segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Embrapa: Integração de tecnologias reduz riscos de perda com estiagem


Antecipar a semeadura da soja e, consequentemente, a do milho safrinha. Esse é o objetivo de muitos produtores rurais em Mato Grosso do Sul, na busca de boa produção nas duas culturas. Mas a instabilidade climática da região, especialmente no aspecto relacionado à ocorrência de chuvas, é um dos aspectos que deve ser levado em conta pelos agricultores, principalmente na região Centro Sul do Estado.

Segundo o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Danilton Flumignan, a causa da instabilidade climática da região é o clima de transição – entre o clima temperado e o clima da região de Cerrado –, chamado de clima tropical monçônico (Am), típico da região Centro-Sul de Mato Grosso do Sul.

Por isso é importante que o produtor observe o período de zoneamento agrícola de riscos climáticos para sua região, que considera o histórico de dados climáticos da região, as características da cultivar e o tipo de solo das regiões, aspectos que dão maior segurança para a lavoura. Na maior parte de Mato Grosso do Sul, o melhor período para a semeadura, de acordo com o zoneamento, é a partir de 1º de outubro.

Como, em 2012, a legislação estadual alterou o período do vazio sanitário da soja, que agora é de 15 de junho a 15 de setembro, o agricultor pode realizar a semeadura da soja a partir de 16 de setembro. Mas semear antes de 1º de outubro tem algumas consequências.

Entre elas, a menor probabilidade de obtenção de altas produtividades da soja, devido à irregularidade na distribuição de chuvas no início da primavera, o que dificulta o estabelecimento da cultura; e o não acesso a algumas políticas agrícolas, como o seguro da lavoura e o Programa Agricultura de Baixo Carbono (Programa ABC).

"Para as cultivares de soja mais precoces, os prováveis veranicos afetarão a fase mais sensível da lavoura (formação e enchimento de vagens) e a colheita coincidirá com períodos chuvosos", alerta o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Rodrigo Arroyo Garcia.

Uma das alternativas que pode minimizar os impactos causados pela estiagem nas lavouras é a irrigação. Isso possibilita um aumento no potencial produtivo e viabiliza novas oportunidades aos produtores, como uma terceira safra para plantas com ciclos curtos. A água facilita a movimentação e a absorção dos nutrientes do solo em direção as raízes das plantas, fazendo com que os fertilizantes aplicados na lavoura sejam melhor aproveitados.

Dentre as diversas estratégias de irrigação, ele destaca a utilização da irrigação por pivô central, que é um sistema projetado para operar com torre central fixa, tem custo aproximado de R$ 5 mil por hectare. "Esse sistema de irrigação apresenta muitas vantagens, pois é de fácil operação, dispõe de inúmeras empresas capacitadas para sua instalação e manutenção, requer pouca mão-de-obra, pode ser implantado em pequenas e grandes áreas”, destaca Danilton.

Antecipação

Se o produtor decidir semear a soja no início de outubro, o ideal é adotar um material com tipo de crescimento indeterminado e com ciclo semi-precoce, já que esse é um mês um pouco instável na distribuição de chuvas, principalmente na região sul de Mato Grosso do Sul. 
Conforme avança o mês, a partir de 15 de outubro, é possível pensar em uma cultivar precoce, porque a condição climática será mais favorável para esse tipo de material.

"O ideal é começar a semeadura com materiais semi-precoces, que também serão colhidos antecipadamente, além de apresentarem maior potencial produtivo e estabilidade em caso de escassez de água. Começar a abrir área com cultivar de soja super precoce é muito perigoso", alerta Arroyo.

Entre as vantagens da antecipação da semeadura da soja, levando em consideração o zoneamento agrícola, é que o cultivo do milho safrinha poderá ser adiantado. Dessa forma, as condições climáticas são mais favoráveis para esse grão, já que haverá maior intensidade luminosa, maior oferta de chuva e possível ocorrência de geadas em fases menos suscetíveis do milho.

Mas é preciso ter cautela em relação à antecipação e considerar a época mais adequada de acordo com a disponibilidade hídrica no solo, no momento da semeadura; as cultivares mais adequadas; o zoneamento agrícola; e as estratégias de manejo de sistemas integrados, que mais se adaptam à realidade do produtor e trazem maior estabilidade em anos com condições climáticas adversas, como consórcio milho-braquiária e integração lavoura-pecuária. “É importante pensar no conjunto: ter uma ótima safra de soja e uma ótima safra de milho”, reforça Arroyo.


Christiane Congro Comas – Mtb-SC 00825/9 JP 
christiane.comas@embrapa.br
Sílvia Zoche Borges, MTb-MG 08223JP
silvia.borges@embrapa.br
Jornalistas da Embrapa Agropecuária Oeste

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