sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Nova técnica começa a ser empregada por iniciativa do sojicultor


Seja por imposições ambientais, logísticas e/ou financeiras, o sojicultor mato-grossense tem a cada nova safra um mesmo desafio: superar sua produtividade em relação à temporada anterior. Somente colhendo mais, dentro de uma mesma área, é possível realizar uma produção mais sustentável e reduzir a desvantagem competitiva que separa o Estado dos principais centros consumidores dos grãos. Sob estas premissas é que a técnica do plantio cruzado começou a ser experimentada em Mato Grosso.

O princípio básico não é novidade: reduzir o espaço entre as plantas. Mais plantas dentro de um mesmo hectare indicam – na teoria - maior produtividade. Nesse sistema a plantadeira passa duas vezes na mesma área, em direções opostas, formando “quadrados”, o que faz com que haja muito mais pés de soja por hectare. Neste novo desenho as lavouras perdem ‘as tradicionais linhas paralelas’, para dar lugar à uma ‘tabuleiro de xadrez’. De acordo com quem já experimentou a técnica, por meio do plantio nas duas direções, cabem mais plantas, sem que uma sufoque a outra.

O sojicultor Avelino Gasparin, de Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao norte de Cuiabá), aderiu ao experimento ao reservar 25 hectares de uma área total de 400 destinados à sojicultura. “Plantamos pela esquerda e pela direita”, resume ele ao explicar a técnica. A expectativa é obter maior rendimento por hectare. Questionado sobre vantagens do método, ele frisa que está arriscando e que somente quando colher, por volta da segunda quinzena de janeiro de 2012, é que poderá dizer se valeu ou não à pena. De antemão, o novo traçado exigiu mais adubo quando comparado ao desenho tradicional.

O gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Nery Ribas, conta que a técnica está em adoção pela primeira vez no Estado e ganha espaço em áreas experimentais. “Nada está voltado às áreas comerciais”. Como ele destaca, não há nenhum embasamento científico para recomendar ou não a utilização do plantio cruzado. “Não sabemos, por exemplo, até que ponto uma possível majoração de custo de produção será compensada pela produtividade”. Ele alerta ainda para uma maior necessidade de manejo e cuidado por parte do produtor, já que a concentração de plantas pode levar a uma disputada por nutrientes, água e luz e alastrar com mais facilidade doenças, como a ferrugem.

O plantio cruzado, mesmo já utilizado no Sul do país, é embrionário. Como explica o pesquisador da Embrapa Soja, Henrique Debiasi, não existem estudos que possam indicar ou não o plantio cruzado e muito menos a quais regiões ele pode ser utilizado com sucesso. “Não há como dizer que o plantio vai ampliar a produtividade em um determinado percentual”. Esses números e outras certezas sobre a técnica virão, no caso de Mato Grosso, somente para a safra 12/13. “No Sul, é possível haver resultados ainda para a temporada 11/12. A inauguração da Embrapa Sinop irá contribuir muito para pesquisas como esta em Mato Grosso”. A previsão é de que o novo centro de pesquisas seja aberto ainda neste mês.

O que há de comprovações científicas, como observa Debiasi, se relacionam à redução do espaçamento entre cada pé de soja. “Trabalhos relativos ao início desta década mostram um ganho em produtividade de até 20%. Como o plantio cruzado envolve outras ações por parte do produtor, hoje fica difícil arriscar qualquer número. O que temos no momento são estudos em andamento em relação somente à redução do espaçamento, que no caso de Mato Grosso, iria à metade, de 50 centímetros para 25 centímetros. No entanto o aprofundamento esbarra na falta de oferta de maquinários que possam permitir essa redução na prática, no campo. Todos os métodos, invariavelmente na teoria, buscam a produtividade”.

ESPELHO – A iniciativa dos sojicultores cresceu nos últimos dois anos porque os vencedores do primeiro e do segundo Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) declaram ter utilizado o plantio cruzado e assim, contabilizaram mais de 100 sacas por hectares, ante uma média nacional inferior a 50 sacas.

Fonte: Diário de Cuiabá

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