quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Alface transgênico pode ajudar no diagnóstico de dengue


Uma pesquisa em parceria entre a Universidade de Brasília – UnB, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Fiocruz pretende utilizar plantas transgênicas de alface para diagnosticar o vírus da dengue. A ideia é produzir um kit de diagnóstico mais econômico e eficiente para agilizar a detecção da doença pela rede pública de saúde no Brasil. Hoje, no mundo, já se sabe que a biotecnologia pode ser uma forte aliada da saúde humana e que os kits de diagnósticos à base de plantas representam cerca de um décimo do valor dos convencionais.

O processo de transformação genética das plantas está sendo conduzido na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, sob a supervisão do pesquisador Francisco Aragão e consiste na introdução de uma parte do gene do vírus da dengue em DNA do cloroplasto de alfaces. As plantas são, então, colocadas em um meio de cultura com antibiótico que garantirá que apenas as células que receberem o gene do vírus sobrevivam. Por fim, as plantas são transferidas para um tubo para regeneração.

Esse processo leva cerca de quatro meses e as alfaces geneticamente modificadas são mantidas em casas de vegetação seguras e específicas para esses organismos na Unidade da Embrapa.

O kit terá um reagente produzido com a planta transgênica de alface na qual foi injetada o gene do vírus da dengue. A alface transgênica produzirá uma partícula viral defeituosa que será aproveitada em reagente, a ser misturado ao sangue coletado. Conforme a reação, o medicamento indicará se o paciente está com os anticorpos do vírus da dengue.

Novo kit pode reduzir necessidade de importação

“O Brasil precisa ter mais alternativas para o diagnóstico da dengue. Hoje em dia, o país não tem condições de produzir a quantidade de antígeno que precisa e acaba tendo que importar de outros países, como a Austrália. A nova alternativa poderá acabar com a necessidade do país em importar o kit diagnóstico”, explica o pesquisador Tatsuya Nagata, do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília.

Segundo o professor, a utilização de alface é a melhor opção na relação custo/benefício. Outros métodos com células de mamíferos, células de insetos, leveduras e bactérias também são utilizados para a preparação de vacinas ou para o diagnóstico de doenças, mas as plantas aproximam-se mais do sistema do ser humano e, por isso, garantem melhor qualidade. “Bactérias e leveduras têm um sistema celular mais primitivo do que o da alface.

Pesquisa está em fase de validação

O antígeno está sendo testado com sangue de pessoas que tiveram a doença registradas no banco de dados da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz. “Por enquanto os resultados estão sendo positivos, mas a validação ainda deve demorar uns dois anos, pois precisamos de um aproveitamento de cerca de 95% para poder pensar na comercialização do produto em grande escala”, explica a doutoranda da Fiocruz Franciele Maldaner, que também faz parte da pesquisa.


Fernanda Diniz(4685/89/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Fones: (61) 3448-4769 e 3340-3672

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