quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Controle de Pragas e Doenças nas Roseiras


Pesquisadores da EPAMIG explicam como fazer o manejo de doenças e pragas em cultivo de rosas por meio de técnicas de controle que devem ser feitas durante todo o ano.
A rosa é a flor de corte mais produzida e apreciada no mundo. No Brasil a cultura da roseira destaca-se com cerca de 180 milhões de hastes comercializadas por ano e Minas Gerais é uma das maiores regiões produtoras do País: são 150 ha de área plantada com roseiras, principalmente nas cidades de Andradas, Alfredo Vasconcelos e Barbacena.

Os maiores desafios enfrentados no cultivo da roseira estão relacionados com o controle de pragas e doenças, que podem depreciar os botões de rosa. Tecnologias estão sendo desenvolvidas para reduzir a aplicação de agrotóxicos e adubos através de estudos sobre o manejo integrado e controle biológico de pragas, doenças, adubação verde e adubos orgânicos, que podem ser produzidos pelo próprio produtor, no cultivo de rosas.

A partir de pesquisas desenvolvidas no Núcleo Tecnológico EPAMIG Floricultura, em São João del-Rei, estão em testes diversas tecnologias para controle preventivo das principais doenças da roseira como oídio ou branco da roseira, míldio e mofo cinzento. Também estão sendo estudadas medidas de controle preventivo e alternativo de pragas - como ácaros, pulgões, tripes, moscas-brancas, besouros desfolhadores e lagartas.

De acordo com a pesquisadora da EPAMIG Elka Fabiana Almeida, em decorrência da preocupação com a saúde dos trabalhadores e com o meio ambiente, estão sendo recomendadas técnicas preventivas, como realização de tratos culturais adequados, monitoramento de pragas e doenças, utilização de agentes de controle biológico e uso de extratos de plantas.

Para controle de oídio (doença na qual o fungo infecta toda parte aérea da planta), por exemplo, deve-se podar a partes doentes e queimar o material. "O produtor deve aplicar semanalmente uma solução preventiva com bicarbonato de sódio a 0,1%", explica a pesquisadora. Esse fungo afeta folhas e ramos. A pesquisadora recomenda ainda que o produtor evite roseiras muito adensadas e que mantenha o solo sempre livre dos restos da cultura, onde esse e outros fungos podem sobreviver e causar problemas no cultivo.

Para a pesquisadora da EPAMIG Lívia de Carvalho, é necessária a realização de monitoramento semanalmente. "Essa avaliação ajuda na detecção dos picos populacionais das pragas e dos insetos benéficos (predadores e parasitoides) presentes no cultivo e pode proporcionar uma redução nos custos de tratamentos", afirma.

Lívia explica que há técnica simples e de baixo custo, como amostragem de insetos na planta, através da utilização de armadilhas coloridas. As armadilhas de cor amarela são eficientes na captura de pulgões e moscas-brancas. Já as azuis, para a captura de tripes. As armadilhas devem ser colocadas uma a cada 200 m2 na altura do topo das plantas e em áreas de maior risco de infestação, como bordas dos cultivos, próximos à entrada, ou nas aberturas de ventilação em casas de vegetação. "O uso de telas nas casas de vegetação pode prevenir infestação de pragas. Quanto mais fina a malha, maior a tendência de restringir o movimento de ar para dentro da casa de vegetação e evitar a entrada das pragas na área de cultivo", disse.

Uma técnica de fácil aplicação para controle de ácaros é a utilização de jatos de água diretamente na planta visando removê-los das folhas e também proporcionar um microclima desfavorável ao seu desenvolvimento.

Alguns produtos alternativos já estão disponíveis no mercado e sendo utilizados por produtores de rosas com bons resultados. Podemos citar o uso de ácaros predadores, para controle do ácaro praga (Tetranychus urticae).

As circulares técnicas "Doenças da roseira" (nº.154) e "Principais pragas em cultivo de roseira: reconhecimento e controle" (nº.157) podem ser acessadas em publicações no site http://www.epamig.br/.
Pesquisas em rosas

A EPAMIG tem desenvolvido projetos de Produção Integrada de Rosas em Minas Gerais principalmente na cidade de São João del-Rei. Os projetos são financiados por fontes fomentadoras estaduais (Fapemig) e federais (CNPq, Capes e Finep). Nos últimos quatros anos foram implantados experimentos de pesquisas em floricultura que visam o manejo sustentável do solo, o controle alternativo de pragas, o uso sustentável da água e a redução da adubação nitrogenada. Todos os projetos se encontram em desenvolvimento e os primeiros resultados dos experimentos implantados em 2009 mostram que é possível o cultivo de rosas de forma sustentável.

Fonte: EPAMIG

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