quarta-feira, 14 de março de 2012

Maternidade de Leitões : Um Desafio a ser Conquistado


Todos os materiais necessários para o acompanhamento do parto deverão estar prontos e próximos à fêmea em processo de parto, tais como: papel toalha/pó secante, tesoura, iodo, barbante, bastão marcador, luvas cirúrgicas, luva e lubrificante para toque. Devemos garantir também que as lâmpadas do escamoteador estejam acesas, para o aquecimento dos leitões.

Assim que o primeiro leitão é expulso devemos estar prontos para recebê-lo, seguindo os seguintes passos abaixo. A qualidade da assistência ao parto é um dos fatores fundamentais para a sobrevivência do leitão neonato.

1)      Desobstruir a cavidade nasal e a boca;

2)      Observar se o cordão umbilical já foi completamente solto, caso contrário aguardar até que o mesmo se solte naturalmente. Sabe-se que a soltura natural do cordão umbilical do leitão recém-nascido estimula o nascimento do próximo, além de garantir que não haja perca de sangue por possível rompimento adiantado do cordão.

3)      Secar completamente o leitão com o papel toalha ou pó secante impedindo que o mesmo tenha diminuição de sua temperatura corporal (entre 37º a 39º C), auxiliar na ativação do sistema circulatório e respiratório, garantindo vitalidade para buscar e ingerir o colostro.

4)      Cortar o cordão umbilical. O corte deve ser feito a3 a5 cmde sua inserção. Deve ser feito uma ligadura e, para isso, deve-se usar um cordão previamente desinfetado ou embebido em desinfetante e usar tesoura desinfetada para o corte. A desinfecção do umbigo deve ser realizada com tintura de iodo a 5%;

5)      Identificação da ordem de nascimento com o auxílio de um bastão marcador. Este procedimento é importante para nos auxiliar no próximo passo.

6)      Acompanhamento da mamada do colostro. Essa ação é uma das mais importantes na vida de um leitão. Assim que vão nascendo, temos o dever de ajudá-los a encontrar a glândula mamária para ingerir o colostro.

A anotação da ordem do parto permitirá que a segunda metade da leitegada (5° ou 6° leitão) mame o colostro e que a primeira metade da leitegada (que já ingeriu colostro) fique no escamoteador, para aquecimento corporal, permitindo a ingestão homogênea de colostro para todos em até 12 horas após o nascimento do 1º leitão.

O colostro fornece três propriedades essenciais para os leitões: energia disponível, imunidade e permite crescimento natural, necessário para a maturação do leitão.

7)      O término do parto ocorre quando há eliminação das duas placentas. Em muitos casos, o que ocorre é uma falta de atenção por parte dos responsáveis, em achar que apenas com uma placenta já houve término do parto, gerando perdas que somente aparecerão em um ou dois dias, com a expulsão de um leitão morto que ficou preso no canal ou que a fêmea por exaustão, não conseguiu expulsá-lo, aumentando as chances da Síndrome MMA (mamite, mastite e agalactia).

8)      Após o término do parto, é necessário iniciar os manejos de aprendizado dos leitões, como utilizar o escamoteador para dormir nos momentos em que não há mamadas. Iniciamos já no primeiro dia o manejo 40-20. Os leitões devem ser ensinados a irem para o escamoteador e deixá-los presos por 40 minutos e soltos para mamar por 20 minutos, assim sucessivamente até o quarto dia. Esse manejo será importante ferramenta para redução da mortalidade por esmagamento.

9)      Realizar a transferência de leitões entre o grupo de fêmeas que pariu simultâneamente logo após a obtenção do colostro, transferindo os leitões menores para as fêmeas mais dóceis e com melhor conformação de aparelho mamário. Cuidar para que o número de leitões transferidos não exceda o número de tetos funcionais disponíveis quando a fêmea está em posição de aleitamento.

Não esquecer que a transferência entre leitões deve ser realizada preferencialmente nas primeiras 24h após o nascimento. A maioria dos leitões consegue selecionar os seus tetos prediletos até 12 horas após o nascimento, estabelecendo-se a partir daí uma determinada ordem para o ato de mamar que será respeitada em todas as mamadas. Quando os leitões são transferidos para outra fêmea após ter ocorrido a fixação do teto, eles terão que iniciar todo o processo de disputa novamente, o que exige muito esforço estressando-os demasiadamente.

10)     Para as fêmeas que foram submetidas ao toque, após o término do parto, deve-se realizar antimicrobiano injetável de amplo espectro e controle de temperatura nas próximas 72h.

Ao amanhecer do segundo dia de vida do leitão, o primeiro manejo que devemos fazer é a limpeza do escamoteador para garantir que esteja seco e aquecido para o recebimento dos leitões. Devemos então iniciar o processo de prender os leitões, sabendo que estes são seres senscientes, ou seja, são capazes de aprender, então precisamos ensiná-los e não colocá-los no escamoteador.

Precisamos estimulá-los a ir para o escamoteador mostrando que é o lugar ideal para ficar enquanto não estão mamando. Devemos juntar cada leitegada e tocá-los para o escamoteador. Após esse processo é que começamos a fazer as atividades diárias da maternidade como tratar matrizes, limpeza das baias, das salas, manejos com porcas e leitões, etc.

Visto que os animais sentem dor, medo, alegria, tristeza é recomendável realizar todos os manejos incisivos com os leitões no segundo dia de vida. No caso de leitões com baixo peso ao nascimento é recomendável realizar os manejos no quarto ou quinto dia de vida, pois assim terão melhores condições para desenvolvimento e recuperação do peso.

Os manejos a serem realizados com os leitões são os seguintes:

a)                Caudectomia;
b)                Ferro injetável;
c)                Desgaste dos dentes (opcional);
d)                Castração;
e)                Mossa;
f)                 Aplicação de antibiótico preventivo.

Na suinocultura moderna os fatores como alta umidade e temperatura, ausência de vazio sanitário, déficit de mão de obra, deficiência no programa de limpeza e desinfecção, fazem com que a utilização de medicamentos preventivos para os leitões seja necessária. No entanto, a utilização de medicamentos deve ser criteriosa e não substitui fatores imprescindíveis de manejo, sanidade e ambiente.

Dentre os problemas mais frequentes que acometem os leitões durante a lactação são: colibacilose, coccidiose e artrites. Estas doenças quando não determinam a mortalidade, causam atraso de crescimento dos leitões, podendo refletir em mau desempenho nas fases subsequentes. Sendo assim, a medicação preventiva, um bom programa de limpeza e desinfecção, programa vacinal, alimento de qualidade, equipe treinada e o acompanhamento dos animais refletem diretamente nos resultados finais dessa fase.


Por Alyne van Ham, Zootecnista, Depto Aves & Suínos Ourofino Agronegócio

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