nas taxas de prenhez dos protocolos e uma possível explicação seria que as duas doses de PGF2αteriam um efeito mais potente comparada a uma única dose devido a meia vida curta desse fármaco em específico. Contudo, mais estudos devem ser desenvolvidos e tal resultado não deve ser estendido para o cloprostenol, pois apesar de serem prostaglandinas, ambos os fármacos apresentam características diferentes. Assim, estudos semelhantes serão desenvolvidos com o cloprostenol sódico para avaliar os possíveis resultados.

Tabela 1. Efeito de 500 µg de cloprostenol sódico versus 25 mg de dinoprost trometamina sobre as taxas de detecção de cio, concepção e prenhez em vacas de leite de alta produção de 1º, 2º e 3º parto, inseminadas artificialmente nos dias 3 e 4 durante um intervalo de 5 dias após o tratamento com duas aplicações, com intervalo de 14 dias, de cloprostenol sódico ou dinoprost. (Adaptado de Pursley et al., 2012)





Fonte: Ourofino Agronegócio Equipe reprodução animal

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