quarta-feira, 16 de maio de 2012

Carta de Campo Grande "alerta a nação e suas instâncias representativas" contra concentração frigorífica no País

Fonte: ACRISSUL

Pecuaristas sul-mato-grossenses, representantes de  associações de criadores de gado e de diversas entidades ligadas aos produtores rurais se mobilizaram na noite de ontem na sede da Acrissul - Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande,  para protestar contra a concentração da indústria frigorífica no Brasil.  

Os criadores de bovinos se preocupam com a falta de concorrência no setor e principalmente com a ajuda  do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social)  injetando  recursos públicos para viabilizar o crescimento dessas indústrias no Brasil e no exterior.  

"Nos últimos tempos o JBS comprou tudo quanto é frigorífico, e a maioria deixa fechado mesmo. Isto está virando um monopólio" reclama Chico Maia, presidente da Acrissul. Ainda Segundo Maia, em entrevista dada ao Canal do Boi no dia 27/4, o monopólio está causando reflexos negativos na vida do pecuarista sul-mato-grossense e do consumidor. "O valor do boi já baixou 6% nos últimos 60 dias para a a gente, mas não diminuiu para o consumidor, finaliza. No evento de ontem, foi redigida e publicada uma carta em protesto às indústrias frigoríficas.

CARTA DE CAMPO GRANDE

Tal prática nefasta ao setor já tão sofrido é profundamente prejudicial às economias regionais e tem se tornado motivo de nossa extrema preocupação, na medida em que interfere na prática do livre mercado que sempre deveria ser regulado pela oferta e procura.As práticas constatadas até o momento, com artifícios contratuais e/ou contábeis, com fechamento de plantas existentes, vêm claramente afetando as economias do interior dos estados produtores de carne, provocando desemprego, em claro conflito com as políticas publicas do Governo Federal.

Assim, nós que respondemos pela produção de alimentos de todo o País, vimos requerer:


1) Que as Comissões de Agricultura e Pecuária da Câmara Federal e do Senado atuem com a máxima urgência a fim de impedir que tais transações continuem;

2) Que o CADE examine os procedimentos de aquisição das indústrias frigoríficas em pauta, em âmbito nacional, além da interferência e desdobramentos dessas aquisições em âmbito regional, onde claramente se nota o abuso de poder econômico utilizando-se, como já foi dito, de dinheiro público;

3) Que o BNDES também promova a democratização dos seus recursos para atender as médias e pequenas empresas do setor. 4) Que os governos Estaduais promovam ações imediatas com vistas ao fortalecimento de tais empresas de menor porte.

5) Que o Governo Federal não crie imposto sobre exportação de bovinos vivos, por ser esta uma alternativa de comercialização e de equilíbrio de preços;


6) Que o Ministério Público Federal examine a responsabilidade por sucessão de natureza tributária e trabalhista, dos estabelecimentos que estão sendo comprados ou arrendados.Independentemente das ações aqui requeridas, nos comprometemos a criação de um CONSELHO NACIONAL DE PECUARIA DE CORTE, para encaminhar as questões da cadeia da carne nas instâncias políticas, administrativas e institucionais pertinentes.

A concentração, alavancada com recursos públicos, afeta a rentabilidade do negócio pecuário e, consequentemente dificulta a sustentabilidade do setor, baseada no tripé: ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável. O controle de mercado é patente quando os preços entre as indústrias se alinham, desconsiderando a logística em um País de dimensões continentais como o Brasil.

Pior, por conseqüência, afetará sem duvida o preço da carne no varejo, com majoração de preços para o consumidor final.
Nós, pecuaristas, e demais integrantes da Cadeia Produtiva da Pecuária de todo o País, reunidos nesta data na sede da ACRISSUL – ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE MATO GROSSO DO SUL, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, vimos nesta oportunidade alertar a nação e suas instâncias representativas quantos às lastimáveis práticas hoje utilizadas por algumas empresas do setor frigorífico.

É sabido que o Governo Federal, através do BNDES, adotou política de capitalização dessas empresas, viabilizando seu crescimento e forte inserção em mercados estrangeiros. No Brasil a expansão dessas empresas se deu de forma vertiginosa e surpreendente.

Com tais recursos fizeram arrendamento de várias plantas frigoríficas, constituíram direta ou indiretamente confinamentos de centenas de milhares de animais, e passaram a interferir, pela ação monopolista, no mercado do atacado do boi e da vaca gorda e, por decorrência, em todo tipo de gado magro, regulando preços de compra desses insumos.
 

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