quinta-feira, 16 de maio de 2013

Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios apresenta pesquisa inédita sobre bovinos no sistema ILPF


Uma pesquisa inédita sobre o comportamento parasitológico e o desempenho de bovinos de corte no sistema tradicional e de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) poderá contribuir na prevenção e tratamento dos animais inseridos ao modelo ILPF, além ajudar futuros projetos para sanidade animal.

O estudo realizado pela pesquisadora Giane Serafim, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), analisou 40 bovinos mestiços, em idade de pós-desmama, naturalmente infectados por parasitos e colocados no sistema de integração.

A análise mostrou que não houve aumento na incidência de mosca-dos-chifres, carrapatos e de Ovos por Grama de Fezes (OPG) – método usado para avaliar a infecção por ‘vermes’ – e que a infestação e infecção dos animais no modelo ILPF é semelhante ao do sistema tradicional de criação.

Para a pesquisadora, a hipótese do trabalho era de que o microclima formado na pastagem, em decorrência do sombreamento das árvores, além de favorecer o conforto animal, poderia interferir no ciclo biológico dos parasitos, podendo levar a maior incidência de parasitos nos animais. “Constatamos que o sistema interfere positivamente no ciclo biológico dos parasitos, porém, sem diferença significativa quando avaliados estatisticamente. Podemos dizer, então, que embora haja o favorecimento no desenvolvimento dos parasitos, o aumento não é significativo, não se constituindo um fator desfavorável do sistema ILPF”, explica Giane.

De acordo com Serafim, os resultados não permitem conclusões definitivas a respeito do comportamento das parasitoses bovinas em sistema ILPF, comparativamente ao sistema convencional – sem sombreamento. “Mas contribuirão para orientar na prevenção e tratamento dos animais inseridos em sistemas ILPF”, explica a pesquisadora da APTA. “Além disso, os resultados darão suporte à elaboração de novos projetos na área de sanidade animal”, completou.

ILPF’s implantados no Noroeste Paulista

O trabalho naquela região é executado desde 2009 e tem como meta a adoção da tecnologia por pelo menos 10% dos produtores do Noroeste Paulista. Quatro produtores rurais utilizam o sistema, em uma área de aproximadamente 50 hectares.

“O sistema é importante para o desenvolvimento regional na medida em que incentiva a diversificação de renda com o cultivo de grãos, animais e árvores na mesma área”, explica Borges.

O Sistema de Integração lavoura-pecuária-floresta tem como vantagem melhorar a qualidade da pastagem, o conforto animal, a conservação do solo e diversificar a fonte de renda do produtor. Com o sistema é possível produzir grãos, bovinos e madeiras, por exemplo. “A principal vantagem é a recuperação das pastagens degradadas. A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) estima que 60% da área total ocupada por pastagem em São Paulo encontra-se em estágio inicial de gradação e 20% apresentam estágio avançado de degradação, necessitando de intervenção”, afirma a pesquisadora da APTA, Giane Serafim.

Segundo ela, as ações inadequadas e a ocupação irregular do solo têm conduzido à deterioração irreversível das propriedades rurais, afetando o potencial produtivo. “Com o manejo adequado do solo haverá melhor produção animal e vegetal por área, além de melhor eficiência do uso da terra. Se produzirmos mais, na mesma área, não haverá a necessidade de aumentar o desmatamento para a expansão da bovinocultura, tudo isso, aliado com a diversificação da fonte de renda na propriedade”, explica Serafim.

As culturas utilizadas no sistema vão depender da vocação agrícola da região em que está sendo implantado o sistema. Na região de Votuporanga, pode-se destacar milho, soja, milheto e sorgo como as culturas de grãos mais empregadas. O eucalipto também tem sido bastante utilizado por poder ser usado para diferentes fins, como lenha, cerca e indústria moveleira, por exemplo. Entre os animais, os bovinos de leite, de corte e os ovinos têm sido bastante utilizados.

Projeto Integra SP

Lançado em 1º de março pelo governador Geraldo Alckmin e pela secretária de Agricultura, Mônika Bergamaschi, o Projeto Integra SP tem o objetivo de recuperar mais de 300 mil hectares de áreas degradadas nos próximos sete anos, por meio do plantio de outras culturas e/ou de florestas em uma mesma área por sistemas integrados de rotatividade, consorciação ou sucessão. Dessa forma, uma propriedade rural produzirá o ano todo com mais diversidade e intensidade.

Os financiamentos serão obtidos por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap/SAA) que disponibilizará duas linhas de crédito especiais: a linha de Subvenção para Recuperação de Áreas Degradadas por Grandes Erosões (RADGE), com teto de R$ 10 mil por produtor, que pode ser utilizada em ações de correção de solo e controle de voçorocas; e a linha Projeto Integra SP, que financiará desde o processo de adubação e cobertura de solo até a implantação de sistemas integrados de produção. O limite é de R$ 100 mil com juros de 3% ao ano e prazo de oito anos para pagamento, podendo ser estendido até 12 anos quando o projeto incluir cultivo de floresta.

Para o desenvolvimento estão previstas instalações de 250 Unidades Demonstrativas (UDs), tanto em fazendas do Estado como em propriedades rurais privadas, com a função de demonstrar e transferir a tecnologia do Projeto; capacitação de 125 técnicos da SAA que serão responsáveis pela implantação e por oferecer apoio direto aos produtores rurais; capacitação e benefício para quatro mil produtores; elaboração de 450 projetos que poderão contemplar desde a reforma da pastagem até a adoção de sistemas.

O Projeto Integra SP vai ao encontro das metas estabelecidas no Programa Estadual de Mudanças Climáticas do Governo do Estado, que assumiu o compromisso de recuperar, ao menos, 20% das áreas com pastagens degradadas até 2020. A expectativa da equipe da Secretaria de Agricultura é que 800 voçorocas sejam controladas, em até cinco anos, e que 312 mil hectares de pastagens sejam recuperadas em sete anos.

Fonte: APTA

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