sábado, 15 de junho de 2013

Embrapa: Pesquisadores informatizam análises de risco de pragas agrícolas


Um sistema integrado de banco de dados desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária para o Departamento de Sanidade Vegetal (DSV), da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), busca facilitar os processos de análises de risco de pragas que atacam os produtos vegetais. O BD Pragas e o WikiPragas gerenciam os dados levantados, em nível mundial, das pragas associadas às principais culturas de interesse do agronegócio brasileiro.

A importação de produtos vegetais que são potenciais disseminadores de pragas é normatizada pela Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais (CIPV), a qual está vinculada ao Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS, sigla em inglês) da Organização Mundial do Comércio (OMC). As Análises de Risco de Pragas (ARP) são procedimentos legais aprovados por todos os países integrantes da CIPV, e nacionalmente executadas pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária do País.

Os objetivos são conhecer o risco de introdução de pragas perigosas associado à importação de produtos vegetais e indicar medidas para baixar o risco a um patamar aceitável, considerando o nível adequado de segurança adotado pelo País. Essa ação é importante para impedir a entrada de pragas exóticas que podem causar prejuízos econômicos e comprometer a sanidade de algum produto vegetal cultivado em território brasileiro, além de favorecer a conquista de novos mercados.

O aumento das transações do comércio exterior provocou grande demanda por essas análises, diz o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, Carlos Meira, um dos desenvolvedores do sistema. Assim, o gerenciamento informatizado dos dados visa agilizar a elaboração das ARP, além de facilitar a atualização e a consulta das informações. Ele explica que quando se importa um produto vegetal pela primeira vez ou de um novo local é necessário identificar todas as pragas que atacam aquele produto e as que ocorrem no país de origem.

De acordo com o chefe da Divisão de Análise de Risco de Pragas do DSV, Jefé Leão Ribeiro, o levantamento das informações sobre as pragas é a etapa mais demorada e representa cerca de 90% do trabalho de um processo de análise de risco de pragas. Por isso, com as informações organizadas, o sistema permitirá que sejam tomadas decisões de forma mais ágil. “Essa base de dados está sendo expandida com o trabalho da equipe do DSV. A nossa expectativa é ter um banco bem robusto que possibilite a rápida tomada de decisão”, complementa.

O BD-Pragas gerencia dados de catalogação, tais como nome científico da praga, hospedeiros, países em que ocorre e partes vegetais afetadas. Já o WikiPragas é um módulo que integra o sistema e possui fichas detalhadas das pragas com potencial quarentenário, incluindo aspectos da biologia, inspeção e detecção, impactos e medidas de controle e mitigação. Estão catalogadas cerca de 3.300 pragas e mais de 400 dessas possuem fichas.

O wiki usa uma ferramenta de edição chamada MediaWiki, a mesma da enciclopédia de conteúdo colaborativo Wikipedia, e permite o trabalho coletivo entre os agentes e pesquisadores ligados à área de proteção fitossanitária no País. “Ele possibilita a contribuição de várias pessoas e evita a duplicidade de esforços”, afirma o pesquisador Carlos Meira. As informações são organizadas em categorias e podem ser consultadas de diversas formas, como grupos de pragas que atacam as espécies frutíferas, poáceas, ornamentais, leguminosas e oleaginosas, sinonímias, presença no Brasil, entre outras.

O projeto recebeu auxílio financeiro do Fundo Setorial do Agronegócio – CT-Agro, que repassou os recursos por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o qual também apoiou outras pesquisas nessa temática conduzidas por diversas instituições públicas nacionais que integraram uma Rede de Análise de Riscos de Pragas voltada ao levantamento de informações de pragas por grupo de cultura. A coordenação foi da Embrapa Informática Agropecuária e os grupos tiveram como responsáveis a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF), a Universidade de Brasília (UnB), a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Nadir Rodrigues – Jornalista (MTb/SP 26.948)
Colaboração: Arthur Menicucci
Embrapa Informática Agropecuária
(19) 3211-5747 / nadir.rodrigues@embrapa.br

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