sábado, 12 de maio de 2012

Programa IAC de Cafés Especiais


Para os apreciadores da bebida, o cheiro e o sabor de um café recém-preparado são de dar água na boca. Se ele já é tão valorizado, imagine então um café especial — com perfil sensorial diferenciado em sabor e aroma. Em 2012, o público da Agrishow poderá, pela primeira vez, conhecer o Programa IAC de Cafés Especiais e também degustar seus resultados. O plot do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, oferecerá degustação de blends de alguns cafés do IAC colhidos na última safra, todos com elevada qualidade de bebida e diferenciação no perfil sensorial.

O Programa IAC de Cafés Especiais busca contribuir para a disponibilização desse tipo de produto aos consumidores, além de gerar nova oportunidade à cadeia de produção do café. A idéia é oferecer ao setor da cafeicultura uma “carta de cafés” — opções variadas de cultivares diferenciadas pela qualidade sensorial — com possibilidade de reorientações nas pesquisas científicas que possam resultar em materiais específicos para as demandas apresentadas pelas regiões geográficas onde se pretende cultivá-los, pois a qualidade do café é muito sensível às variações de ambiente, às constituição genética da cultivar e à forma de processamento na pós-colheita.

Outra característica do Programa IAC de Cafés Especiais está em traçar ações que contribuam para a redução do prazo para obtenção de novas cultivares. Qualquer instituição pública ou privada, pessoa física ou jurídica que atue no agronegócio café ou que esteja direta ou indiretamente envolvida em ações que visem a melhoria da qualidade do café brasileiro pode ter acesso aos produtos e serviços oferecidos pelo Programa. A adesão formal dos interessados é efetivada por meio de contratos de colaboração e parcerias público-privadas intermediados por fundações de apoio à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico.

Cafés especiais são aqueles que além da elevada qualidade de bebida possuem atributos sensoriais distintos e marcantes, com ênfase no sabor e aroma. A diferenciação do café pela qualidade sensorial tem sido mundialmente reconhecida com o surgimento do café terroir, ou seja, um café com qualidade única. Esse novo conceito na produção de cafés especiais tem promovido a valorização de cafés realmente distintos, constituindo excelente opção para agregação de valor.

Segundo o pesquisador do IAC, Gerson Silva Giomo, há potencial para produção de cafés com nuances de sabor e aroma floral, frutado, achocolatado, cítrico, entre outros. “Os resultados preliminares indicam a possibilidade de produzir cafés de altíssima qualidade sensorial que não deixam nada a desejar em relação aos especiais produzidos por outros países”, comenta o pesquisador. Para quem gosta de consumir café puro, os especiais são os mais adequados. “Quando bem preparado, é um café que se ingere puro, sem adição de açúcar, leite, chocolate ou qualquer outra coisa”, diz.

O trabalho de seleção é focado nas características qualitativas que interessam ao café especial, como tamanho do grão e qualidade de bebida. As inúmeras características qualitativas que podem ser exploradas para o desenvolvimento de cafés com qualidade sensorial diferenciada só são viáveis graças ao rico Banco de Germoplasma mantido pelo IAC — um dos mais completos do mundo.

O pesquisador explica que a qualidade do café depende de uma série de fatores, como genética da planta, ambiente de cultivo, manejo da lavoura e técnicas de processamento. Para cada situação, o Programa IAC de Cafés Especiais vai realizar estudos específicos para identificar a melhor combinação desses fatores que possam potencializar a qualidade e favorecer a obtenção de bebidas diferenciadas.

Diferencial do Programa IAC de Cafés Especiais

O Programa vai realizar cruzamentos entre cultivares já estabelecidas com cultivares ainda pouco conhecidas, mas com elevada qualidade sensorial. Feita essa hibridização, o programa não vai esperar o longo tempo necessário para a estabilização genética do material. Caso haja interesse da cadeia produtiva, a antecipação do uso de novas cultivares poderá ser feita a partir de mudas clonadas que reúnem todo o potencial qualitativo identificado nas plantas selecionadas. Nesse contexto, o trabalho abre a possibilidade de desenvolvimento de cultivares em prazo bem menor que no melhoramento genético convencional, que pode chegar a 30 anos. A expectativa é reduzir esse tempo de 30% a 50%.

Serão estudadas inúmeras possibilidades de combinação entre cultivares e processamento pós-colheita para cada ambiente de produção. Os diferentes resultados obtidos para cada local, tanto sensoriais como físicos (tamanho, forma e coloração do grão) serão fruto da constituição genética de cada cultivar. Segundo o pesquisador, é essa forma especializada de produção que possibilita atender demandas extremamente específicas. “Se o produtor busca um grão alongado e uniforme, que produza uma bebida ácida, teremos variabilidade genética e técnicas de processamento específicas para encontrar exatamente o que ele procura”, diz Giomo.

O trabalho soma áreas de melhoramento genético, fitotecnia e pós-colheita, com o objetivo principal de potencializar os quesitos qualitativos e produtivos das cultivares, a fim de fortalecer a cadeia produtiva dos cafés especiais no Brasil. “Nossa missão é garantir a qualidade do café na sua totalidade, da semente à xícara”, resume.

O controle de qualidade do Programa IAC de Cafés Especiais usa métodos recomendados pela Specialty Coffee Association of America (SCAA) e pelo Coffee Quality Institute (CQI), dos Estados Unidos. “Nesse programa os cafés são avaliados da mesma forma como são avaliados nos principais países consumidores e produtores de cafés especiais, como Estados Unidos, Japão, Etiópia, Quênia, El Salvador e Costa Rica”, afirma o pesquisador.

Todos os cafés produzidos sob a supervisão da equipe técnica do Laboratório de Pós Colheita do Centro de Café do IAC e aqueles que atingirem os padrões de qualidade exigidos pelo Programa IAC de Cafés Especiais serão certificados pelo Selo IAC de Qualidade do Café, sendo prontamente reconhecidos e aceitos pelos países importadores.

Cinco cultivares de café IAC com alta produtividade e excelente qualidade de bebida são expostas na Agrishow 2012

Três das cultivares expostas pelo IAC na Agrishow 2012, a IAC 125 RN, a Obatã IAC 1669-20 e a IAC Obatã Amarelo, são resistentes à principal doença do café, a ferrugem. A cultivar IAC 125 RN é ainda resistente a duas raças do nematóide Meloidogyne exigua, que permite que seja plantada em regiões onde há esses problemas. O IAC terá ainda exposta a cultivar de café já conhecida pelos produtores, a Catuaí Vermelho IAC 144, amplamente plantada nas áreas cafeeiras do país e a IAC Ouro Verde, cujo nome foi dado em virtude do que representa o café para o agronegócio brasileiro, verdadeiro ouro de coloração verde.

As cinco cultivares têm produtividade média em torno de 40 a 60 sacas de café beneficiado em áreas irrigadas, o que é considerada alta. Nas regiões não irrigadas suas produtividades médias variam entre 30 e 45 sacas por hectare.

A maturação dos frutos também é destaque nas cultivares IAC. De acordo com o pesquisador do IAC, Luiz Carlos Fazuoli, as diferenças na maturação dos frutos são devidas às características genéticas das plantas e às condições ambientais. Fazuoli explica que um ranking pode ser feito com a maturação das cinco cultivares. A cultivar IAC 125 RN é a mais precoce de todas, seguidas da Catuaí Vermelho IAC 144 e IAC Ouro Verde, que têm maturação média e, por último, as IAC Obatã Amarelo e Obatã IAC 1669-20, que são de média a tardia. “Com essa diferença de maturação, o produtor pode colher o café em períodos diferentes. Dessa forma, é possível distribuir melhor a colheita e diminuir a quantidade de mão de obra empregada”, explica.

A qualidade da bebida é outro ponto fundamental nas cultivares apresentadas pelo Instituto Agronômico na Agrishow. Se outro ranking fosse feito com as cultivares levadas pelo IAC, segundo Fazuoli, as cultivares IAC Ouro Verde e Catuaí Vermelho IAC 144 ficariam na primeira posição, com qualidade de bebida considerada excelente. Logo atrás viriam as cultivares IAC 125 RN, Obatã IAC 1669-20 e IAC Obatã Amarelo, classificadas com boa qualidade de bebida.

As cultivares resistentes à principal doença do café, a ferrugem, Obatã IAC 1669-20, IAC Obatã Amarelo e IAC 125 RN, podem dispensar ou diminuir a aplicação de defensivos agrícolas destinados ao controle químico da doença. “Apesar de variável, do custo total de produção, cerca de 15% se relaciona  ao controle fitossanitário. Reduzir o uso de defensivos é uma ótima contribuição para os produtores”, diz o pesquisador.

Além disso, o uso de cultivares resistentes pode, em alguns casos, viabilizar o cultivo em regiões onde o índice de incidência da doença é muito elevado. No caso da IAC 125 RN, essa característica é ainda mais importante, já que a cultivar é resistente também ao nematóide Meloidogyne exigua que reduz sensivelmente a produção de cultivares suscetíveis em determinadas regiões produtoras.

Fonte: IAC

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