terça-feira, 28 de agosto de 2012

Previsão e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo


Os resultados finais, para a grande parte das lavouras de maior expressão econômica no Estado de São Paulo, foram obtidos no levantamento, pelo método subjetivo2, realizado nos municípios paulistas, no período de 1 a 25 de junho de 2012, pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) .


Com base nos resultados, a colheita de grãos nesta safra deve somar 7,04 milhões de toneladas, o que representa acréscimo de 10% em relação ao ano agrícola anterior. Essa variação no agregado se deve aos ganhos de produtividade, às condições climáticas que não chegaram a comprometer a produção, à tecnologia aplicada no campo e a um pequeno aumento de 2,5% de área plantada. 

Para a elaboração dos índices que refletem a evolução da agricultura paulista no ano agrícola 2011/12 em comparação ao de 2010/11, foram selecionadas as atividades agrícolas mais significativas em valor da produção. Os resultados agregados indicam crescimento na produtividade da terra de 2,58%, resultando em 2,83% a mais no volume a ser produzido e em área plantada de 1,41% superior à safra passada. Tal fato reforça que a agricultura paulista avança graças à produtividade da terra, pois tem garantido safras cada vez maiores, sem contudo expandir demais a área plantada.

O conjunto das culturas anuais apresenta acréscimo na produção (7,61%) e na produtividade da terra (4,85%), e crescimento mais modesto da área plantada (2,63%). Para os grãos, o comportamento é similar. Aumentos são esperados para produção (8,24%), para produtividade (5,58%) e para área plantada (2,52%), por conta especialmente da cultura do milho safrinha e do amendoim das águas, com menor participação.

Quando são consideradas as culturas perenes e semiperenes, observam-se aumentos menos acentuados que as culturas anuais, registrando 2,08% para a produção, 2,52% para a produtividade da terra e 1,10% para a área plantada (Tabela 2).

Para a cultura do algodão, o levantamento final confirmou a tendência de aumento na área (7,8%), justificado pelos bons preços praticados na safra passada, e crescimento na produção (18,1%) devido à da melhora no rendimento (9,6%). As regiões de Avaré e Itapeva, juntas, representam 70% da área cultivada no Estado. Por conta da boa oferta mundial e retração da demanda no mercado externo, os grandes estados produtores reagiram ao comportamento da commodity no mercado internacional e praticamente mantiveram a área de algodão no país.

Mantendo a tendência observada nos últimos anos, que aponta para a concentração da produção paulista de amendoim na safra das águas, este produto ocupou uma área de 79 mil hectares, 23% superior ao ano safra anterior com um rendimento superior em 9,5%, em comparação a 2010/11. A safra da seca de amendoim registra redução na área plantada (11,6%) e na produção (1,8%), apesar do aumento de 11,1% no rendimento nesta safra, o que pode ser em decorrência do melhor trato cultural dedicado à exploração. Vale lembrar que a cultura do amendoim para o Estado de São Paulo representa uma importante atividade cujo objetivo principal é o de atuar como adubação verde, pois fixa nitrogênio quando intercalada na produção de cana-de-açúcar. Graças a esta característica, São Paulo é o maior produtor nacional com o melhor rendimento da cultura no país.

Para o arroz (de sequeiro e irrigado), registrou-se redução na área cultivada (6,3%) e na produção (1,4%); na produtividade, porém, dado a participação do arroz irrigado, obteve um crescimento de 5,2%. As causas de menor cultivo são atribuídas a preços pouco atrativos, custos de produção mais elevados, problemas de comercialização e concorrência com os estados da região Sul (maior produtora); esses fatores pesaram na decisão dos produtores paulistas na hora do plantio. Na região do Vale do Paraíba, concentra-se mais de 84% da produção paulista.

A área ocupada com feijão, safra da seca em 2011/12, foi 25,5% menor que a estimada no ano agrícola anterior, por decorrência da incidência de fatores climáticos, além da oscilação de preços que neste período levaram os produtores a deixar de plantar. Da mesma maneira ocorreu retração na produção e na produtividade, de 31,7% e 8,4%, respectivamente.

Com a maior área dentre as três safras, o feijão das águas foi plantado em 67,4 mil hectares, mas inferior à safra passada em 6,2%, a produção registrou queda de 11,6% e o rendimento de 5,8%.

O volume a ser produzido de feijão, safra de inverno (cultura de sequeiro e irrigado), estima-se ser menor (2,9%) que o obtido em 2010/11, numa área de 29,2 mil hectares, 5,2% menor que a da safra passada, pois sofreu os mesmos fatores desestimulantes que o feijão da seca.

O milho de sequeiro e irrigado no Estado vive um período de readequação dos estoques para o consumo de rações animais, para a exportação e o consumo alimentar interno do produto e seus derivados. Por ordem dessa interação de fatores, pode-se justificar os crescimentos na área plantada (3,3%) e na produção (3,7%) em relação à safra passada. A produtividade do milho ficou praticamente estável com aumento de 0,3%. Segundo produto do Estado nesta safra em área e quarto em produção, o milho de sequeiro e irrigado teve condições razoáveis de preço e clima para manter mesmo que discreto o crescimento em área e produção. Com um mercado cativo (cadeia de produção animal), o crescimento da demanda por proteínas animais assegura a esta exploração sua posição como produto tradicional no calendário agrícola do Estado de São Paulo.

Para a safra de inverno do milho safrinha, este levantamento registra aumento de 4,9% na área plantada. O melhor nível tecnológico do plantio de inverno, em razão do uso dos insumos de produção, associada a menor produção na safra passada que foi comprometida por geadas, justificam os ganhos de 55,3% na produtividade e de 62,9% no volume a ser produzido nesta safra.

Os números finais da soja indicaram aumento em área plantada de 5,0% e praticamente repetiu a produção da safra passada de 1,5 milhão de toneladas. O rendimento obtido decresceu em 5,1%, por conta dos efeitos climáticos, que atingiram a lavoura no período de semeadura, no desenvolvimento vegetativo e na floração.

Para a soja safrinha, as tendências captadas neste levantamento são de elevações de 8,0% na área, e de 8,6% na produção, e o rendimento esperado é 0,5% positivo na produtividade da terra, em comparação à safra passada,

A safra 2011/12 para tomate envarado, destinado ao consumo in natura, retrata uma área cultivada de aproximadamente 8,1 mil hectares e produção esperada de 558,5 mil toneladas, representando quedas de 4,6% e de 5,0%, respectivamente, em relação à safra 2010/11. Para a produtividade, espera-se diminuição de 0,5%, chegando em cerca de 68,6 t/ha.

No caso do tomate rasteiro (indústria), a previsão de produção da safra em São Paulo é de 319,8 mil toneladas, 15,7% maior que em 2010/11, resultado principalmente da expansão de área (10,7%), em vista do aumento da demanda por molho de tomate industrializado. Os ganhos de produtividade são da ordem de 4,4%.


Na cultura do trigo, o quarto levantamento aponta acentuada redução de área (30,7%) em relação à safra passada, e da mesma forma também é prevista redução de 15,5% na produção, totalizando 110,9 mil toneladas. Porém, a produtividade indica ganhos de 21,9%, até o momento do levantamento. Pela concorrência com as culturas do milho e da soja com preços mais remunerados, e pelo fato de que o Estado é tradicional importador, a redução dessa atividade já era esperada.


Os resultados para a cultura do triticale indicam decréscimos inferiores ao do trigo, porém significativos em área (13,3%) e em produção (4,2%), apesar do crescimento na produtividade agrícola (10,5%) comparativamente à safra passada, insuficiente para compensar a menor área plantada.

Para a batata da seca, os números finais da safra 2011/12 são de maior produção (29,1%) em relação a safra anterior, decorrentes do aumento da área cultivada (24,6%) e do rendimento (3,6%).

A previsão para a área cultivada com batata de inverno, nesta safra, será de 11,7 mil hectares, cerca de 4,8% menor que em 2010/11, porém com ganho de produção (18,7%) por conta da maior produtividade (24,7%). O aumento na produtividade confirma as expectativas de mercado que previam o bom desempenho da safra de batata de inverno no Estado de São Paulo. A produção de inverno é a maior no Estado de São Paulo para este produto que, junto com a de Minas Gerais, abastece o mercado brasileiro de agosto a outubro. A cultura tem se firmado porque, após sua colheita, recebe o cultivo de milho que é realizado com pouca adubação e irrigação, devido às condições de solo e de clima.

A cebola de bulbinho é cultivada tradicionalmente nos municípios de Divinolândia e Piedade, e a área plantada no Estado está em cerca de 0,93 mil hectares, 1,3% inferior à cultivada na safra passada. A produção obtida foi 7,1% maior, por conta de uma produtividade 8,6% acima. A safra é colhida entre maio e junho e se beneficia dos preços da entressafra.

A produção de cebola de muda (colhida de agosto a dezembro) poderá ser de 102,4 mil toneladas, 16,2% inferior a do ano agrícola anterior, por conta da redução de área (19,8%), embora seja esperado crescimento de 4,5% na produtividade. Os baixos preços registrados no final de 2011 e a entrada do produto de outros estados do país, além da cebola argentina, vem desestimulando os produtores paulistas, e esta somatória de fatores pode justificar a diminuição do cultivo.


A área plantada com mandioca destinada à indústria, em 2011/12, apresenta redução de 9,6% e o volume a ser produzido pode chegar a 1.008,8 mil toneladas, 4,5% inferior à produção de 2010/11, já que a produtividade deverá apresentar-se negativa em 2,9%. Para a mandioca de mesa, são esperados um pequeno aumento de área (1,8%) e uma melhor resposta em produção (9,8%) graças ao rendimento agrícola positivo de 7,3%.

Neste levantamento há indicação de pequeno aumento na área da banana (1,3%), acompanhada de pequena redução na produção (2,6%), devendo chegar a 1,2 milhão de toneladas da fruta, e com isso, é esperado menor rendimento por hectare (3,2%). Ressalta-se que o levantamento contempla as diversas variedades da cultura, principalmente as variedades prata e nanica.


A produção paulista de café poderá alcançar 5,24 milhões de sacas beneficiadas, 33,8% maior que a obtida na safra agrícola 2010/11, resultante de 33,6% a mais na produtividade, principalmente por conta da bienalidade da lavoura e da ocorrência de chuvas observadas a partir do último trimestre de 2011 e primeiro de 2012, associado ao condizente pacote agronômico utilizado no manejo dos cafezais por parte dos cafeicultores, que propiciou excelente recuperação vegetativa das plantas. A área plantada é de 223,5 mil hectares, praticamente a mesma que a passada.

Para cana-de-açúcar, a previsão do volume a ser produzido é de 416,3 milhões de toneladas, que representa crescimento de 2,5% em relação à safra anterior com a produtividade esperada de 78,8 t/ha, aumento de 2,3%. Em relação à área total cultivada, a expansão da cultura deve crescer 1,7%, enquanto para a área para corte o aumento previsto é de apenas 0,2%. Apesar dos números atuais serem positivos na comparação com a safra 2010/11, o ritmo de crescimento é menor quando comparados as safras dos anos de 2001 a 2010.

No levantamento realizado no mês de junho, foram incluídas questões sobre o domínio da produção – 'fornecedor' (inclui arrendatário), 'usina e outros' (inclui a cana-de-açúcar originária de, geralmente, pequenos produtores que destinam sua produção para garapa, destilarias de aguardente e similares, normalmente). Embora haja falta de cobertura, alguns resultados podem ser auferidos: a) tanto a área quanto a produção proveniente dos 'fornecedores' representam cerca de 30% do total estadual; b) já as 'usinas' e 'outros' são 65% e 5%, respectivamente; e c) a produtividade agrícola média declarada, tanto dos 'fornecedores' quanto das 'usinas' é muito variável. A produtividade agrícola média estadual de 'fornecedores' foi de 77 t/ha, variando de 46 a 140 t/ha. Para as 'usinas', a produtividade agrícola média estadual foi de 79 t/ha, sendo declarada de 40 a 120 t/ha.

A safra paulista de laranja (realizada pelo método subjetivo), para a safra agrícola 2011/12 (safra industrial 2012/13), está estimada em 363,1 milhões de caixas de 40,8 kg, volume 5,6% inferior ao obtido na safra anterior, principalmente por conta de fatores climáticos, como a baixa precipitação na época do pegamento, o que reduziu a quantidade de frutos por planta da primeira florada. Outro motivo bastante significativo é a maior incidência de doenças que vêm acometendo os pomares, como a pinta-preta, o cancro cítrico e o greening, provocados tanto pelos fatores climáticos ocorridos no início de 2012 - que contribuíram para uma maior incidência desses agentes fitopatogêncios -, como pela falta de investimento nos tratos culturais. 

Este volume inclui tanto as frutas comerciais como os frutos provenientes de pomares não expressivos economicamente, e as perdas relativas ao processo produtivo e à colheita. A área total plantada está sendo prevista em 557,73 mil hectares (2,1% inferior que a plantada na safra passada), sendo 495,78 mil hectares de pomares em produção. A expectativa dos citricultores para essa safra quanto à produtividade média por hectare é semelhante ao ano safra anterior, que foi de 732 caixas de 40,8kg por hectare.


Fonte: Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo

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