sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Soja: Nitrogênio é aposta para elevar produtividade


Empresas de biotecnologia e fundações de pesquisa de todo o país estão investigando os efeitos da aplicação de nitrogênio em lavouras de soja sobre a produtividade das plantas. A aposta é que o uso desse tipo de fertilizante possa abrir caminho para ganhos expressivos de rendimento.

Ao todo, 25 organizações - entre as quais Embrapa, Fundação MT, Monsanto e Pioneer -, realizam testes de campo nesta safra 2012/13 a fim de atestar a validade da hipótese. O grupo integra uma rede de pesquisas associada ao Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb).

Embora a produção de uma tonelada de soja consuma aproximadamente 80 quilos de nitrogênio, a cultura praticamente dispensa a aplicação de fertilizantes nitrogenados no solo. A oleaginosa consegue absorver do ar a maior parte do nutriente de que necessita por meio de um processo conhecido como fixação biológica.

Contudo, nos últimos anos, agricultores participantes de um concurso de produtividade promovido pelo Cesb conseguiram mais do que dobrar o rendimento da soja com a adoção de práticas heterodoxas - entre elas, a adição de nitrogênio nas composições usadas para enriquecer o solo.

"Com o trabalho dessa rede de pesquisa, queremos atestar se o nitrogênio é realmente um fator determinante [para o ganho de produtividade] e se é viável economicamente", afirma Nilson Caldas, diretor do Cesb.

Comprovados os benefícios do nitrogênio e a viabilidade econômica de sua aplicação, explica Caldas, as instituições participantes deverão trabalhar em uma nova "cartilha" de recomendações agronômicas para a produção de soja no Brasil.

"Estamos bastante confiantes em ganhos substanciais. Nosso objetivo é aumentar a produtividade média da soja para 4 mil toneladas por hectare até 2015, no Cerrado, e 2020, no Sul do país", afirma o representante do Cesb. Atualmente, o Brasil colhe menos de 3 mil toneladas por hectare.

Caldas admite, porém, que pesquisas sobre o uso de nitrogênio em lavouras de soja se mostraram inconclusivas no passado. "É possível que a fixação biológica da soja tenha sido suficiente para suportar os ganhos de produtividade até aqui, mas não para que cheguemos a patamares mais elevados", cogita. "Trabalhamos com um empilhamento de tecnologias que, juntas, podem nos permitir avançar".


Fonte: Valor Econômico

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