segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Nova arma contra pragas: óleo de Nin nanoencapsulado e enriquecido com bagaço de cana


Um projeto inédito nascido na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) conseguiu otimizar a extração do óleo de Nim sem que este perdesse suas capacidades inseticidas.Até agora, não havia registro, no Brasil, de um sistema que retirasse o óleo desta planta sem danificar suas características principais, que se perdiam quando entravam em contato com a luz solar. Por meio da nanoencapsulação do óleo, isto foi possível. 

A responsável pela pesquisa é Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva, professora do Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia da Universidade Federal de São Carlos. Ela explica que o óleo de Nim apresentava comportamento instável quando em contato com a luz do sol e por isso, os agricultores que usam o Nim como defensivo natural tinham que aplicar o óleo diversas vezes, o que tornava o sistema oneroso e difícil. 

Maria Fátima diz que detectou falhas mecânicas nos processos anteriores de extração do óleo e, segundo ela, durante o procedimento, que envolve a colheita do fruto e a retirada das sementes, perdia-se cerca de 60% do princípio ativo da planta. "A extração era feita por um processo conhecido por compressão, que formava uma espécie de torta. No entanto, essa torta – na qual se encontra a maior parte da azadiractina, que é o princípio ativo do Nim – é descartada”, disse. 

No novo processo de extração, o óleo do Nim também passou a ser enriquecido. "Além dos ajustes no processo de extração do óleo, que rendeu um pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), desenvolvemos um polímero natural de bagaço da cana-de-açúcar para em seguida envolverem, em escala nanométrica, o óleo de nim", explica. 

“Esse nanoencapsulamento permite maior proteção ao princípio ativo em relação à radiação solar. Ao ser aplicado, o óleo tem maior tempo de vida no solo, o que representa uma importante economia para o agricultor, que não precisa aplicá-lo várias vezes”, ressaltou Silva. 

A pesquisa do nanoencapsulamento – que também rendeu um pedido de registro de patente – despertou o interesse de uma empresa alemã, que já é responsável pelas vendas do óleo de nim oriundo da Índia no Brasil. Segundo a professora, a parceria fechada com a empresa deverá acelerar o ingresso do produto nanoencapsulado no mercado.


 
Planta defensora

O nim ou neem (Azadirachta indica), planta natural do sudeste da Ásia, é considerado uma fonte promissora para a produção de inseticidas orgânicos. Na agricultura, essa árvore da família Meliaceae é utilizada em diversas regiões para o controle de pragas, agindo sobre cerca de 400 espécies de insetos. 

Com crescimento rápido e copa densa, o nim chega a alcançar 15 metros e pode ser cultivado em regiões de clima quente e solos bem drenados. No Brasil, as primeiras introduções feitas de forma oficial foram pela Fundação Instituto Agronômico do Paraná, em 1986, com sementes procedentes das Filipinas e, em 1989, com sementes da Índia, Nicarágua e República Dominicana. Na década seguinte, suas propriedades se tornaram mais conhecidas, dando início a plantios comerciais em diversos estados.

Fonte: UFSCAR e Globo Rural

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