quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Congestionamento nos Portos Brasileiros Atrasa a Entrega de Fertilizantes


O atraso nos desembarques de matéria-prima nos portos brasileiros, em decorrência da greve de fiscais federais agropecuários, já está causando atraso nas entregas de fertilizantes. A constatação foi feita pelo vice-presidente do conselho da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), George Sousa, durante o II Congresso Brasileiro de Fertilizantes, que ocorreu ontem (27), em São Paulo/SP.

“É importante frisar que houve uma redução, mas não falta de produto, pelo atraso nos portos. Se o produto estivesse liberado nos portos, poderíamos entregar um volume até mesmo maior do que o previsto”, frisou Sousa, acrescentando que o produtor não deixou de receber fertilizantes. “O preço no mercado é extremamente competitivo. Se ainda há diferença e o produtor está podendo mudar de fornecedor é porque há oferta do produto”, completou.

O diretor-executivo da Anda, David Roquetti Filho, disse que a greve e o aumento da demanda causou algum atraso. “Atrapalhou uma barbaridade e o quadro só não é pior porque o produtor se antecipou e adquiriu produto antecipadamente”, completou. Roquetti calcula que os prejuízos em Paranaguá totalizam cerca de US$ 80 milhões somente nos últimos 45 dias. “São cerca de 60 navios parados com fertilizantes a um custo de US$ 14 por tonelada. Em todo o ano passado, o prejuízo foi de US$ 120 milhões”, comparou.

Em Santos, o custo já chega a US$ 15 milhões, com 50 navios parados em 25 dias. “Em 2012, a demanda por fertilizantes vai ser maior. Para atender esta demanda, precisamos importar mais. O produto existe. O que ocorre é uma grande dificuldade de logística. E, neste ano, o processo está ainda mais difícil, com a greve e a boa demanda dos produtores”, resumiu o vice-presidente do conselho da Anda.

Na avaliação dos dois dirigentes, o produtor está demandando em uma velocidade maior, mas o setor não está conseguindo atender esta procura pelos problemas já citados. “Não existe falta de fertilizantes. O produtor, historicamente, não deixou de plantar por falta de fertilizantes. Está difícil acompanhar a demanda, mas vamos correr atrás”, assegurou Sousa.

Roquetti Filho destacou o papel do Brasil os investimentos globais do setor. A projeção de investimentos nos próximos cinco anos, por exemplo, passou de US$ 13 bilhões para US$ 18,9 bilhões de 2011 para 2012. A expectativa mundial é de que os investimentos fiquem em US$ 88 bilhões. “Cerca de um quinto dos investimentos serão feitos para amenizar a dependência do Brasil de produtos importados. Esse é um dado que merece ser destacado”, comemorou.

Setor ainda tem desafios a superar

O setor de fertilizantes do Brasil ainda tem muitos desafios a serem superados. O alerta foi feito pelo ex-ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, durante a cerimônia de abertura do II Congresso Brasileiro de Fertilizantes. Segundo o ex-ministro, “Temos muito que fazer na área de fertilizantes, utilizando a natureza tropical. Precisamos buscar soluções para evoluir”.

Para Paulinelli, a biotecnologia pode ser uma grande aliada na área da mineralização. “O Brasil tem um desafio muito grande e não pode perder competitividade por não ter elementos básicos, entre eles, o fertilizante adequado”, disse, acrescentando que as evoluções na produção agrícola vão continuar existindo e o Brasil precisa manter a vanguarda, criando a evolução que o mundo precisa.

O ex-ministro citou o criador da Revolução Verde e Prêmio Nobel da Paz, Norman Borlaug, para tentar explicar a força da agricultura nacional e ratificar a importância dos fertilizantes. “Borlaug ficou impressionado com o que o Brasil fez para recuperar as terras degradadas do cerrado”, lembrou. “E isso só ocorreu, porque usamos tecnologia. Foram os fertilizantes que abriram as primeiras clareiras para a recuperação do cerrado”, completou.

O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho da Silva, afirmou que “o setor de fertilizantes é a alma do produtor brasileiro e que os problemas enfrentados são preocupação também da agricultura”. O dirigente sugeriu uma maior integração para enfrentar as dificuldades na produção de fertilizantes, “que revigoram o produtor”. Ele colocou a SRB à disposição para colaborar nos desafios do setor. “Faremos uma agricultura bem maior com cooperação. Se hoje estamos produzindo mais e pelo esforço do setor de fertilizantes”, finalizou.

Para o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Correa Carvalho, quando se fala em fertilizantes, se fala em segurança alimentar e energética. “O mundo vai depender da qualidade e do volume da produção agropecuária brasileira. Isso só acontecerá com a ajuda do setor”, concluiu.

Demanda global


O setor global de fertilizantes tem que estar preparado para ter produto suficiente para atender à demanda de uma produção agrícola crescente. A afirmação foi feita pelo diretor-geral da International Fertilizer Industry Association (IFA), Luc Maene, durante o II Congresso Brasileiro de Fertilizantes.

Para garantir que esse desafio será vencido, o setor não tem poupado investimentos. Segundo Maene, desde 2008 já foram investidos US$ 40 bilhões e a previsão que haja um aporte de mais US$ 80 bilhões nos próximos cinco anos. “Tudo isso para aumentar a produção e garantir a oferta de fertilizantes”, disse.

Maene evitou fazer projeções de curto prazo sobre o aumento da demanda mundial. Arriscou apenas estimar um crescimento de 1,5% a 2,5% no uso de nitrogênio. Segundo ele, “é muito difícil fazer previsões e os dados são sempre revistos. No caso do fósforo e do potássio, por exemplo, a demanda depende muito do clima e as expectativas de crescimento foram frustradas pela seca nos Estados Unidos e os problemas enfrentados também na Rússia”. Com isso, a projeção inicial de aumento de 6% na utilização de potássio em 2012 não vai se confirmar.

O diretor-geral da IFA constatou que falta ao setor mais investimentos em inovação e pesquisa, principalmente se for feita uma comparação com áreas como biotecnologia e agroquímicos. “Os investimentos são insignificantes. Por isso não evoluímos mais. Nos tornamos inovadores em reduzir perdas e utilizar menos energia”. Para Maene, o fato do setor trabalhar com margens apertadas dificulta maiores investimentos em pesquisa.

Maene traçou um cenário sobre as expectativas para a agricultura mundial, com as perspectivas de crescimento populacional e a necessidade de produzir mais alimentos como forma de combater a fome. Dentro deste contexto, ele lançou a campanha Raízes para o Crescimento, uma inciativa mundial liderada pela IFA, que tem como foco criar a conscientização da importância dos fertilizantes para aumentar a produção mundial de alimentos e garantir a segurança alimentar.

A campanha tem quatro pilares. Um deles é a segurança alimentar e nutricional. “77% do crescimento na produção de alimentos virá pelo aumento na produtividade e, nisso, os fertilizantes têm um papel essencial. O produtor tem que ter a consciência da importância de manter um solo fértil”.

A saúde do solo também é um ponto destacado da campanha. “Fertilizantes são fundamentais para garantir a saúde do solo. Temos que reforçar a necessidade de buscar o fertilizante ideal para cada cultura é usar somente o necessário”, frisou. Usar a ferramenta de forma adequada é também o ponto de partida para outra questão a ser reforçada pelo Raízes para o Crescimento. “Não podemos deixar que as mudanças climáticas diminuam a produtividade mundial”, alertou.

Para finalizar, Maene destacou o papel dos fertilizantes na busca de uma agricultura sustentável, o quarto ponto a ser defendido pela campanha. “Temos que ter fontes, taxa, tempo e lugar correto para a aplicação dos fertilizantes, o que pode ocasionar um aumento entre 10% e 30% em termos de produtividade”, completou.


Fonte: Agência Safras

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