quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Mofo-Branco: Doença que incide sobre a soja


Entre as doenças que incidem sobre a soja, o mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) se destaca como um das mais importantes atualmente. A doença ataca mais de 400 espécies de plantas, sendo algumas delas de grande importância econômica como a soja, feijão, algodão e girassol.

Uma característica deste fungo é a alta capacidade de formar estruturas de resistência que permanecem viáveis por vários anos, chamadas de escleródios. Em condições ambientais favoráveis, os escleródios germinam formando novo micélio ou apotécios (estruturas em forma de taça) que ejetam milhões de ascósporos podendo ser disseminados pelo vento a curtas distâncias. Outra forma de disseminação é através da semente, como micélio dormente no endosperma, o que viabiliza o transporte do patógeno a longas distâncias1.

As condições de clima favoráveis para seu desenvolvimento são alta umidade e temperatura amenas. Nesta situação, uma lavoura de soja pode sofrer, em média, perdas de 30% ou mais, em períodos chuvosos e quando medidas preventivas não são tomadas2. Em tempo seco, o progresso da doença em uma planta pode ser retardado ou paralisado, mas será retomado quando condições de alta umidade favorecer o desenvolvimento do fungo1.

Os sintomas iniciais da doença são lesões encharcadas nas folhas ou qualquer outro tecido da parte aérea que normalmente tenham tido contato com as flores infectadas. As lesões espalham-se rapidamente para as hastes, ramos e vagens. Nos tecidos infectados aparece uma eflorescência branca que lembra algodão, constituindo os sinais característicos da doença3.

Na cultura da soja a fase mais vulnerável vai da floração plena (R2) ao início da formação de vagens e enchimento dos grãos (R3/R4). O fungo é capaz de infectar qualquer parte da planta, porém, as infecções iniciam-se com mais frequência a partir das inflorescências, das axilas das folhas e dos ramos laterais1.

As formas de prevenção do mofo branco constituem no uso de sementes sadias; racionalização do volume de água na lavoura; fuga de épocas muito favoráveis como alta umidade e temperaturas mais baixas; incremento de microrganismos antagônicos no solo como o Trichoderma spp.; cobertura do solo com Brachiaria, visando uma barreira física à germinação dos escleródios presentes no solo; rotação de cultura com gramíneas e uso de fungicidas em tratamento de sementes e parte aérea 3.

As pulverizações devem ser realizadas uniformemente, com boa distribuição nos tecidos da planta e, se possível, alcançando a superfície do solo, onde surgem os apotécios e desenvolvem o micélio (parte vegetativa, de coloração branca)3.

A primeira pulverização deve ser feita preventivamente na abertura das primeiras flores – chamado estádio R1. Deve ser realizada quando há histórico na área e as condições forem favoráveis à doença, quando normalmente podem surgir os primeiros apotécios.

O período crítico da doença vai do florescimento até a formação das vagens. As flores são muito importantes em todo o ciclo. Desde o fechamento das plantas, o produtor precisa redobrar os cuidados nas lavouras devido ao microclima formado. Durante este período são necessárias, em média, duas aplicações dos produtos com intervalos médios de 12 a 15 dias.

Entre os fungicidas mais indicados e eficientes para o controle do mofo branco estão o procimidone e o fluazinam. Também os benzimidazóis, como tiofanato metílico e carbendazim, podem apresentar boa eficiência, porém em situações de menor pressão do inóculo, portanto faz-se necessário o emprego das diversas medidas de controle, incluindo os produtos biológicos e as técnicas culturais já comentadas3.

Os produtos mais específicos (fluazinam e procimidone) apresentam um custo considerado relativamente elevado para o produtor, porque, devido ao seu modo de ação, não atuam eficientemente sobre as outras doenças da soja como a ferrugem asiática, septoriose, antracnose, mancha alvo, etc 3.

Os fungicidas eficazes para o controle do mofo branco não pertencem ao grupo dos triazóis e estrobilurinas, comumente empregados para o controle da ferrugem asiática, do oídio e das doenças de final de ciclo. Portanto, representam um custo adicional dentro do manejo do complexo de doenças da soja2.

Os benzimidazóis, embora menos eficientes a Sclerotinia sclerotiorum que os específicos, podem apresentar um menor custo em relação à procimidone e fluazinam, com a vantagem adicional de apresentar eficiência no manejo de outras doenças, especialmente a antracnose e a mancha alvo3.

O custo de mais uma ou duas aplicações específicas para o mofo branco, dentro do manejo das doenças, pode ser inviável ao produtor de soja, dependendo do ano agrícola. Enfatiza-se que a redução de doses dos produtos deve ser evitada, não sendo esta uma solução ao problema2.

Na cultura do feijão e algodão, as aplicações para o mofo branco têm sido realizadas com retorno positivo aos produtores e com eficiência satisfatória, desde que iniciadas na época da pré-florada ou início da florada, e repetidas, normalmente, de 10 a 15 dias após a primeira3.

É importante que o produtor de soja aplique todas as medidas preventivas disponíveis no controle do mofo branco, visando reduzir os custos e obter os benefícios esperados.


Fonte: OUROFINO AGRONEGÓCIOS  Por Ana Paula da Silva – Engenheira Agrônoma – Departamento Técnico Ourofino Agrociência.

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