terça-feira, 21 de agosto de 2012

Está na Hora de Dessecar a Forrageira para o produtor que optou pelo consórcio Milho-Braquiária


A colheita do milho já está praticamente finalizada em Mato Grosso do Sul neste mês de agosto. Para quem adotou o consórcio milho-braquiária na safra de inverno 2012, tecnologia que proporciona o aumento na produtividade na cultura da soja cultivada em sucessão, já é o momento de planejar a dessecação da forrageira.

O produtor rural que fez o consórcio com o objetivo de formar palha e optou pela Brachiaria ruziziensis, terá mais facilidade para dessecar, porque essa espécie necessita de menor quantidade de herbicida, diz o analista da Embrapa Agropecuária, engenheiro agrônomo Gessí Ceccon.

Segundo Ceccon, esse processo depende da época do ano e do estágio de desenvolvimento da braquiária. O ideal é que o agricultor procure fazer a aplicação do herbicida no período em que a umidade relativa do ar esteja próxima a 80% e temperatura abaixo de 30ºC. Além disso, quando as folhas estão novas, e a população de braquiária é menor, a dessecação é mais eficiente. No caso de folhas velhas, se houver o pastejo dos animais na fase anterior à dessecação, o gado consumirá essas folhas, abrindo espaço
para rebrota da forrageira, e nesse momento, a dessecação será mais eficiente.

Sobre a escolha da braquiária e do método de implantação para o consórcio, Ceccon afirma que esta é uma decisão tomada pelo técnico e pelo agricultor. "A Portaria do Zoneamento Agrícola [nº 24/2012 do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa)> não discute esses critérios. A responsabilidade do sucesso recai sobre a decisão técnica, tendo em vista que a espécie forrageira associada ao método de implantação define se o consórcio será para a formação de pasto permanente, ou de palha para proteção do solo e também de pasto para alimentação de animais", diz.

Para formação de pasto permanente, indica-se uma cultivar de Brachiaria brizantha ou B. decumbens, ou um Panicum, que utilizando "subdoses de herbicida específico para diminuir o crescimento inicial da forrageira e ter boa produtividade do milho, com posterior formação da pastagem". Em caso de produção de palha ou de alimento para os animais, entre a colheita do milho e a semeadura da soja no próximo verão, a indicação é a Brachiaria ruziziensis. "Mas deve ser implantada com mais quantidades de
sementes e melhor distribuição na área, para proporcionar maior oferta de pasto após a colheita do milho", explica Ceccon.

Consórcio para formação de palha


A semeadura da braquiária pode ser realizada ao mesmo tempo que a do milho. Para ajustar a população ideal da forrageira consorciada com o grão, são necessárias adequações nas semeadoras. Uma opção muito utilizada na linha intercalar, devido à facilidade de regulagem, e que independe da modalidade de cultivo do milho, é a utilização de caixa adicional exclusiva para a semente de braquiária.

Segundo Ceccon, "o método da linha intercalar possibilita a implantação da braquiária em profundidade adequada (em torno de 4 cm a 6 cm), com menor consumo de sementes, menor competição com o milho e produção de quantidade suficiente de palha para uma boa cobertura do solo."

Eventos Técnicos em agosto

Com o objetivo de integrar conhecimentos sobre o consórcio milho-braquiária e mostrar os resultados de pesquisa na safra 2011/2012, estão sendo realizadas atividades de Transferência de Tecnologia (TT) com
os agentes de assistência técnica e extensão rural (ATER).

Neste mês de agosto, aconteceu o "Encontro Técnico: Consórcio Milho-Braquiária" em Naviraí/MS (Auditório da Copasul), na segunda-feira, 20, com realização da Embrapa Agropecuária Oeste e Copasul. Em São Gabriel do Oeste/MS, o Encontro Técnico com mesmo tema será no Sindicato Rural, a partir das 8 horas, na quinta-feira, 23, com realização da Associação dos
Engenheiros Agrônomos do município e da Embrapa Agropecuária Oeste. Além da equipe de TT da Unidade de Pesquisa da Embrapa, participa também Gessí
Ceccon.

No dia 24, sexta-feira, às 9 horas, haverá Dia de Campo (DC), em Douradina/MS, realizado pela UEMS, Embrapa Agropecuária Oeste, Grupo de Plantio na Palha (GPP) de Dourados, com apoio da Fundação Agrisus e parceria do Giatec, C.Vale, Germipasto, Comid e Shark. No DC, haverá apresentação de resultados do sistema milho-braquiária na Fazenda Boa Vista, do produtor rural Lúcio Damália. O público participante serão os membros do GPP, do Giatec e os agentes da Assistência Técnica. Estarão nas estações a equipe de TT da Embrapa Agropecuária Oeste e os palestrantes do grupo de pesquisa da Unidade Júlio César Salton, Gessí Ceccon, Germani Concenço, o produtor Lúcio Damália e a Mestre em Agronomia Maira Soares.

A Embrapa Agropecuária Oeste é uma Unidade de Pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Sílvia Zoche Borges (MTb-MG 08223JP)
Embrapa Agropecuária Oeste
silvia.borges@cpao.embrapa.br
Tel.: (67) 3416-9742

0 comentários

Postar um comentário