sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pesquisa em Desenvolvimento na APTA reforçam Selênio e Vitamina E na Alimentação de Vacas Lactantes


Se o leite comum já é considerado um dos alimentos mais completos em nutrientes, imagine o leite funcional enriquecido com o dobro de selênio e vitamina E, além de melhor composição da gordura? É este o resultado de pesquisas em desenvolvimento no Polo Centro-Leste, unidade regional da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). No Programa de Pesquisa chamado Leite Funcional são feitos estudos de zootecnia, nutrição e saúde humana com o objetivo de modificar a composição do leite por meio da alimentação da vaca para que o alimento favoreça a saúde e o crescimento dos seres humanos.

No primeiro experimento, os pesquisadores da APTA e da USP inseriram na dieta animal selênio e vitamina E, junto com óleo de girassol. As substâncias foram acrescidas ao leite extraído dessas vacas e o perfil de ácidos graxos foi modificado. O leite foi ofertado a 90 crianças, com idade de sete a 10 anos, durante três meses. As crianças que tomaram o leite funcional apresentaram maior concentração das substâncias e do bom colesterol no sangue. Agora, está em andamento o segundo projeto de pesquisa do Programa, utilizando os mesmos nutrientes na dieta dos animais. Dessa vez, o leite é ofertado para 130 idosos da Casa do Vovô e da Amizade, de Ribeirão Preto.

A pesquisa, que alia avaliação zootécnica com análise na saúde humana em um mesmo experimento é inédita no País. O selênio e a vitamina E são antioxidantes, que desaceleram o envelhecimento das células, podendo reduzir as chances de desenvolvimento do câncer. O óleo de girassol é considerado saudável, por apresentar alto teor de ácidos graxos poliinsaturados, o que pode ser útil na redução dos níveis de colesterol no sangue.

Para intensificar os trabalhos, será inaugurado em 23 de novembro de 2012, o Laboratório de Qualidade do Leite (APTALAC), em Ribeirão Preto. O evento terá início às 9h e contará com a presença da secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi. Além de melhorar a qualidade do leite para o consumo humano, a alimentação enriquecida ajuda também na saúde e nutrição das vacas, com a diminuição da ocorrência da mastite subclínica e o aumento de 30% da produção de leite.

O leite de vaca é um dos principais alimentos na nutrição humana por fornecer nutrientes fundamentais para o organismo como proteína, lactose, gordura, vitaminas e minerais. Dentre os minerais presentes, o cálcio é o mais importante, sendo responsável pelo crescimento, desenvolvimento e manutenção dos ossos e dentes. “Porém, a composição básica do leite bovino é direcionada para suprir as necessidades nutricionais dos bezerros. Essa composição pode ser modificada por meio de mudanças na alimentação das vacas, de modo a torná-lo um alimento mais interessante à nutrição humana”, afirma Márcia Saladini Vieira Salles, pesquisadora da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Pensando nisso, os pesquisadores da APTA e da USP alimentaram as vacas com o dobro da quantidade exigida de selênio e vitamina E. Com essa mudança foi possível dobrar os níveis desses nutrientes no leite consumido por 90 crianças, estudantes da escola C.A.I.C Professora Stela Stefanini Bacci, da cidade de Casa Branca, interior de São Paulo. “Os dados ainda estão sendo analisados, mas já se comprovou que houve aumento de selênio, colesterol bom e vitamina E no sangue delas. O colesterol aumentou por causa do acréscimo da fração HDL, que é benéfico à saúde.”, explica Salles.

As crianças, da primeira a terceira série, que permanecem na escola por tempo integral, ingeriram o leite funcional por três meses. A pesquisa foi autorizada pelos pais dos alunos. “O selênio e a vitamina E agem como antioxidantes, protegendo as membranas das células, desacelerando o processo de envelhecimento, prevenindo algumas formas de carcinogenese e também auxiliam no sistema imunológico. A ingestão desses nutrientes mantém a saúde e reduz o risco de doenças. O óleo de girassol serviu para alterar o perfil dos ácidos graxos e para o leite apresentar gordura mais saudável para a alimentação humana, com a presença de ácido linoléico conjugado e ômega 3 ”, explica Salles.

Em um novo projeto de pesquisa, a APTA testa o leite funcional em 130 idosos, de 78 anos, moradores da Casa do Vovô, em Ribeirão Preto. O estudo começou em setembro de 2012 e deve ser finalizado no início de dezembro deste ano. As vacas estão se alimentando com uma dieta à base de selênio, óleo de girassol e vitamina E. “A produção de leite com melhor perfil de ácidos graxos, vitaminas e minerais pode melhorar a nutrição e o sistema imunológico das pessoas e vem a ser um trabalho importante de caráter prático para a população em geral, para os agentes de saúde, nutricionistas e para toda a cadeia produtiva do leite”, explica Salles.

Benefícios para os animais e ganhos no leite

Não é apenas a saúde dos consumidores que melhora com o leite funcional. Os animais também são beneficiados com a nova alimentação. Segundo Salles, há diminuição na ocorrência da mastite subclínica – uma das principais doenças da vaca. “A mastite subclínica é a inflamação da glândula mamaria da vaca. Com a diminuição na ocorrência da doença, diminui também a perda de leite”, afirma.


Fonte - Laboratório de Qualidade do Leite (APTALAC) Adaptado pela Rural Pecuária

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