quinta-feira, 29 de março de 2012

IAC verifica que vírus do tomate também ataca a batata

 
Transmitido pela mosca branca, inseto de difícil controle químico, o Crinivirus (Tomato chlorosis vírus – ToCV) já é velho conhecido dos agricultores de tomate. Em 2011, pesquisas com a participação do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, constataram que o vírus está atacando também os batatais do país. Além da redução na produtividade, que pode variar de 20% até mais de 50%, o vírus afeta também o uso da produção como batata-semente certificada, ou seja, de alta sanidade e livre de doenças. Em junho de 2012, o IAC completa 125 anos de ininterrupta pesquisa agrícola.

Em meados da primeira década do século XXI, os batatais brasileiros voltaram a manifestar sintomas similares àqueles causados pelo vírus do enrolamento das folhas da batata – PLRV, praticamente erradicado na década de 1990. Esses fatos preocuparam muitos estudiosos da cultura, como o pesquisador do IAC, José Alberto Caram de Souza Dias, que logo levantou a possibilidade de o PLRV, transmitido por pulgão, pudesse agora estar sendo também transmitido pela mosca branca.

Testes realizados no IAC comprovaram que, apesar de a transmissão ocorrer de forma pouco eficiente pela mosca branca, a maioria das plantas com sintomas típicos causados pelo PLRV não estavam contaminadas por esse vírus. Foi só em 2011 que pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ), em testes para detecção de vírus transmitido por mosca branca em amostra de tubérculos de batata, constataram a presença de uma espécie de vírus recém-introduzida na tomaticultura brasileira, o Tomato chlorosis vírus (ToCV), que é uma espécie do gênero Crinivirus, transmitido por mosca branca.

Esses pesquisadores, com base nos estudos do IAC, confirmaram a associação do ToCV com os sintomas típicos do PLRV em plantas de batata. “Verificamos a expansão de nova virose na bataticultura, o Crinivirus, que é transmitido por diferentes espécies da mosca branca, principalmente a Bemisisa tabaci, inseto de alta infestação e difícil controle químico, capaz de se alimentar de mais de 600 espécies de plantas e transmitir mais de 70 diferentes viroses na agricultura”, diz o pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Os prejuízos financeiros são muitos. Além da redução na produtividade, o produtor é obrigado a comprar, com maior frequência, batata-semente certificada para garantir que a próxima safra esteja livre de viroses e outras doenças. “Para atender a demanda do produtor, o Brasil tem que importar cada vez mais lotes básicos de batata-semente de alta sanidade e livre de vírus, o que causa dependência do mercado externo”, afirma Caram.

O melhor remédio contra o Crinivirus é a prevenção, uma vez que a cura de plantas infectadas por vírus não é um procedimento aplicável na agricultura. “As viroses são geralmente transmitidas por insetos vetores tais como o afídeo ou pulgão, o ácaro, o tripe e a mosca branca. Nesses casos, o controle deve ser direcionado a esses agentes vetores, especialmente durante a fase mais jovem da plantação e, portanto, mais suscetível à contaminação em campo”, explica o pesquisador.

Para evitar a contaminação das lavouras por viroses, Caram informa que é importante escolher local e época de plantio com menor incidência ou ausência do vírus e dos agentes vetores. Outra dica é escolher variedades mais resistentes às viroses e efetuar o controle dos insetos vetores de forma integrada, ou seja, químico, físico e biológico. Além disso, o pesquisador ressalta que é imprescindível avaliar a sanidade da cultura durante todo o ciclo. “O controle pode ser feito através da exposição de plantas indicadoras da virose e testes laboratoriais de amostras da produção”, afirma. 
            
Uma alternativa que pode garantir uma lavoura livre de viroses é a produção de batata-semente em estufa a partir da tecnologia Broto/Batata-Semente, desenvolvida pelo IAC. “Se o lote de tubérculos comprados como batata-semente é livre de vírus, seus brotos serão livres de vírus”, diz o pesquisador. Enquanto os tubérculos desbrotados são plantados normalmente em campo, para aumento do lote de batata-semente básica, os brotos são plantados dentro de ambiente protegido. Esses brotos dão origem a minitubérculos também livres de vírus. “Todo o processo de produção de batata-semente se beneficia com menor custo na produção e maior sanidade”, completa.
            
Com essa nova virose, transmitida por mosca branca, sempre que o produtor for plantar um lote de tubérculos-semente de alta sanidade em campo, deverá pensar em obter maior taxa de multiplicação desse lote de batata-semente, fazendo  o aproveitamento dos brotos, segundo a tecnologia IAC, do Broto/Batata-Semente. Com essa tecnologia, o produtor dobra o lote de batata-semente básica (na forma de minitubérculos), reduzindo o risco da rápida contaminação que geralmente ocorre nos tubérculos batata-semente quando plantados no campo.

Com a aplicação dessas práticas recomendadas pelo IAC, evita-se a rápida contaminação e, portanto, consegue-se a manutenção da sanidade do lote de batata-semente básica “Se não há plantas infectadas no campo, e se este está distante de outros contaminados, o risco de o inseto vetor disseminar o vírus de fora ou dentro da lavoura é menor. No caso da plantação dos brotos, que é feita dentro de telados anti-insetos, também se reduz o risco de viroses na produção extra de minitubérculos-sementes”, explica Caram.

O produtor interessado em conhecer a tecnologia do broto de batata-semente pode procurar, na Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola – FUNDAG – (www.fundag.br), o CD que ensina o passo a passo para a produção de minitubérculos de batata a partir do broto. Além disso, o pesquisador do IAC José Alberto Caram de Souza Dias pode atender qualquer solicitação através do e-mail: jcaram@iac.sp.gov.br
Fonte: Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo

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