quinta-feira, 28 de março de 2013

Março: Análise do preço do Leite pago ao produtor


A produção de leite em fevereiro perdeu força pelo segundo mês consecutivo, o que restringiu a oferta do produto para as indústrias. Paralelamente, a demanda por derivados se mantém firme, o que estimula a disputa pela matéria-prima entre as empresas e alavanca os preços pagos aos produtores, apontam pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Em março, o leite recebido pelo produtor valorizou mais 2,53% na “média Brasil”, que foi para R$ 0,8427/litro (preço líquido), ou seja, aumento de 2 centavos em relação ao mês anterior. Esta média apurada e calculada pelo Cepea é ponderada pelos volumes captados nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA. Por sua vez, o preço bruto, que inclui frete e impostos, teve média de R$ 0,9162/litro, mantendo-se 0,6% superior à de março de 2012, em termos reais – considerando-se a inflação (IPCA) do período.

Fevereiro/Março é um período de transição na produção de volumosos, a base da alimentação das vacas em lactação. Na região Sul, este é o momento em que as pastagens de verão estão perdendo vigor e as de inverno estão sendo semeadas. É nesta época também que as pastagens do Centro-Oeste e Sudeste começam a produzir menos e as vacas em lactação são secas, para que possam se preparar para a próxima parição.

Este quadro se refletiu no Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-Leite) de fevereiro, que decresceu 3,29%, considerando-se os sete estados da “média nacional”. No estado de São Paulo, a captação caiu 7,5%, a maior queda entre os estados. Em Minas Gerais e Goiás, a redução foi mais branda, de 2,2% e 1,9%, respectivamente. Na média da região Sul, a produção diminuiu 4% e, na Bahia, ocorreu o inverso: aumento de 11% na captação, devido à recuperação das pastagens principalmente no sul baiano, onde as chuvas foram relativamente melhores.

Enquanto o segmento primário reduz a oferta, o consumo ganha força. Em março, os preços, tanto do leite UHT como do queijo muçarela, no atacado do estado de São Paulo, aumentaram em relação a fevereiro O leite UHT em março (cotação até o dia 27) teve média de R$ 1,96/litro e o queijo muçarela, de R$ 11,56/kg, aumentos de 3,3% e 1,4% em relação a fevereiro, respectivamente. Essa pesquisa do Cepea é feita diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

AO PRODUTOR – Entre os estados da pesquisa que compõem a “média Brasil”, os preços só não aumentaram no Paraná, onde a média permaneceu praticamente estável em março, com o preço bruto a R$ 0,8929/litro. O reajuste mais expressivo aconteceu em Goiás, onde os 5% de incremento fizeram o litro do leite alcançar R$ 0,9688. Em São Paulo e Minas Gerais, os aumentos foram de 2,6 e 2,5 centavos por litro em março, chegando a R$ 0,9299/litro e R$ 0,9301/litro, respectivamente. Apesar do aumento do volume captado na Bahia, a produção ainda é baixa por conta da seca e, com isso, o preço nesse estado também aumentou, 1,6%, com a média bruta a R$ 0,9062/litro. Os estados gaúcho e catarinense seguiram a tendência geral, fechando o mês de março com valorização de 1,3% e 0,6%: o litro do leite teve média de R$ 0,8477 e R$ 0,8825, respectivamente.

Entre os estados que não compõem a “média nacional Cepea”, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro obtiveram os maiores aumentos. O primeiro teve acréscimo de 4,7% e o segundo, de 4,1%, com o preço bruto a R$ 0,8419/litro e a R$ 0,9992/litro, respectivamente – esta última média é a maior entre todos os estados da pesquisa. No Espírito Santo, o aumento foi de 2%, de modo que o litro foi para a média de R$ 0,8961. No Ceará, a seca tem prejudicado os rebanhos e acirrado a disputa pelo leite. Com isso, o preço bruto chegou a R$ 0,9800/litro.

A expectativa para o mês de abril, segundo 77,5% dos agentes de mercado consultados pelo Cepea (que representam 94,6% do volume amostrado), é que os preços continuem em alta. Os mesmos representantes esperam que a oferta de leite continue restrita e que o consumo permaneça constante. Do restante, 20% dos entrevistados (que representam 5% do volume de leite amostrado) esperam estabilidade nos preços e somente 2,5% (que representam 0,4% do volume de leite amostrado) acreditam e queda nos preços.
Fonte: CEPEA

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