terça-feira, 28 de maio de 2013

Produção e Mercado da Mandioca em 2013


Os preços recebidos pelos produtores paulistas de mandioca industrial são os mais elevados dos últimos cinco anos, refletindo a severa estiagem que assola a região Nordeste do país há mais de um ano. Tal situação ocorre porque gera uma demanda adicional por farinha de mandioca dos Estados produtores das regiões Sul e Sudeste, notadamente do Paraná e de São Paulo. De acordo com comerciantes da principal região produtora de São Paulo, nos primeiros meses do corrente ano compradores da Bahia estavam levando até mandioca in natura de São Paulo para abastecer de matérias-primas farinheiras artesanais daquele estado, apesar do ônus de transportar por distância tão longa esse produto altamente perecível, pressionados por uma questão de segurança alimentar, tendo em vista a garantia de funcionamento daquelas unidades, bem como minimizar o problema da fome na região (Figura 1). 



O preço médio real recebido pelo produtor paulista em abril foi 58% superior ao de abril de 2012, o maior dos últimos cinco anos, 117% superior a igual mês de 2007, preços atualizados de acordo com o Índice Geral de Preços da Fundação Getulio Vargas em valores de abril de 20131.

O Estado da Bahia, principal produtor de mandioca da região Nordeste e que historicamente se posiciona no ranking entre os maiores produtores do Brasil juntamente com o Estado do Pará e o do Paraná, de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE de março, terá sua produção reduzida em 19% em 20132.

Na segunda semana de abril do corrente ano, o preço recebido pelo produtor baiano de mandioca, conforme informações da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), foi de R$621,05 por tonelada, acusando um aumento de 167% em relação ao recebido no mesmo período do ano anterior. Também no Paraná, os preços apresentaram forte elevação no período, 65%3.

Os principais produtos derivados da raiz também apresentaram forte elevação. Na Bahia o preço da farinha fina branca na segunda semana de abril atingiu R$222,00 por 50 kg, acusando, portanto, uma majoração de 225% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Da mesma forma, os preços FOB farinheira da farinha crua tipo 1 no Paraná evoluíram no mesmo período 131%. A fécula de mandioca, que vem ganhando espaço no mercado nos últimos anos como insumo industrial, competindo com o amido de milho, também teve seus preços elevados; no Paraná, principal produtor de fécula de mandioca, no mesmo período teve seus preços elevados em 66%. Em São Paulo, onde a indústria de fécula se encontra também bem desenvolvida, inclusive com unidades fabris de féculas modificadas, os preços acompanharam o mercado e apresentaram elevação de 63%4.

Mas, além da estiagem nordestina, o mercado de milho também concorreu para as elevações dos preços de mandioca e seus produtos. A demanda nordestina por milho aumentou em função da estiagem que, aliada ao aumento das exportações brasileiras, trouxe firmeza aos preços do cereal, abrindo mais espaço para a utilização de fécula de mandioca, concorrente do amido de milho em diversos segmentos industriais.

No último quinquênio as exportações anuais brasileiras de milho foram expressivas, consolidando o país como player importante no mercado mundial do grão. Em 2012 foram exportadas 19,8 milhões de toneladas do produto, conforme dados do Ministério da Indústria e Comércio5.
Mesmo com os bons preços atuais, a área cultivada com mandioca industrial em São Paulo tem se mantido estável. A área em produção de 2007 a 2012 cresceu 2,7%, situando-se em 37.320,40 hectares nesse ultimo ano. Para 2013, o terceiro Levantamento de Previsões e Estimativas de Safras Agrícolas do Instituto de Economia Agrícola de fevereiro estima que a área em produção deva recuar 2,3%, para 36.475 hectares e uma produção de 986.479 toneladas, 2,4% menor que a obtida no ano anterior. Essa estabilidade, e até uma redução, podem ser explicadas pelas culturas, milho e soja, que competem por área com a mandioca. Embora nesse período de 2007 a 2013 os preços recebidos pelos produtores de milho e de soja não tenham sofrido grandes variações, como ocorreu com os da mandioca, eles se estabilizaram em patamares relativamente altos e, portanto, acabam sendo mais competitivos que os da mandioca, uma vez que têm um ciclo de desenvolvimento bem mais curto que os da raiz (Figura 2). 



Essa situação, contudo, ainda pode se alterar, uma vez que o plantio da mandioca em São Paulo se concentra em dois períodos, entre abril e junho e a maior parte a partir de setembro.

Em nível nacional, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de março do IBGE estima a produção de mandioca em 23,4 milhões de toneladas, 4,2% inferior ao resultado do ano anterior. De acordo com informações do Ministério da Agricultura, a previsão é de que para o trimestre de maio a julho as chuvas estarão abaixo do esperado na região nordestina, de maneira que a redução da produção nacional poderá ser maior que a prevista, o que deverá elevar ainda mais os preços da raiz, e reverter as perspectivas de plantio em São Paulo, pois a demanda pela farinha paulista poderá aumentar ainda mais.

1INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Banco de Dados. São Paulo: IEA. Disponível em: <http://ciagri.iea.sp.gov.br/nia1/subjetiva.aspx?cod_sis=1&idioma=1>. Acesso em: maio 2013.

2INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola. Rio de Janeiro: IBGE, v. 26, n. 3, p. 1-86, 23 maio 2013.

3COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO – CONAB. Conjuntural Semanal: mandioca, raiz, farinha e fécula 08 a 12 abr. 2013. Disponível em: <http:www.conab.gov.br>. Acesso em: 16 abr. 2013.

4Op. cit. nota 3.

5MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR. Secretaria de Comércio Exterior – MDIC/SECEX. Sistema de análise das informações de comércio exterior (ALICE). Disponível em: <http://aliceweb2.mdic.gov.br>

Fonte: IEA

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