quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Cana-de-Açúcar: Ferrugem Alaranjada ( Puccinia Kuehenii )


Fonte: SMARTBIO Tecnologia

Depois de causar prejuízos na Austrália, Estados Unidos e países da América Central como Panamá, Jamaica, Guatemala e Costa Rica, a ferrugem alaranjada chegou ao Brasil. Esta doença causada pelo fungo Puccinia kuehenii é devastadora para as variedades suscetíveis de cana de açúcar, podendo proporcionar perdas de mais de 40% na produtividade agrícola.

As variedades mais suscetíveis são: RB 72 454, SP89-1115 e SP84-2025, conforme já se constatou em levantamentos realizados pelos especialistas.

O CTC antecipando-se à chegada desta doença ao Brasil enviou à América Central uma coleção de todas as suas variedades e outras variedades comerciais para serem submetidas ao ataque deste fungo em condições de campo. Os resultados obtidos, de acordo com a escala de notas atribuídas ao visual de colonização da ferrugem nas folhas de cana, foram os seguintes: Segundo o CTC, as variedades CTC 3, CTC 9 (excepcional variedade) e CTC 19, além das variedades RB85 5156 e RB86 7515, mostraram reações de suscetibilidade intermediária. Entretanto, até o momento, principalmente a RB86 7515 tem se mostrado resistente em várias localidades.

A Canavialis, um dos mais promissores programas de melhoramento do Brasil, perdeu um dos seus cultivares, a recém-lançada variedade Centauro. Esta instituição já comunicou todos seus clientes da ocorrência do problema nesta variedade.

A UFSCar e o IAC continuam fazendo levantamentos de seus cultivares em todo o centro-sul e prometem divulgar resultados em breve.

Nos testes realizados pelo CTC na América Central, as variedades CTC 1, CTC 2, CTC 4, CTC 5, CTC 6, CTC 7, CTC 8, CTC 10, CTC 11, CTC 12, CTC 13, CTC 14, CTC 15, CTC 16, CTC 17, CTC 18 E CTC 20, além das variedades comerciais SP79-1011, SP80-1816, SP80-1842, SP81-3250, SP83-2847, SP91-1049, RB83 5486, RB85 5453 e RB85 5536 mostraram-se resistentes à Ferrugem Alaranjada.

Em termos de disseminação, esta “nova” ferrugem é tão rápida como a ferrugem marrom que chegou ao Brasil em 1986, quando condenou logo no inicio um clone promissor do antigo Planalsucar (hoje UFSCar-Ridesa) a RB72 5828. A sua progressão foi extremamente rápida e em pouco tempo se tornou mais agressiva, eliminando do cultivo a importante variedade SP70-1143, além da SP71-1406 e SP70-1284.

Teria surgido uma nova cepa através de mutação do fungo? Até hoje não sabemos, mas sabemos que a pressão de inóculo aumentou com o passar dos anos. O clima úmido e quente favorece a multiplicação do fungo e a sua esporulação.

Desde a primeira constatação na região de Araraquara no Estado de São Paulo em início de dezembro de 2009, se esparramou por todo o estado e esta doença já foi identificada nos estados vizinhos do Paraná, Minas Gerais e Goiás. Deverá chegar em breve ao Nordeste do Brasil.

A nossa maior preocupação reside no comportamento das variedades intermediárias, pois quando a ferrugem marrom surgiu no Brasil, as variedades SP70-1143, SP711 1406 e SP70-1284 apresentavam reação intermediária e, em muito pouco tempo, se tornaram suscetíveis e não puderam mais ser cultivadas.

Ao contrário da ferrugem marrom, a ferrugem alaranjada ataca as plantas com maior porte ou porte adulto, resultando em maiores perdas.

Hoje no Brasil há ao redor de 1 milhão de hectares cultivados com variedades suscetíveis: RB72 454, SP89-1115 e SP84-2025. Se considerarmos uma perda mínima de 10% na produtividade agrícola, teremos perdas equivalentes a 100 mil hectares de cana. Isto corresponde a 7.600.000 toneladas de cana a menos na produção brasileira, se adotarmos uma média conservadora de 76 t/ha.

Transformando essas perdas em produção industrial, equivale a dizer que teríamos uma perda de 350 milhões de litros de etanol e 8,7 milhões de sacos de 50 kg de açúcar. Sendo bastante otimista, representaria um rombo de 800 milhões de reais no faturamento do setor.

O controle químico não deve ser descartado também, principalmente sobre as variedades de suscetibilidade intermediária em canaviais novos e também para manter em cultivo variedades de alta performance. Hoje sabemos que alguns fungicidas utilizados na cultura da soja poderão ser muito eficazes na cana-de-açúcar.

Entretanto, a maior sorte e a segurança do setor residem em duas importantes constatações:

Temos quatro excelentes programas de melhoramento que deverão continuar liberando variedades resistentes todos os anos para substituir as suscetíveis.
As variedades mais plantadas do Brasil: RB86 7515, SP81-3250 e RB92 579 mostraram-se resistentes em todos os levantamentos realizados até o presente momento.
Só nos resta acompanhar o desenvolvimento da doença em diversos ambientes, estágios da cultura e nas variedades comerciais cultivadas neste enorme país canavieiro.

Fonte: Ourofino Agronegócios Por Thais Zanetti, engenheira agrônoma Ourofino Agronegócio.
Fonte: Dib Nunes

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