quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar Livre (Siscal)


O sistema SISCAL consiste em um sistema que preconiza a criação de suínos em ambientes abertos em piquetes de forrageiras formadas ou em áreas arborizadas, em cabanas ou abrigos, nas fases de reprodução, gestação, lactação e recria. Criados soltos, os leitões são, depois, vendidos para que sejam terminados em confinamento.

Os animais criados em sistema ao ar livre recebem manejo produtivo, reprodutivo e alimentar semelhantes aos dos animais criados em sistema tradicional confinado. Este sistema devolve ao animal as condições ambientais mais próprias de seu habitat, que refletem positivamente na produtividade.

A técnica tem como objetivo proporcionar melhorias nos parâmetros produtivos e reprodutivos de fêmeas suínas e de suas leitegadas, promovendo um baixo custo de implantação, maior viabilidade econômica e melhoria no bem estar dos animais.

A área por animal dependerá das condições climáticas da região, das características físicas do solo (drenagem, capacidade de absorção da água e da matéria orgânica) e do tipo de cobertura do solo (forragem) podendo variar de 600 a 900 m2 /matriz instalada.
Na escolha do local, devemos levar em consideração principalmente a topografia, a qualidade do solo e a pluviometria da região.

A topografia (declividade) do terreno não deve ser superior a 15%, uma leve inclinação favorece o escoamento do excesso de água das chuvas.

Muitas são as forrageiras que podem ser utilizadas com esta finalidade. Em resumo, as forrageiras mais indicadas para cobertura de piquetes em SISCAL são os capins da família do colonião, capim elefante, braquiárias e, preferencialmente, as da família das Cynnodons, como Grama Estrela, Tifton 85, Coast cross e outras já adaptadas ou implantadas no local.

O tipo adotado pode ser de diferentes modelos, como:

• Cabanas (tipo galpão, iglú e chalé), cobertura - chapas galvanizadas n.º 24 ou nº 26, madeira, sapé, capim e etc. • Cabanas de gestação (porcas em gestação, fêmeas vazias e leitões), relação de 1 cabana: 6 a 8 fêmeas ou 2 a 3 leitegadas.

- Dimensionamento: 2,9 x 3,0 x 1,45m (comprimento x largura x altura)

• Cabana de maternidade (fêmeas em lactação e machos), relação de 1 cabana: 1 fêmea e a leitegada ou 1 macho - Dimensionamento: 1,70 x 2,8 x 1,45m (comprimento x largura x altura), cabana fechada nas laterais.

Usa-se 2 fios de arame a 30 e 60 cm do solo. Aconselha-se roçar o gramado, pois esta prática mantém o solo sempre coberto; sendo que a capina expõe o solo.

Os comedouros podem ser de madeira, com boca de 46 cm de comprimento, 25 cm de largura, 70 cm de altura do depósito ou com tambor regulável, e pneu cortado.

Os bebedouros devem fornecer água à vontade para cada categoria e contar com um reservatório com reserva para aproximadamente 7 dias. A canalização deve ser enterrada aproximadamente a 35 cm do nível do solo, evitando assim o aquecimento da água.

Os tipos de bebedouros são: vasos comunicantes de nível constante, feitos de alvenaria; reservatório com bóia, taça, chupeta.

A ração utilizada no SISCAL tem a mesma composição energética e protéica que a do confinamento. As matrizes em gestação recebem, diariamente 2 a 2,5 kg de ração, em duas ou mais refeições.

Os machos devem ser mantidos em bom estado corporal, recebendo em média, 2 kg de ração por dia em uma única refeição.

Na lactação as matrizes devem receber ração à vontade. Os leitões lactentes recebem ração préinicial em sistema de “creep-feeding”.

Na creche é fornecida ração à vontade. Nos primeiros 7 dias após o desmame os leitões recebem ração pré-inicial. Após este período, passam a receber ração inicial até os 70 dias de idade.

A ração pode ser fornecida na forma farelada ou peletizada em comedouros automáticos. Os comedouros devem ser limpos, periodicamente, retirando-se ração mofada, imprópria para o consumo.

Para que haja uma uniformidade, ao longo do ano, do volume do produto a ser comercializado e otimização da mão de obra, o SISCAL deve ser conduzido através da formação de lotes e sua produção deve ser escalonada.

O escalonamento pode ser semanal, quinzenal, 21 em 21 dias ou mensal e é definido pelo número de matrizes a ser utilizado.

O criador deve estar bem organizado para permitir que a cobertura seja feita com o máximo sucesso. Existem diferentes formas de manejo da cobertura. O lote de matrizes e leitoas a ser coberto fica num piquete próximo ao piquete do macho. Duas ou três vezes por dia, o tratador realiza o diagnóstico de cio das matrizes desmamadas.

Quando estas matrizes manifestam cio, elas são transferidas para o piquete do macho onde se realizam as coberturas. Após a cobrição as matrizes retornam para os piquetes de gestação e aproximadamente 21 dias após a cobertura realiza-se o teste de prenhes.
As fêmeas, durante a gestação, são mantidas em piquetes coletivos com sistema rotativo de piquetes.

Não se recomenda lotes com mais de 10 matrizes, em função do sistema de alimentação.Cinco a dez dias antes do parto são transferidas para piquetes de maternidade, individuais ou coletivos, para que se adaptem às cabanas e construam seus ninhos. Recomenda-se manter um afastamento superior a 20 metros entre as cabanas de maternidade para facilitar o isolamento durante o parto.

O manejo sanitário realizado nesta fase, preconiza a aplicação de uma dose de vacina tríplice contra Parvovirose. Leptospirose e Erisipela. Outras vacinas contra Colibacilose e Rinite Atrofica, são abolidas devido a condição em que os leitões são criados, ou seja, livres e sem contato com fontes de contaminações.

Com 3 dias de antecedência ao parto deve-se colocar dentro das cabanas uma camada de um material absorvente, livre de umidade, de boa qualidade e de fácil aquisição na região. Essa cama pode ser de maravalha, palha de milho, casca de arroz, fenos diversos e outras mais. A camada não deve ser menor que 10cm, para que a porca faça um bom ninho..

As práticas de manejo dos recém nascidos seguem as mesmas do sistema fechado, ou seja, uniformização do tamanho e peso das leitegadas no primeiro dia de vida, corte dos dentes e aplicação de ferro dextrano no segundo dia, identificação dos leitões (mossagem, brincos) no sexto dia, castração e aplicação de um anti-parasitário entre o sétimo e décimo dia.
Em geral, o desmame é feito entre 25 a 35 dias de idade.

Leitões nascidos ao ar livre se adaptam facilmente às mudanças ambientais e ao estresse do desmame e apresentam um maior consumo alimentar, quando comparados com leitões mantidos em sistemas convencionais, durante a fase inicial de transição.

A diferença entre os leitões mantidos ao ar livre e os leitões mantidos em unidades convencionais podem estar associados com o genótipo ou com o ambiente durante amamentação.


Fonte: Jefferson Henrique , Fazu , Agronomia 

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