quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sistema de Avaliação Animal chamado EPMURAS e Índice de Seleção.


Sistema de Avaliação Animal

O EPMURAS tem como objetivo estabelecer correlações fenotípicas e genotípicas entre tipos morfológicos e tipos produtivos, dentro das populações zebuínas e gerar DEP’s (Diferenças Esperadas de Progênies) que irão auxiliar os selecionadores nos acasalamentos futuros. Também é objetivo do sistema evitar que animais com defeitos que prejudiquem a funcionalidade ou a reprodução, mesmo tendo um alto valor genético, sejam usados como reprodutores.

Este critério visual é usado pela ABCZ para avaliação de critérios de seleção dos animais registrados pela entidade.

As 7 características a serem a avaliadas para o programa de melhoramento são:

• Estrutura Corporal (E);
• Precocidade (P);
• Musculosidade (M);
• Umbigo (U);
• Caracterização Racial (R);
• Aprumos (A);
• Sexualidade (S).

O que se avalia na EPMURAS e sua respectiva importância no contexto geral

- Estrutura Corporal (E): Prediz visualmente a área que o animal abrange visto de lado, olhando-se basicamente para o comprimento corporal e a profundidade de costelas. A área que o animal abrange está intimamente ligada aos seus limites em deposição de tecido muscular.

- Precocidade (P): Nesta avaliação as maiores notas recaem sobre animais de maior profundidade de costelas em relação à altura de seus membros. Na prática, principalmente em idades mais jovens, onde muitas vezes os animais ainda não apresentam gordura de cobertura, o objetivo é identificar o desenho que corresponda a indivíduos que irão depositar gordura de acabamento mais precocemente, e que, via de regra, são os indivíduos com mais costelas em relação à altura de seus membros. Vale ressaltar que indicativos de deposição de gordura subcutânea somam para a avaliação do tipo precoce.

Por exemplo, a musculatura, quanto mais definida, menor a capa de gordura que a recobre, a virilha baixa ou pesada e também a observação de pontos específicos, tais como a inserção da cauda, a maçã do peito, a paleta e a coluna vertebral são elementos adicionais que auxiliam na observação dessa característica. (A busca de animais mais precoces atende a demanda dos frigoríficos brasileiros com interesse de exportação que possuem sistemas de resfriamento que exigem uma camada mínima de espessura de gordura de acabamento de 3 a 6 mm, uniformemente distribuída pela carcaça, para que não haja escurecimento da carne e encurtamento das fibras musculares pelo resfriamento rápido (cold shortening), que fazem com que a carne perca uma série de qualidades.)

Animais precoces permanecem menos tempo nos pastos e/ou confinamentos, encurtando o ciclo de produção, melhorando assim a eficiência da atividade e, conseqüentemente, os lucros do produtor. Há relatos na literatura indicando que animais mais precoces em acabamento também sejam sexualmente mais precoces.

- Musculosidade (M): A musculosidade será avaliada através da evidência das massas musculares. Animais mais musculosos e com os músculos bem distribuídos pelo corpo, além de pesarem mais na balança, apresentam melhor rendimento e qualidade da carcaça. Os escores atribuídos às características E, P e M nos permitem ter uma concepção espacial do animal, pois E estima a área que este abrange lateralmente e que, de forma bastante rudimentar, irá formar um retângulo.

A característica E, analisada em conjunto com a característica P, irá indicar as proporções dos lados desse retângulo. Ao incluirmos o escore da característica M, daremos a terceira dimensão. Esse paralelepípedo formado será a estimativa do volume do indivíduo (Veja figura abaixo). Vale ressaltar que essa concepção se torna mais precisa ao acrescentar os dados de peso e altura.

Apresentação esquemática das diferentes proporções que devem ser avaliadas, acrescidas da altura de posterior.Figura 1 - Apresentação esquemática das diferentes proporções que devem ser avaliadas, acrescidas da altura de posterior.

- Umbigo (U): É avaliado a partir de uma referência do tamanho e do posicionamento do umbigo (umbigo, bainha e prepúcios), devendo ser penalizado os indivíduos que apresentarem prolapso de prepúcio. Como parte deste rebanho é criada em grandes áreas de pastagem, e nos machos, umbigo, bainha e prepúcio de maior tamanho, pendulosos e ocorrência de prolapso, são mais susceptíveis a patologias ocasionadas por traumatismos, e estas são muitas vezes irreversíveis ou extremamente complexas em termos de manejo curativo.

- Caracterização Racial (R): Todos os itens previstos nos padrões raciais das
respectivas raças usadas devem ser considerados. O tipo racial é um distintivo comercial forte e tem valor de mercado, o que, por si só, justifica sua inclusão em um programa de melhoramento.

- Aprumos (A): Serão avaliadas através das proporções, direções, angulações e articulações dos membros anteriores e posteriores. Na reprodução, bons aprumos são fundamentais para o macho efetuar bem a monta e para a fêmea suportá-la, além de estarem diretamente ligados ao período de permanência do indivíduo no rebanho.

- Sexualidade (S): Busca-se masculinidade nos machos e feminilidade nas fêmeas, sendo que estas características deverão ser tanto mais acentuadas quanto maior a idade dos animais avaliados. Avaliam-se os genitais externos, que devem ser funcionais, de desenvolvimento condizente com a idade cronológica. Características sexuais do exterior do animal parecem estar diretamente ligadas à eficiência reprodutiva, e a reprodução é a característica de maior impacto financeiro na atividade.

As escalas de escores a serem seguidas para as avaliações visuais estão descritas abaixo. A nota zero desclassifica o animal.
Escalas dos escores corporais do EPMURAS.
Tabela 1 –
Escalas dos escores corporais do EPMURAS.
Conceitualmente os escores podem ser divididos em fundo, notas 1 e 2; meio 3 e 4 e cabeceira 5 e 6 para as características E, P e M. Esses escores serão relativos ao grupo de contemporâneos sob avaliação. Dessa forma, fica assegurada a percepção de que, sempre, em qualquer grupo de contemporâneos, por melhor que seja, este apresenta um fundo, ou, por pior que seja, apresenta uma cabeceira. Para as características R, A e S, os escores serão atribuídos em relação a uma referência pré-estabelecida, isto é, o indivíduo não é comparado ao grupo em que está inserido, mas aos padrões definidos pela associação das raças. Assim, conceitualmente, 1 = fraco, 2 = regular, 3= bom e 4 = muito bom.
Para a característica U, a escala de notas será de 1 a 6 de acordo com uma referência, conforme demonstrado na figura abaixo:

Escalas usadas para a avaliação da característica Umbigo do sistema EPMURASFigura 2 – Escalas usadas para a avaliação da característica Umbigo do sistema EPMURAS

Para as características R, A e S, a escala de notas irá de 1 a 4, simplificando a avaliação, visto que são inúmeras as possibilidades de defeitos e qualidades para a mesma característica, e que esses não apresentam subsídio de estudos que demonstrem quais são os pontos mais ou menos importantes e suas respectivas herdabilidades.
Os escores são individuais para cada animal e característica. Esta metodologia de avaliação visual tem duas aplicações práticas no processo de seleção.

A primeira, é que se pode identificar todos os pontos negativos e positivos que coexistam no animal. A segunda, é que a avaliação em nível de rebanho pode diagnosticar defeitos e qualidades mais freqüentes na fazenda de forma simples e direta, através do “desenho” originado pelos escores.
Assim podemos alterar a freqüência dos escores da propriedade através da utilização, na reprodução, de indivíduos que se destaquem naquelas DEP’s para a(s) característica(s) em questão e, conseqüentemente, alterar o “desenho” dos animais, para que desta forma, consiga chegar a tipos morfológicos mais condizentes com o sistema de produção utilizado.

Como proceder a avaliação

A avaliação visual de um determinado lote de animais que formem grupos de contemporâneos deve seguir as seguintes recomendações:

• Subdividir os lotes em grupos com no máximo 30 dias de diferença de idade do mais novo para o mais velho;
• Ter claramente a definição para cada uma das características que serão avaliadas;
• Observar o lote, e identificar os animais médios para cada uma das características em questão, pois esse será o parâmetro comparativo para se identificar a cabeceira e o fundo do grupo;
• Ser realizada pelos mesmos avaliadores em um determinado lote e momento;
• Avaliar os animais sob um mesmo local ou campo de visão;
• Não considerar dados de desempenho do animal, nem dos seus genitores;
• Não considerar o pedigree do animal;
• Ser rápida e precisa, preferencialmente após as pesagens do controle de desenvolvimento ponderal, no sentido de facilitar o manejo da propriedade.
Após levantar todos os dados dos animais analisados, faz-se um ranking com os animais, dando preferência aos animais com melhor pontuação para utilização como reprodutores e matrizes.

Índices de seleção

Índice de seleção seleciona várias características a qual são analisadas ao mesmo tempo, atribuindo-lhes pesos de acordo com a sua importância. A classificação final dos indivíduos é feita com base no total de pontos alcançados para todas as características consideradas.
Para se determinar os critérios de seleção, pode se considerar as características de fácil mensuração e alta herdabilidade. Peso ao nascer (PN), Peso aos 210 dias (P210), Peso aos 365 dias (P365), Perímetro Escrotal (PE) e Área de Olho de Lombo (AOL) são exemplos que podem ser usados como critérios. Ressaltamos a importância de um bom gerenciamento dos dados dos animais.

Abaixo segue exemplo da coleta dos dados dos animais.

Dados Índice de Seleção

Figura 3 – Exemplo de coleta de dados para seleção de reprodutores através do Índice de Seleção.
Após obter os dados dos animais do rebanho, deve-se definir o peso que cada característica receberá. Essa ponderação é importante para determinar as características de maior impacto na seleção, estas devem ser as de maior herdabilidade e influência para alcançar o objetivo de seleção.

Em seguida, calcular o Índice de Seleção dos animais através da seguinte fórmula:
Fórmula para calculo de Índice de Seleção
I = Índice de Seleção
P = Peso dado para cada critério de seleção
X = Critérios de seleção
(...) = O número de P e X varia de acordo com o nº de critérios determinados pelo avaliador.
Após obter os índices de cada animal e ordená-los, saberá qual animal tem uma melhor genética e fenótipo (com base na avaliação da EPMURAS), este então, deverá ser usado como reprodutor ou matriz.

Resultados

O uso desses sistemas de seleção permite que o rebanho fique homogêneo e com o valor genético superior, onde, em certo prazo, a genética média do rebanho estará a frente da média do rebanho antes da implementação do programa de seleção.

Desvio padrão

Fonte: Rehagro  Autora:  Crislaine de Belles Rosa¹, Zootecnista - Equipe Rehagro

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