quinta-feira, 26 de julho de 2012

Prejuízos causados pelas lesões em carcaças no abate



A carne é considerada um alimento extremamente nutritivo e saudável, sendo fundamental para a dieta dos seres humanos. O Brasil se destaca por sua produção, possuindo o maior rebanho bovino comercial do mundo, sendo o segundo maior produtor de carne e um dos maiores exportadores do mundo (ABIEC, 2012). Com a constante melhora da genética e produtividade, as perspectivas para a pecuária bovina são otimistas. Porém existem alguns fatores que interferem negativamente na lucratividade do setor e na qualidade da carne. Atualmente a busca por melhor qualidade reflete uma frequente preocupação entre os consumidores, que preconizam um alimento de alta qualidade, além de mercados ainda mais exigentes e uma forte atenção com o bem-estar animal.
Um dos fatores que interferem na qualidade da carne e na lucratividade do setor são as lesões nas carcaças dos bovinos retiradas no abate. Essas lesões podem estar relacionadas a vários fatores, como o manejo antes do abate realizado na propriedade, a aplicação de vacinas e medicamentos de forma indevida, o transporte dos animais e o manejo realizado no frigorífico. Estima-se que nos Estados Unidos essas perdas sejam de aproximadamente US$ 75 milhões, e na Austráliaem torno US$ 20 milhões (BRAGGION e SILVA, 2004). No Brasil não há muitas pesquisas relacionados a essas perdas, mas de acordo com um levantamento realizado na linha de abate foi constatado uma perda anual de US$ 11,3 milhões, somente devido a lesões por aplicação de vacinas e medicamentos (MORO e JUNQUEIRA, 1999).
Dos fatores citados acima, o manejo pré-abate, e a aplicação de medicamentos, são responsáveis pelos maiores prejuízos no frigorífico (MORO et al., 2001). As condenações parciais de carcaças estão relacionadas geralmente a abscessos provenientes de vacinas e medicamentos e por hematomas formados pelo manejo de embarque e desembarque e pelo transporte.
Segundo Braggion e Silva (2004) as lesões por vacinações correspondem a 44,6% do total de alterações nas carcaças, e causam sérios prejuízos. As lesões vacinais geralmente ocorrem pela formação de abscessos que se formam por várias razões. As mais comuns são a má refrigeração, falta de higiene e erros na aplicação (CAMPOS et al., 2008). Os materiais usados nas vacinações, como seringas e agulhas, devem ser descartáveis e outra alternativa é o uso de pistolas (seringas dosadoras), porém estas devem ser desinfetadas para a realização da vacinação. As pistolas são de grande eficiência, pois armazenam várias doses de vacina ou medicamento, economizando tempo e mão de obra durante o manejo.
As condenações são realizadas de acordo com a legislação brasileira (BRASIL, 1952), de acordo com ela, todas as áreas de carcaças que apresentam formação de abscessos devem ser condenadas e se houver contato de pus em outras partes ou até mesmo em partes de carcaças próximas àquela acometida, tais partes deverão ser descartadas, semelhantemente ao destino dado aos abscessos.
O embarque é considerado como “o início do manejo pré-abate”, sendo este o processo que torna os bovinos mais susceptíveis ao estresse (PEREIRA e LOPES, 2008). Além disso, em algumas situações os responsáveis pelo embarque não possuem conhecimento dos princípios básicos de bem-estar animal e utilizam ferrões, objetos pontiagudos e choques elétricos de forma indevida que podem causar lesões durante o processo de condução e entrada dos animais nos caminhões de transporte. Se as operações de transporte, embarque e desembarque dos animais forem bem conduzidas, reduzem o estresse e as lesões, significativamente (ROÇA, 2008).
Segundo Braggion e Silva (2004), chifradas, coices, pisoteios e tombos representaram 24,65% das lesões, que geralmente estão relacionadas a problemas de manejo. Em um estudo citado por esses mesmos autores, rebanhos com25 a50% dos animais com chifres tinham 10,5% de lesões e com a retirada destes animais houve uma redução de2 a5% das lesões.
A área acometida por uma contusão possui uma aparência ruim e desagradável, sendo necessária, na maioria das vezes a remoção, o que causa perda de peso e de seu valor comercial, como também a propensão a contaminações, devido à presença de sangue que é um ótimo meio para o desenvolvimento microbiano (PEREIRA e LOPES, 2008).
Para que as perdas econômicas por lesões sejam diminuídas e boas condições de bem-estar animal seja uma prioridade, devemos nos conscientizar e tomar medidas como: boas práticas durante a aplicação de vacinas e/ou medicamentos, seguir rigorosamente as instruções do fabricante sobre as condições de armazenamento de vacinas e locais de aplicação, adotar práticas de manejo racional na propriedade com o objetivo de diminuir a quantidade de lesões e melhorar o bem-estar animal, avaliar se as instalações da propriedade estão sendo eficientes e a capacitar constantemente os responsáveis pelo manejo realizado na propriedade.
Fonte: Olyntho Dellamanha - Graduando em Medicina Veterinária e estagiário do Dpto. Técnico Ourofino

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