segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ovelhas Booroola


O gene da mutação que provoca a múltipla ovulação pode ter uma ou duas cópias. No caso de ter uma única cópia, a característica de reprodução é aumentada de 100% a 150%, ou seja, a ovelha consegue ter de duas a três ovulações por ciclo, em vez de só uma. Já as ovelhas com duas cópias do gene Booroola têm de quatro a cinco ovulações.


Booroola é uma mutação genética que tem a característica de aumentar a produção de óvulos por ciclo e, com isso, consegue mais do que dobrar a quantidade de carneiros nascidos por parto, aumentando a produtividade do rebanho. Normalmente, uma ovelha tem um cordeiro por parto, mas as ovelhas Booroola conseguem parir até cinco animais.

 Usando os animais com essas condições que nós trabalhamos aqui na Região Sul, a gente tem condição de duplicar a quantidade de cordeiro desmamado usando a mesma área pastoril. O performance normal aqui é: para cada 100 ovelhas se desmama 70 cordeiros. Usando animais Booroola, a gente consegue desmamar até 150 cordeiros. 



As ovelhas portadoras da mutação Booroola não têm nenhuma característica morfológica que as distingua das demais ovelhas. A única diferença é a maior taxa de ovulação nas fêmeas que têm essa mutação. O maior benefício é o aumento da produtividade — explica o médico veterinário Carlos Hoff de Souza, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul.

A metodologia Booroola começou a ser usada há apenas cinco anos no Brasil, mas não é nova. Ela foi importada pela Embrapa nos anos 1970, vinda da Nova Zelândia, e foi avaliada durante muitos anos. Na época da importação, o tipo de criação dos animais da época e algumas limitações fizeram a Embrapa preferir esperar para usar a mutação genética nos rebanhos brasileiros. 


Hoje, a característica Booroola é muito interessante para os rebanhos comerciais porque a maioria dos produtores de ovelha do País estão voltados para a produção de carne e já há tecnologia suficiente para lidar de forma mais exata com o gene destes animais.
Neste momento, é importante o uso dessa genética porque a maioria dos rebanhos tem o principal interesse hoje focado na produção de carne e, por consequência, é importante o número de cordeiros nascidos. Outra coisa que mudou muito no Brasil desde que esses animais chegaram é que, em 2001, conseguimos identificar exatamente qual era a mutação genética que conferia essa característica aos animais, ou seja, nós temos como testar qual é o genótipo destes animais através de técnicas moleculares que naquela época nós não conseguíamos. 

Na década de 1970, nós demorávamos três anos para distinguir o genótipo de um carneiro porque nós precisávamos fazer teste de progênie, hoje, através de uma técnica de PCE, nós conseguimos identificar o genótipo desse animal em três horas e isso facilita muito o manejo e a introdução dessa técnica nos rebanhos comerciais — diz Hoff.

A princípio a mutação Booroola pode ser introduzida em qualquer espécie de carneiro, no entanto ela só é vantajosa se a raça for voltada para a produção de carne. Por isso, a Embrapa Pecuária Sul está aplicando a técnica nas ovelhas Corriedale e Texel, que são as mais criadas para produção de carne na Região Sul.

Fonte: Portal dia de Campo

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