quarta-feira, 27 de junho de 2012

Pesquisador Tiago Zanett Albertini, pós-doutorando da Embrapa derruba mitos sobre emissão de metano pela pecuária


Um dos temas mais polêmicos debatidos no Confinar 2012 foi a emissão de metano pela pecuária, assunto da palestra "Confinamento X Sustentabilidade: verdades e mitos", ministrada pelo pesquisador Tiago Zanett Albertini, pós-doutorando da Embrapa.

A primeira questão debatida foi sobre a emissão de metano pela fermentação entérica (produzida no rúmen) dos bovinos, tema amplamente divulgado pela mídia em geral. Segundo estudo que estimou as emissões de metano (Moss et al., 2000), o mundo emite 689 milhões de toneladas métricas ao ano, deste total 30% são produzidos por fontes naturais (como pântanos, oceanos, etc) e 70% pelo homem ou pela ação do homem, sendo que desta participação 60% vem da agropecuária.

Do total referente à agropecuária, aproximadamente um terço vem da fermentação entérica incluindo aqui todos os animais domésticos. O que dirime o mito de colocar o gado como principal, ou até mesmo forte responsável pela emissão de gases de efeito estufa (GEE). Além disso, caso as emissões de metano pelos animais sejam convertidas em CO2 equivalente a fermentação entérica equivaleria a 2,7% das emissões globais de GEE.

Albertini explica, a partir do estudo de Monteiro (2009), que para cada quilo de carcaça produzida são registradas 780 gramas de metano, a nível nacional. Quando a produção é intensificada a pasto ocorre uma redução sensível, de 29% no total de metano emitido, já quando integra o pasto ao sistema de confinamento, a queda é de quase 40%.

Este redução pode ser ainda maior se for aumentada a eficiência alimentar do gado (Albertini et al., 2010) e se outras formas de mitigar ou reduzir as emissões forem utilizadas. Outro ponto relevante é que seja contemplado nos modelos utilizados para inventariar os GEE o carbono (C) sequestrado pelas pastagens e estocado no solo. A contabilidade desse dreno permitirá uma abordagem mais adequada do balanço C nos sistemas de produção de bovinos.

O segundo bloco da palestra teve como tema a projeção do agronegócio e a intensificação da produção. O palestrante explica que o Brasil tem se configurado como um dos principais exportadores de carne bovina no mundo. Utilizando modelos de simulação, Barioni et al. (2012) prospecta que o rebanho bovino tende a aumentar nos próximos anos, se adequando à necessidade da demanda. Em contrapartida, a área de pastagem está diminuindo, comprovando que o confinamento, uma forma de atividade mais eficiente e complementando o sistema a pasto, está crescendo.

O último tópico da palestra tem como objetivo desmistificar a pecuária intensiva. "Quanto de volumoso devo usar? E outras dúvidas sobre o que é mais rentável e mais ecologicamente correto podem ser resolvidas. Dentro de vários softwares que o produtor pode usar, há o RLM e o
Embrapa Invernada, sendo o último gratuito, e estima a dinâmica de crescimento dos animais.



Fonte: Rural Centro e SRB

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