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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Interpretação de análise química do solo para a cultura do milho


A interpretação das análises de solo e o cálculo da adubação para a cultura do milho podem variar de acordo com o método de análise e com os procedimentos de interpretação utilizados. Os níveis de nutrientes detectados e os coeficientes utilizados em cada análise dependem grandemente da região do país, do tipo de solo analisado, e da metologia de análise utilizada pelo laboratório. Assim, é muito importante sempre consultar um profissional da região e obter informações junto a entidades de pesquisa, universidades locais, cooperativas, empresas de consultoria técnica ou o engenheiro agrônomo de sua confiança.


Passos para a correta interpretação e decisões com base na análise de solo:

Verificando a CTC a pH 7,0

Quando é verificada a CTC (capacidade de troca catiônica), indiretamente, está se medindo a atividade e a quantidade de argila presente no solo, e principalmente, a quantidade e qualidade da matéria orgânica deste solo. É recomendado que você saiba quais são os valores médios da CTC a pH 7,0 da sua região, para que possa ter um padrão de comparação.

Verificar a saturação de bases (V%) deste solo

Existem controvérsias a respeito do valor considerado ideal para a saturação de bases na cultura do milho. Na prática, percebe-se que o valor que apresenta menor possibilidade de erros, é V% = 60. Para o cálculo da quantidade percentual de Cálcio e Magnésio, que deve ser utilizada na correção do solo, é importante considerar as pesquisas regionais, a CTC a pH 7,0, a quantidade de argila e, principalmente, a matéria orgânica do solo.

Nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, por exemplo, onde a CTC é elevada, os solos são menos intemperizados, ou seja bastante ativos. Nestes solos, grande parte do alumínio existente pode passar para a fase disponível facilmente. Desta forma, nestes solos, favorecidos pela pequena redução de pH/aumento de H+ no solo, é possível trabalhar com saturações de bases mais elevadas. Já no caso de solos do Cerrado, saturações de base mais elevadas (acima de 50%) podem contribuir para a indisponibilização de micronutrientes como o Mn, Zn, Fe e o Cu.

Valores de Alumínio

É importante que, antes de se fazer o cálculo da calagem, se verifique os valores absolutos e relativos (%) de Alumínio presentes no solo. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina existe grande quantidade de Alumínio no solo. Desta forma, mesmo com saturações de bases acima de 60%, o excesso de Alumínio ainda pode prejudicar o crescimento das raízes do milho. Em solos mais intemperizados, como é o caso do Cerrado, quando a saturação de Alumínio está próxima a 40%, geralmente este mineral já se encontra indisponível, não causando problemas para a cultura. Nos solos com histórico de plantio direto, com alto teor de matéria orgânica, é comum encontrar altos teores de Alumínio trocável, porém, sem causar danos às raízes, uma vez que o mineral se encontra complexado pela matéria orgânica.

Calagem

Nos locais em que se utiliza o método de saturação de bases para o cálculo da quantidade de calcário, se o V% (saturação de bases) for inadequado para a região, recomenda-se a calagem. A quantidade de calcário a ser aplicada é calculada utilizando-se a seguinte fórmula:

NC = (V2-V1) x T
         ----------------
              PRNT

Onde:

NC = necessidade de calcário toneladas/ha;
V2 = saturação de bases para a região
T =CTC a pH 7,0;
PRNT = Poder Relativo de Neutralização. Total do Calcário, dado em percentual.
NC = (V2 - V1) x T
Para a definição de qual o tipo de calcário que se deve utilizar, observe a relação Cálcio/Magnésio:

- Ca/Mg > 3, dê preferência para calcário dolomítico;
- Ca/Mg < 3, dê preferência para calcário calcítico;
- Ca/Mg = 3 em áreas acima de 3 anos de cultivo, com níveis médios de cálcio e magnésio, usar calcário em que a relação Ca/Mg seja próxima a 3/1;
- Relação Ca/Mg de áreas novas e/ou com valores muito baixos, usar, preferencialmente, calcário dolomítico. As relações entre os nutrientes passam a ser cada vez mais importantes quanto mais estes estiverem no limite. No caso da utilização do método SMP existe uma tabela específica para o cálculo da quantidade de calcário a ser aplicada.

Interpretação do valor do pH do solo

O pH do solo serve como um indicativo da situação do solo. A faixa de pH ideal pode ser considerada entre 4,5 a 7,5, sendo que valores abaixo ou acima desta faixa, podem causar danos à cultura. Solos com pH abaixo de 4,5, provavelmente, possuem baixos teores de Cálcio e Magnésio, altos teores de Alumínio, e grande capacidade de fixação de Fósforo. Solos com pH acima de 7,5 possuem altas restrições quanto à disponibilidade de micronutrientes. Há ainda o pensamento errôneo de que devem-se procurar híbridos que se adaptem a pH baixos, quando o correto é resolver este problema por meio da correção do solo através da seleção do corretivo.

Nitrogênio

Considerando-se os teores de matéria orgânica e os teores de Nitrogênio do solo, a regra básica é que a quantidade necessária de nitrogênio a ser aplicada para a produção de um saco (60 kg) de milho, varia entre 0,75 kg até 1,2 kg. Nos casos de plantio de milho após feijão, soja precoce bem adubada ou coberturas de solo que forneçam Nitrogênio para o sistema, como por exemplo o nabo forrageiro, e em condições favoráveis de precipitação e temperatura, a quantidade de Nitrogênio aplicada poderá ser mais baixa. Nos plantios de milho após gramíneas, como aveia e trigo, este nutriente estará em baixa disponibilidade no solo, sendo necessária a aplicação de doses mais altas.

Isso, principalmente, porque durante as fases iniciais de desenvolvimento da cultura do milho, os microorganismos se utilizarão do Nitrogênio contido no solo como fonte de energia para decompor essa aveia ou trigo concorrendo, assim, com a cultura do milho. Pode-se considerar como um valor médio a aplicação de 1 kg de N por saco de 60 kg que se deseja produzir. Na prática, o que ocorre é que a necessidade de Nitrogênio aumenta com o acréscimo da produtividade. Assim, a cultura necessita cerca de 0,7 kg a 0,8 kg N por saco de grãos produzidos para produtividades até 6.000 kg por hectare.

Ao redor de 0,8 a 1,0 kg N por saco de grãos para produtividades entre 6.000 e 7.500 kg por hectare, e assim por diante. Entretanto, estas taxas de absorção por nível de produtividade não fixas podem variar conforme o híbrido, manejo, condições ambientais, etc. Mas, servem como parâmetro básico. Já no caso da safrinha, devido às peculiaridades de clima e aos residuais deixados quando o milho safrinha é plantado após a cultura da soja, a quantidade de Nitrogênio necessária é geralmente menor, cerca de 0,3 kg de N por saco de milho que se deseja produzir. Porém, num patamar de produtividade menor quando comparado com a safra verão.

Fósforo

Ao interpretar a análise de solo para o cálculo de quantidade de Fósforo, devem ser observados alguns fatores: a) Qual o extrator utilizado: Mehlich ou Resina? Os valores de interpretação da análise são diferentes para os diferentes extratores. Caso isso não seja observado, pode-se classificar o teor de Fósforo errôneamente; b) Quantidade de argila; c) O histórico da área quanto à aplicação de fosfatos naturais. Caso o produtor tenha aplicado fosfatos naturais recentemente, os teores de Fósforo podem ser superestimados quando o extrator utilizado for o Mehlich. Isto também ocorre quando a saturação de bases é elevada. Depois de observados esses fatores, podem-se utilizar tabelas estaduais para o cálculo da recomendação de Fósforo de acordo com a produtividade desejada.

Potássio

O Potássio não é retido pela matéria orgânica, não é fixado no solo como o Fósforo (com exceção de alguns solos do Rio Grande do Sul que possuem argila 2:1), não lixivia como o Nitrogênio e está disponível no solo na maioria dos casos. Assim, pode ser tratado como prontamente disponível. Na CTC a pH 7,0, o ideal é que a quantidade de Potássio apresente 5% de saturação. Alguns técnicos consideram que se a CTC a pH 7,0 for maior que 8,0 cmolc/dm , a quantidade ideal de Potássio deve ser de 3% a 4%. Caso a CTC a pH 7,0 for menor que 8,0 cmolc/dm , a quantidade ideal é de 5%.

Enxofre e Micronutrientes  

A dinâmica do Enxofre no solo é bastante similar à do Nitrogênio e os níveis críticos, geralmente, estão nas camadas inferiores entre 20 a 40 cm. Apesar de o milho não ter alta necessidade de Enxofre, é importante observar os teores deste nutriente, uma vez que teores muito baixos podem apresentar restrições a produtividades mais altas.

Já os micronutrientes requerem uma amostragem bastante representativa no solo. Alguns técnicos recomendam que a melhor forma de visualizar realmente a quantidade de Micronutrientes em uma área é por meio da análise foliar. No caso dos micronutrientes, o extrator utilizado também é muito importante no resultado final da análise. Sugere-se, nestes casos, informar-se como devem ser retiradas as amostras e, também, sobre a qualificação do laboratório. Hoje, no Brasil, existem laboratórios de análise de solo credenciados por meio de um selo de qualidade. Informe-se antes.



Fonte: Reahgro     Autor: Fernando Rati – Engenheiro Agrônomo, Equipe ReHAgro

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