quinta-feira, 22 de março de 2012

Pecuarista terá que se adaptar para produzir leite B no Brasil


O leite do tipo B continua a circular no mercado e assim deve permanecer, afirmam representantes do segmento. Até 2013, o nível de bactérias presente na bebida deve ser reduzido em todo o Brasil, em função da Instrução Normativa 62 - o que não significa a extinção do produto, tal qual foi propagandeada, com a vigência da norma, no início deste ano.

A IN 62 estabelece um limite de 600 mil colônias bacterianas por mililitro da bebida. Geralmente, o leite B apresenta 750 mil/ml. A Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Leite Brasil) propôs que esse índice seja reduzido para 480 mil/ml, o que melhoraria consideravelmente a qualidade do produto. O controle pode ser feito com cuidados de higiene e uma ordenha adequada.

"Todo mundo achava que a IN 62 acabaria com o leite B", conta o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez, que convocou nesta semana sua câmara setorial, na Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, para debater a questão. "O leite B não acabou, e vai depender da cadeia produtiva se ele vai continuar existindo ou não", afirma.

A depender da paulista Cooperativa de Laticínios de São José dos Campos (Cooper), o tipo B vai, sim, continuar existindo. Com 160 produtores associados e uma ordenha de 40 mil litros por dia, a Cooper recebeu bem a mudança imposta pela IN 62, "pois a qualidade do leite melhora", de acordo com o diretor de Produção Custódio Mendes Mota.

"Aqui já está tudo adaptado. O leite é resfriado na própria fazenda", conta Mota, explicando que o resfriamento, feito logo depois da ordenha, limita a proliferação das bactérias. Em seguida, o produto é enviado a uma usina central da cooperativa, sendo que metade da produção é do tipo B (com ordenha mecânica) e os outros 50%, em média, são classificados como C (ordenha manual).

O problema da normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é que nem todos os produtores do Brasil podem se adaptar a ela. "Tem região sem luz, estados que não têm tecnologia para tal", aponta Mota. Por este motivo, no Nordeste, a IN 62 passa a valer somente em janeiro de 2013. Em todos os estados, a partir da vigência, os produtores têm dois anos para se adaptar.

"O governo quer um leite de maior qualidade. Nossa responsabilidade é fazer o leite chegar melhor ao resfriamento. E queremos mais preço", resume Rubez, que concorda: se houver menos bactérias no produto, é possível cobrar mais por ele.

ABC do leite

Considerado mais nobre, o leite A é ordenhado, beneficiado e embalado na mesma propriedade, ou seja, evita transportes. Para se fazê-lo é preciso dispor de uma fazenda com tecnologia apropriada. No caso do B, cuja qualidade fica próxima à do outro tipo, a bebida é extraída da vaca, resfriada e enviada por meio de caminhões-tanque à usina. A ordenha de ambos os tipos é mecânica, o que não acontece com o leite do tipo C, que pode ser extraído manualmente.
"Para o produtor, se ele tiver preço, tanto faz o tipo do leite", diz Rubez. O representante garante que é a qualidade, e não a categoria, que determina o valor do litro - hoje, chega a R$ 1.
"E quanto menos colônias [bacterianas], melhor a qualidade", explica. O leite longa vida, ou UHT [ultra high temperature], que em verdade é um leite "morto" (sem organismos vivos), tornou-se o preferido do varejo justamente porque não contém bactérias para estragá-lo. "O leite longa vida canibalizou todos os outros tipos", afirma o presidente da Leite Brasil.
O volume de leite do tipo B no mercado, por exemplo, caiu de 150 milhões de litros, em 2007, para cerca de 40 milhões.

ICMS, custo

Após uma reunião de sua câmara setorial na Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Rubez disse que o Governo do Estado de São Paulo decidiu prolongar por mais dois anos a isenção do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na cadeia produtiva do leite. O benefício fiscal já havia sido concedido dois anos atrás. "O custo de produção está cada vez aumentando mais, motivo pelo qual no ano passado só crescemos um por cento", lembra Rubez.


Autor: Bruno Cirillo. Fonte: DCI

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