quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cana-de-Açúcar: Como Combater a Cigarrinha das Raízes


O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com uma área cultivada de pouco mais de oito milhões de hectares, para a safra 2012/2013 com uma produtividade média brasileira de 70,28 ton/ha1

Desde que as áreas de colheita de cana sem queima prévia (cana crua) foram expandidas no Estado de São Paulo, uma praga até então de pouca importância econômica vem causando sérios danos, tornando-se um problema de relevância para a cultura: a cigarrinha-das-raízes, Mahanarva fimbriola2,3

A colheita mecanizada aumenta da quantidade de palha que fica sobre o solo,

neste tipo de colheita, a umidade é preservada, favorecendo o crescimento populacional de cigarrinhas. Além disso, a colheita de canaviais com queima prévia elimina parte dos ovos deixados no solo e na palhada4,5. Esta espécie se encontra disseminada em praticamente todas as regiões canavieiras do Brasil e, além da cana-de-açúcar, se hospeda frequentemente em diversos capins e gramas2,3

Os machos de M. fimbriolata são de cor avermelhada e a fêmea com cores mais escuras marrom-avermelhado e asas com faixas quase pretas4.As fêmeas ovipositam na palhada e, principalmente, na subsuperfície do solo, na maior parte (98%) próximos ao colmo da planta. São depositados de 310 a 380 ovos5. Os machos duram cerca de dezessete dias e as fêmeas, vinte e dois dias. No período seco do ano, os ovos ficam em diapausa emergindo somente no início das chuvas5. 

Em condições de temperatura e umidade elevadas, as ninfas emergem dos ovos, cerca de 15 a 20 dias após a postura, e dirigem-se às raízes, onde se alimentam na base do colmo sugando seiva durante trinta a quarenta dias. Durante esse período estão sempre envolvidas por uma espuma branca densa, bastante característica, cuja função principal é proteger as ninfas da dessecação. O ciclo completa-se com aproximadamente 60 dias5,6 . Tanto ninfas como adultos causam danos à cultura da cana-de-açúcar5 .

Os danos à cana-de-açúcar são causados principalmente pelas formas jovens da cigarrinha-das-raízes, que extraem grande quantidade de água e nutrientes das raízes. Os adultos também causam danos às plantas, pois, ao sugarem a seiva das folhas, injetam saliva nos estomas, local onde são armazenadas a água e as substâncias que se transformarão em nutrientes para a planta durante a fotossíntese. A saliva liberada, tanto pelas ninfas como pelos adultos, é rica em enzimas e aminoácidos e auxiliam o inseto no processo de ingestão do alimento. 

No entanto, são tóxicas para a planta, causando necrose nos tecidos foliares e radiculares7 . Como consequência disso, os colmos ficam finos e entrenós encurtados, já nos ataques mais severos a planta pode apresentar deficiência nutricional e desidratar-se inteira e secar5. O canavial fica completamente seco, com aspecto queimado. Estes sintomas podem ser notados mesmo na época das chuvas, embora sejam mais evidentes no período seco subsequente6.

As quebras de produtividade podem chegar a 40-50%, em culturas colhidas em final de safra. Em culturas colhidas em começo de safra as quebras são menores, ao redor de 8 a10%, embora, muitas vezes, as populações encontradas nessas áreas sejam mais elevadas que nas demais. Isso revela que a cultura colhida no início de safra suporta melhor o ataque da praga, provavelmente porque as plantas estão mais desenvolvidas, com vários entrenós. Além disso, esta cultura passa por um curto período de estresse hídrico, entre o final da época de ocorrência da cigarrinha e a colheita. Os campos colhidos no final da safra sofrem o ataque quando suas plantas estão ainda pouco desenvolvidas e, após ele, o longo período de estresse hídrico até a colheita não favorece a recuperação das plantas, fazendo com que os danos provocados pelas cigarrinhas sejam acentuados nestas condições8 .

Visto que o ataque da cigarrinha resulta em colmos menores, mais finos e secos, chegando muitas vezes à morte, ocorrem também alterações na qualidade da cana-de-açúcar, geralmente com redução nos valores de pol e aumento nos de fibra, como visto em Dinardo-Miranda et al.9 .

O manejo de áreas com problemas de cigarrinha, para ser bem sucedido, deve englobar todas as ferramentas disponíveis, pois, para cada situação de cultivo, uma delas se mostra mais adequada10. O controle químico é uma ferramenta bastante valiosa no programa de manejo da cigarrinha, especialmente em canaviais colhidos a partir de agosto (meio para final de safra), que sofrem maiores danos devido ao ataque da praga, e naqueles severamente infestados6 .

Os inseticidas registrados para controle de cigarrinha são thiamethoxam 250WG, na dose de 0,6 kgha-1 a1,0 kgha-1, imidacloprid 480SC, de 1,5 Lha-1 a1,8 Lha-1, e aldicarb 150G, de 10 kgha-1 a12 kgha-16 .

Dentro desse cenário a Ourofino vem atuar nesse mercado, com o lançamento do produto DIAMANTE BR, cujo principio ativo é o Imidaclopride 480g/l SC. Esse princípio ativo interage com receptores nicotinérgicos do sistema nervoso do inseto, causando-lhe a morte, na maioria das vezes, em um dia. Ourofino sempre buscando as melhores soluções agropecuárias em qualidade e valor.


Fonte: OuroFino Agrociência        Autora: Ana Paula da Silva, engenheira agrônoma

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