segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Veterinários do Mercosul querem revacinação de gado paraguaio



O CVP (Comitê Veterinário Permanente do Mercosul) quer que o Paraguai dê início à revacinação imediata dos 150 mil bovinos criados no Departamento de San Pedro. A orientação foi divulgada em um comunicado oficial emitido pelo Comitê na quinta-feira, com sugestões de medidas para o país controlar a situação de emergência sanitária no departamento em que foram encontrados dois focos de febre aftosa, no ano passado e este mês.

A sugestão do CVP é para que a revacinação seja feita por agentes oficiais do país em uma operação de no máximo 30 dias. Devem ser vacinados todos os bovinos existentes na zona afetada, que unifica ambos os focos. No local estão 150 mil cabeças de gado, criadas por aproximadamente 2,4 mil produtores rurais.

Ainda é recomendado no ato da vacina um ‘check-up’ clínico do gado encontrado nas fazendas, inclusive naqueles em que não foram identificados com a doença oficialmente. Os trabalhos ainda seriam assistidos por dois técnicos do CVP.

O termo foi emitido depois que uma missão de cooperação técnica do Comitê esteve no Paraguai, entre 15 e 21 janeiro. Além de ajudar a controlar a situação, as medidas visam o cumprimento do PHEFA (Plano Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa), que visa eliminar a doença na América do Sul até 2020.

O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) brasileiro também encaminhou uma missão técnica ao Paraguai. Em nota oficial, o órgão considerou “satisfatório os controles realizados pelos estabelecimentos paraguaios e pelo serviço veterinário oficial daquele país para a exportação de carne maturada e desossada”, único tipo importado pelo Brasil desde o mês passado.

Pelo período de 10 dias, técnicos brasileiros tiveram reuniões com o Senacsa (Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal do Paraguai) e visitaram os três frigoríficos do país vizinhos que concentram a maior parte da carne exportada ao Brasil, para verificar se o produto não poderia ser um caminho para entrada do vírus da aftosa. A missão terminou no dia 20 deste mês.

Já o tráfego de animais pela fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai permanece proibido. No entanto, a estrutura de fiscalização montada na fronteira já flagrou três irregularidades, sendo duas somente na semana passada.


O DOF (Departamento de Operações de Fronteira) apreendeu um caminhão com sete cabeças de gado sendo transportado para uma fazenda na região de Coronel Sapucaia, na segunda-feira passada. Os animais tinham identificação de origem paraguaia, mas não tinha GTA (Guia de Trânsito Animal). A carga foi encaminhada para inspeção da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) e tiveram o abate assistido por técnicos do Mapa em um frigorífico de Ponta Porã.


Ainda na semana passada, outra carga foi apreendida numa propriedade rural de Bela Vista. Eram dois lotes com 266 cabeças de gado sem documentação de origem. Os animais foram encontrados por técnicos do Mapa e da Iagro, numa fazenda localizada logo ao lado de uma estrada vicinal, que dá acesso ao Paraguai.


Em recente entrevista à imprensa, a Secretária de Produção e Turismo de Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina Corrêa, disse que os trabalhos de fiscalização na região de fronteira não devem ser modificados, devido aos três casos de contrabando identificados. Ela justificou que são casos isolados de ‘maus produtores’. Atualmente, são 14 barreiras da Iagro com o Exército em 12 municípios, além das rondas do DOF focada em estradas vicinais.

 
 
Autor: Diário MS

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