terça-feira, 5 de junho de 2012

Causas da Mastite ambiental causada por coliformes


Os microrganismos causadores de mastite presentes no ambiente de permanência das vacas são chamados de patógenos ambientais - crescem em condições de alta temperatura e umidade e em presença de matéria orgânica, os mais comumente encontrados são espécies de bactérias gram-negativas, principalmente os coliformes. Bactérias gram-negativas são os agentes etiológicos mais frequentemente isolados de casos clínicos agudos de mastite, sendo responsáveis por aproximadamente 40% dos casos clínicos de mastite. O termo coliformes compreende as bactérias Escherichia coli, Klebsiella sp e Enterobacter sp.

A transferência de bactérias gram-negativas de glândulas mamárias de vacas infectadas para vacas não infectadas parece mínima comparada com a constante exposição ao meio ambiente contaminado. Bactérias coliformes ocupam muitos habitat no ambiente da vaca. Escherichia coli são habitantes normais do trato gastrointestinal de animais. Klebsiella sp e Enterobacter sp estão presentes nos solos, nos grãos, na água e no trato intestinal dos animais.

A porta de entrada para bactérias coliformes dentro da glândula mamária é o canal do teto em contato com o ambiente contaminado.Fatores de virulência dos coliformes permitem o crescimento e multiplicação no canal do teto e invasão das defesas do hospedeiro. Os coliformes multiplicam-se nas secreções no interior da glândula mamária, geralmente, sem se fixarem nas superfícies epiteliais.Embora a glândula mamária não seja considerada habitat natural para os coliformes, muitas cepas são capazes de sobreviver e se multiplicar nas glândulas mamárias.

As infecções por coliformes tendem a ser de curta duração durante a lactação e raramente causam elevada CCS do tanque.As infecções por coliformes são as causas mais comuns de mastite com apresentação clínica sistêmica, sendo responsáveis por 60 a 70% dos casos clínicos agudos de mastite.

A taxa de novas infecções causada por coliformes é maior durante o período seco do que durante a lactação, podendo ser de três a quatro vezes maiores durante o período seco do que durante a lactação. A susceptibilidade para infecções é maior nas duas semanas após a secagem e nas duas semanas antes do parto. Durante a lactação, infecções intramamárias por bactérias coliformes são mais frequentes durante os três primeiros meses e, especialmente, no primeiro mês de lactação. Nesse estágio de lactação os efeitos da mastite causada por coliformes são, geralmente, mais pronunciados.Pesquisas mostram 65% dos casos que ocorrem nos dois primeiros meses de lactação são causados por coliformes e por infecções intramamárias que originaram durante o período seco.

A terapia de vaca seca, com o uso de antibiótico intramamário de longa duração durante o período seco, aplicado no momento da secagem, apresenta duas funções: em primeiro lugar combater infecções intramamárias pré-existentes na secagem e evitar novas infecções intramamárias durante o período seco.

Pesquisas têm mostrado que a terapia de vacas secas não protege totalmente os animais de novas infecções por coliformes durante o período seco. Isso é explicado pelo fato de que muitas novas infecções por coliformes ocorrem no final do período seco quando a terapia de vaca seca não fornece proteção contra novas infecções intramamárias devido à baixa concentração do antibiótico na glândula mamária. Outra explicação é que o espectro de atividade de muitos produtos utilizados na terapia de vaca seca não tem ação sobre os microrganismos gram-negativos.

Práticas de manejo para reforçar a resistência da vaca são necessárias para controlar a mastite causada por coliformes, principalmente durante o período seco, momento de maior risco de aquisição de novas infecções, já que a terapia de vacas secas não se mostrou completamente eficaz no controle de mastites causadas por coliformes. A vacina com a cepa mutante rugosa E. coli O111:B4 (J5) tem sido utilizada, há mais de 15 anos, na imunização de vacas contra as mastites causadas por coliformes.

As recomendações de protocolo de vacinação contra mastite ambiental variam muito. Estes protocolos geralmente são realizados nos períodos de maior risco de aquisição de novas infecções por coliformes, ou seja, durante o período seco. Alguns esquemas recomendam duas doses de vacinação com intervalo de 2 a 4 semanas, sendo a primeira dose na secagem e, em seguida, uma imunização repetida anualmente. Outro esquema sugerido é a imunização na secagem, ou seja, 60 dias antes da data prevista para o parto, a segunda dose 30 dias após a primeira e a terceira dentro de até duas semanas após o parto.

A vacinação de vacas com E. coli J5 melhora a saúde da glândula mamária de vacas leiteiras e pesquisas mostram que a vacinação com E. coli J5 demonstra-se eficaz em reduzir a prevalência de infecções intramamárias no pós-parto, bem como a ocorrência e intensidade dos casos clínicos de mastite, causados por E. coli, nos primeiros 100 dias de lactação.


Fonte: REHAGRO    Autora : Patrícia Vieira Maia, Médica Veterinária, Pós-graduada em Pecuária Leiteira, Mestre em Clínica de Ruminantes com foco em
Qualidade do Leite e Controle de Mastite

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