quarta-feira, 19 de junho de 2013

Embrapa: Estudo identifica fatores para baixa adesão ao SISBOV em SP


Criado em 2002, o SISBOV (Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina) é um instrumento voluntário de rastreabilidade, que permite conhecer a trajetória do produto de origem bovina, da fazenda até chegar à mesa do consumidor. Além de representar uma garantia à segurança dos alimentos, essa tecnologia é uma exigência de diversos países da Europa para importar a carne brasileira. Mas a certificação SISBOV não é suficiente para exportar ao mercado europeu.

A propriedade rural que adere ao SISBOV deve fazer parte da lista TRACES (Trade Control and Expert System), uma rede criada pela União Europeia para a saúde animal. No entanto, a adesão ao SISBOV pelos pecuaristas de corte ainda é baixa. Em fevereiro de 2010, das 310.838 propriedades de corte, apenas 1.895 haviam feito registro de seus rebanhos no sistema - menos de 1% do total. Em São Paulo, eram 137 fazendas no SISBOV, diante de um universo de 25.638.

Para identificar os fatores que determinam a adoção da certificação SISBOV e TRACES no estado de São Paulo, a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP) Marcela Vinholis utilizou uma amostra de 32 propriedades certificadas e 52 não certificadas. O trabalho foi assunto de seu doutorado, concluído neste ano no Departamento de Engenharia de Produção na Universidade Federal de São Carlos. Os resultados sugerem que a adoção prévia de sistema intensivo de produção animal é um importante indutor para a obtenção das certificações.

Enquanto 87,5% das propriedades certificadas consultadas no estudo usam o sistema intensivo, nas fazendas não certificadas esse índice cai para 42,3%. A intensificação, por sua vez, está associada à utilização de instrumentos de gestão de risco. Isso se explica porque o SISBOV exige mudanças tecnológicas. É preciso identificar individualmente o rebanho, usar recursos de gestão e de tecnologia da informação, além de capacitar a mão de obra. "Tudo isso é mais complicado para o pequeno pecuarista, pouco tecnificado e que não intensifica a produção", explica Marcela. Outros fatores de influência Outras características que diferenciam as propriedades certificadas das não certificadas são: tamanho do rebanho e da propriedade, nível de escolaridade, participação do pecuarista em associação ligada à pecuária, envolvimento em grupos não formais de pecuaristas, acesso à informação especializada via internet, experiência prévia com outras certificações e hábito de viagens a negócio ao exterior.

Quanto maior o rebanho e o tamanho da fazenda, maior a adesão à certificação. As propriedades certificadas possuíam em média 9.260 cabeças e 4.300 hectares, contra 971 cabeças e 1.065 hectares das não certificadas. Quando se trata de redes de relacionamento, 37,5% dos certificados participam em associações ligadas à pecuária, enquanto apenas 5,8% dos não certificados têm essa ligação. Em relação ao conhecimento, 53,1% dos pecuaristas certificados têm acesso a informação paga via internet, contra 19,2% dos não certificados.

De acordo com Marcela, a ideia do SISBOV é boa e pode abrir muitas portas ao pecuarista brasileiro nos mercados mais exigentes. Porém, para aumentar a adesão, é preciso capacitar a mão de obra e divulgar mais o SISBOV e seu impacto para a pecuária nacional. No âmbito das políticas públicas, a pesquisadora sugere fomentar o associativismo na pecuária, bem como a adoção de instrumentos de gestão de risco, além de reduzir os custos de implantação e manutenção do sistema. 

Larissa Morais – jornalista – MTb/SP 48218 Embrapa Pecuária Sudeste Fone: (16) 3411-5625 larissa.morais@embrapa.br

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