sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Tecnologia IAC para produção de material de propagação de batata conquista norma de cerificação oficial



Um telado antipulgões ou campo certificado e alguns dos brotos destacados da própria batata é tudo que o bataticultor precisa para produzir batata-semente mais barata e de forma sustentável. A tecnologia do broto/batata-semente, desenvolvida no Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conquistou a Instrução Normativa n.º 32 (IN32) em 21 de novembro de 2012, e agora é regulamentada oficialmente como material de propagação da batata sob igual aceitação dos convencionais tubérculos, micro-tubérculos ou minitubérculos e das plântulas geradas em laboratório de cultura de tecidos.

Com a norma, o agricultor que utilizar o broto da batata, subproduto da cultura, como material de propagação terá em suas mãos um produto certificado. Para o pesquisador do IAC responsável pela tecnologia, José Alberto Caram de Souza Dias, a normatização oferece uma motivação a mais para os produtores. “Quem descartar brotos, não souber ou quiser aproveitá-los, estará demonstrando desinteresse por um produto oficialmente considerado batata-semente. Queimar ou jogar fora brotos de tubérculos/batata-semente básicas é jogar fora negócios, oportunidades de empregos, é desprezar nova fonte de renda e de economia para sua produção”, afirma o pesquisador do IAC.

Dentre as vantagens da produção de batata-semente, a partir do broto, está a redução do risco de introdução de pragas do solo que, segundo Caram, podem estar na epiderme dos tubérculos de batata-semente. “Se comparado à plântula, originada de técnicas de cultura de tecidos in vitro, os brotos têm maior fidelidade genética. Quanto à sanidade, sendo os brotos destacados de tubérculos livres de vírus, estes estarão igualmente sadios”, explica o pesquisador.

A tecnologia também possibilita aproveitar centenas de toneladas de brotos destacados de lotes de batata-semente básica que são descartados anualmente. “Agora, os brotos poderão ser oficialmente aproveitados para produção de lotes adicionais de tubérculos/batata-semente certificada, reduzindo a dependência das importações”, diz Caram. Além disso, países estabelecidos como exportadores de batata-semente da Europa e América do Norte passam a contar com um produto a mais para a exportação de batata-semente livre de vírus “A tecnologia garante redução de custos de frete internacional, pois o broto pesa de oito a 12 vezes menos que os tubérculos”, completa.

Para a produção certificada de batata-semente, a partir do broto, o produtor precisa de um telado para o plantio e câmara fria para o armazenamento dos brotos e minitubérculos gerados. O custo de um telado de 300 a 600 m2 pode variar de R$ 15.000,00 a R$ 40.000,00.


O investimento pode parecer grande, mas o retorno é promissor, uma vez que o custo da produção de minitubérculos/batata-semente, após a aquisição do telado, é menor. O produtor pode vender mais barato e ainda assim ter lucro satisfatório. “Ao invés de descartar o broto, o bataticultor pode utilizá-lo para a produção de um lote de tubérculo/batata-semente certificado, de alta sanidade e a baixo custo, pois não gastou com a compra do material de propagação”, defende o pesquisador. 

Caram afirma que a certificação abriu novo nicho para o mercado. O produtor poderá comercializar os brotos para a produção de babata-semente no sistema orgânico. “O broto, ao ser desconectado do tubérculo/batata-semente produzido no sistema convencional, é um representante fiel da genética da planta. Vindo, portanto de um sistema natural e não laboratorial, os brotos, nas mãos dos produtores orgânicos, produzirão a semente básica, pura e orgânica, necessária para a produção de batata-semente orgânica”, esclarece.


A produção de material de propagação a partir do broto da batata também pode ser considerada sustentável.Segundo o pesquisador, de um único produto, ou seja, um tubérculo/batata-semente de 35 a 60 centímetros de diâmetro, é possível destacar até quatro brotos.

O resultado é o aumento da taxa de multiplicação em até 100%, pois cada um desses brotos plantados produz, em média, três novos tubérculos. Aumenta-se a produção de batata-semente sem aumentar a área de cultivo, uma vez que os brotos são subprodutos naturais, e sem afetar a produtividade dos tubérculos, que rebrotam. “Faz-se uso de recursos da própria atividade de produção, favorecendo o meio-ambiente e o agronegócio, que tem tido grande demanda na forma de agricultura sustentável”, afirma o pesquisador.

A Instrução Normativa n.º 32, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), define que brotos medindo de cinco a dez centímetros podem ser destacados de tubérculos produzidos dentro do sistema de telados. Se não forem destinados à produção orgânica, os brotos podem ser tratados com soluções descontaminantes e o contato com o solo do local da desbrota deve ser evitado. O trabalho da desbrota deve ser realizado em ambiente fechado e livre de insetos. Os brotos devem ser armazenados em sacos plásticos fechados – tipo zipados – em câmera fria a 4 ºC. “Para que o material seja certificado, o produtor deve solicitar ao MAPA a inscrição do telado conforme estabelecido na norma IN32”, explica Caram.

O pesquisador do IAC foi o responsável pelo desenvolvimento da tecnologia e quem concedeu as informações para os agentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para a normatização do uso do broto como semente para a produção de lotes certificados de batata-semente, livre de vírus e outros patógenos. A norma IN32 pode ser lida na integra no Diário Oficial da União (DOU), edição de 21 de novembro de 2012. O exemplar também está disponível no site da imprensa oficial, http://portal.in.gov.br/.


Fonte: Instituto Agronômico de Campinas  

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