quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Como Controlar a Mosca-dos-Estábulos


A Stomoxys calcitrans, conhecida como “mosca-dos-estábulos” ou “mosca-da-vinhaça”, tem sido atualmente responsável por causar grandes prejuízos econômicos na cadeia produtiva da pecuária bovina em alguns Estados brasileiros, dentre eles, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais (OLIVEIRA, J. N., 2009). Alguns autores relataram que essa mosca pode causar prejuízos na ordem de 100 milhões de dólares anuais (GRISI et al., 2002).

Em seu ciclo de vida, essa mosca não apresenta especificidade de hospedeira para seu parasitismo e pode ser vetor mecânico e biológico de inúmeras enfermidades transmitindo agentes patogênicos como Anaplasma spp, Habronema spp ou ainda o vírus da Anemia Infecciosa Equina (AIE), podendo picar e se alimentar inclusive do homem (CASTRO et al, 2008; FÖRSTER et al. 2007; GOMES, 2008).

O surto ocorrido recentemente no município de Santa Rosa do Viterbo no Estado de São Paulo não é fato isolado, já ocorreu em outros anos e em outras regiões do Brasil, por exemplo, em Santa Eudóxia (SP), em 2007; no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, em outubro de 2009; em Frutal (MG) e Planalto (SP), em 2009. Os fatores coincidentes nesses relatos foram: épocas climáticas semelhantes, com altas temperaturas e umidade, micro condições regionais criadas pelo homem com a destinação de subprodutos agrícolas (bagaço de laranja e de cana e cama de frango), relação com os períodos da safra de cana-de-açúcar, que acontecem concomitantemente com a época climática ideal.

Dentre os fatores que favorecem a reprodução dessas moscas estão as regiões de produção animal (tanto leite, quanto carne), onde há acúmulo de esterco (bovinos, suínos, aves e equinos), a relação parasito versus hospedeiro; regiões de franca produção canavieira (grandes lavouras de cana com produção de vinhaça e vinhoto); relação ciclo reprodutivo do parasito versus matéria orgânica em decomposição; regiões com plantações de laranja ou outras culturas em que se use o resíduo da cana ou esterco de animais, principalmente granjas avícolas ou de suínos e falta de orientação aos produtores sobre o ciclo de vida da mosca, entre outras informações.

Ciclo biológico da Stomoxys calcitrans

1) O ciclo de vida da mosca dos estábulos varia de12 a60 dias, estando diretamente relacionado às características climáticas da região.

2) Uma fêmea adulta pode produzir até 632 ovos, fazendo mais de 20 posturas em toda a vida.

3) Os estágios de desenvolvimento compreendem: ovo, larva, pupa e adulto.

Depois de depositados pelas fêmeas em matéria em decomposição, os ovos eclodem de um a quatro dias, entretanto, este período pode se prolongar em ambientes de baixa temperatura ou ser reduzido em locais de temperaturas mais altas. Após a eclosão, as larvas se alimentam de material orgânico vegetal e amadurecem num intervalo de seis a 30 dias. A pupação pode durar de seis a 10 dias, estando diretamente relacionada à temperatura e à umidade as quais as pupas foram expostas. Nos locais de temperaturas mais elevadas a mosca-dos-estábulos desenvolve-se continuamente, não havendo interrupção do ciclo de vida ao longo do ano. Geralmente, os adultos de S. calcitrans vivem por até um mês. Ocorrida a emergência, a fêmea inicia a oviposição após nove dias aproximadamente. A alimentação leva aproximadamente três minutos, mas é constantemente interrompida em consequência da dor ocasionada por sua picada nos animais parasitados. Nos animais, além de transmitirem agentes potencialmente patogênicos, causam muito incômodo, anemia e queda da produção.

Orientações Gerais:

1) Medidas de higiene preventiva compõem 90% do controle dessa mosca.

2) Em casos de problemas com estes insetos ou qualquer outro parasito, buscar sempre o suporte técnico veterinário atentando-se para especialistas na área.

3) O diagnóstico preciso das condições que proporcionam a reprodução das moscas bem como a retirada dessas condições são ações imprescindíveis ao sucesso do controle.

4) A baixa eficácia nem sempre é culpa do inseticida aplicado; muitas vezes a baixa eficácia é decorrente do uso incorreto do mesmo. Atente-se sempre às instruções do médico veterinário e do fabricante do produto.

5) O uso inadequado de mosquicidas (inseticidas), uso de superdoses ou subdosagens e a falta de ação conjunta entre os fazendeiros acabam por dificultar o controle.

6) A destinação correta dos resíduos da produção agrícola e da pecuária é primordial para se evitar vários problemas ambientais e sanitários. As moscas são apenas um dos problemas da não destinação correta e do manejo incorreto de dejetos.

7) Em geral, os problemas com moscas Stomoxys calcitrans são criados por uma associação de fatores ambientais e de manejo equivocado de dejetos.

8) Para o controle da S. calcitrans, a redução da fonte onde ela se prolifera é de fundamental importância. Devem ser evitados potenciais criadouros com a remoção regular de camadas úmidas, feno, resíduos alimentares e resíduos dos estábulos (alojamentos dos animais).

9) As administrações de inseticidas à base de organofosforados, piretróides, na forma de aerossol/pulverização dentro e em volta dos estábulos e das instalações rurais proporcionam bom controle local (URQUHART et al., 1998). Pode-se utilizar o cloreto de alquil dimetil benzil amônio [CB-30 TA Ourofino, diluir 01 (um) litro do produto em 2.000 litros de água] para a limpeza e desinfecção dessas instalações. O controle químico nos animais pode ser feito com a utilização de produtos ectoparasiticidas organofosforados (exemplos: clorpirifós, diclorvós, diazinon, entre outros), associados ou não aos piretroides (exemplos: cipermetrina, deltametrina, entre outros), administrados pela via pour on e pulverização. Exemplos de produtos comerciais: Cypermil Plus(Pulverização): diluir 01 (um) litro do produto em 400 litros de água; misturar bem até perfeita homogeneização da calda, com auxílio de pulverizador manual ou elétrico, banhar toda superfície do animal, principalmente nas partes baixas do animal (patas e abdômen) no sentido contrário aos pelos, utilizar aproximadamente de 04 (quatro) a 05 (cinco) litros por animal adulto; Colosso Pulverização: o produto deve ser diluído em água limpa. Para pulverização:1 litro de Colosso Pulverização diluído em800 litros de água, banhar toda a superfície do animal, principalmente nas partes baixas do animal (patas e abdômen), utilizar aproximadamente 05 (cinco) litros de calda por bovino adulto.

Vale lembrar que os surtos são desequilíbrios ambientais e que causam grandes prejuízos aos produtores rurais. Portanto, seguir à risca as orientações técnicas, associando ao controle físico (limpeza e desinfecção do ambiente e manejo de esterqueiras) ao controle químico no animal e nas instalações rurais constitui um programa integrado eficaz no combate e controle desse parasito.


Fonte: OUROFINO Agronegócios

Daniela Miyasaka S. Cassol, M.V., D.Sc., Gerente Técnica Departamento Técnico Saúde Animal Ourofino

Prof. Dr. Luciano Melo de Souza, Médico Veterinário, Parasitologista Docente / Pesquisador, Curso de Medicina Veterinária e Programa Mestrado em Produção Animal UNICASTELO – Campus de Descalvado, SP.

0 comentários

Postar um comentário