quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Cana-de-Açúcar: Doença Podridão Abacaxi


A cana-de-açúcar é uma cultura típica de climas tropicais e subtropicais. Fatores climáticos como temperatura, umidade e insolação são determinantes para o sucesso da cultura, que apresenta um melhor desenvolvimento em locais quentes e ensolarados1.

Atualmente as usinas e produtores de cana-de-açúcar estão realizando o plantio em diversas épocas do ano, visando um planejamento escalonado da colheita e um melhor aproveitamento de maquinário e mão-de-obra. Isso, além das condições climáticas desfavoráveis para o plantio e emergência da cultura entre maio e agosto, tem aumentado a incidência de doenças e pragas, acarretando em um aumento no número de falhas no plantio2.

A severidade de algumas doenças é um fator preocupante na produção de cana-de-açúcar, resultando na redução de biomassa e de seus subprodutos. No Brasil foram diagnosticadas 40 doenças, das 177 relacionadas à cultura no mundo provocadas por fungos, bactérias e vírus3. A doença denominada de Podridão Abacaxi causada pelo fungo Thielaviopsis paradoxa é considerada uma das doenças mais importantes para a cultura da cana-de-açúcar no país4.

Essa doença tem preocupado os produtores e pesquisadores justamente quando a cana-de-açúcar é plantada nos períodos mais secos do ano, sobretudo devido ao crescimento que é mais lento em temperaturas abaixo de 25 ºC e até nulo abaixo de 19 ºC5,6 .

O agente causador da podridão abacaxi tem sido registrado em diversas espécies de plantas tropicais, por ser polífago ocorre em todas as regiões onde a cana-de-açúcar é cultivada. Sua importância varia de acordo com as condições solo, temperatura e velocidade de germinação dos toletes7. O agente causador da podridão abacaxi não possui mecanismos próprios de penetração na planta sendo necessário, a planta apresentar ferimentos que proporcionem uma porta de entrada ao fungo. Na cana-de-açúcar é particularmente importante, porque as mudas são cortadas em toletes para a realização do plantio da cultura, oferecendo assim a porta de entrada para o fungo8 na planta.

À medida que a doença avança, a coloração dos tecidos vai passando de cinza, parda-escura e finalmente negra. Nessa última fase só resta à casca intacta dos toletes, os feixes fibrovasculares internos estão soltos e recobertos por uma massa negra de esporos7.

O sintoma mais típico da doença é a fermentação dos toletes que exaltam um odor característico de essência de abacaxi. Esse sintoma é mais acentuado nas fases iniciais de ataque do fungo, enquanto o tolete tem reservas de açúcar7.

Uma vez instalado na muda, o fungo provoca baixa germinação em canaviais recém-implantados e também á morte de brotos novos, consequentemente provoca falhas e queda na produtividade final do stand9.

A doença ocorre em função do atraso na germinação dos toletes, que pode ser motivado por seca e principalmente pela baixa temperatura, por isso o outono da Região Centro-Sul é a época mais comum de aparecimento da doença9.

Com a realização de plantios cada vez mais tarde, entre os meses de abril a julho, acompanhados de temperaturas mais amenas (frio), o que retarda o desenvolvimento dos brotos, cria uma excelente oportunidade para que a doença se desenvolva9.

Medidas que estimule a brotação mais rápida dos toletes ou proteja as feridas por onde o fungo possa entrar na planta, já são suficientes para controlar o fungo. Os plantios realizados no verão estão livres da doença. Associando essas medidas a um bom preparo do solo, plantio em profundidade adequada, mudas novas e vigorosas irá diminuir os danos, mesmo quando o solo estiver contaminado pelo patógeno. Plantio em períodos favoráveis ao fungo requer mudas novas e colmos inteiros ou picados em toletes com tamanhos maiores. Tratar as mudas com fungicidas indicados nas dosagens recomendada, uso de variedades com rápida brotação também são medidas que auxiliam no controle da doença.



Por Ana Paula da Silva – Engenheira Agrônoma – Departamento Técnico Ourofino Agrociência.

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