segunda-feira, 11 de julho de 2011

Polpa De Bambu Da Resistência ao Fibrocimento

Uma pesquisa realizada junto ao Laboratório Construções & Ambiência da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, mostrou que é possível a obtenção de polpa de bambu pelo método organossolve, técnica que utiliza reagentes orgânicos e facilita a recuperação dos solventes utilizados e da lignina (um dos componentes do bambu).
O estudo, desenvolvido pela engenheira agrícola Viviane da Costa Correa, constatou também que a polpa obtida pode ser adicionada a matriz cimentícia, dando uma maior resistência às placas de fibrocimento, inibindo a propagação de fissuras e proporcionando uma maior absorção de impactos em relação a matriz sem fibras.
Os dados estão descritos na dissertação de mestrado Produção e caracterização de polpa organossolve de bambu para reforço de matrizes cimentíciasapresentada por Viviane no último mês de março à FZEA. O professor Holmer Savastano Junior, coordenador do Laboratório Construções & Ambiência, foi o orientador do estudo.
Uma das linhas de pesquisa do Laboratório Construções & Ambiência envolve a adição, na matriz cimentícia, de fibras residuais da agroindústria, como bagaço de cana-de-açúcar e resíduo da produção de sisal, visando a produção de telhas e fibrocimento. “Neste estudo utilizamos o bambu pois ele apresenta a vantagem de ter um crescimento mais rápido que a madeira e suas fibras são bem resistentes”, conta a pesquisadora. Viviane utilizou bambu (Bambusa tuldoides) de uma plantação encontrada no campus da FZEA.
Na imagem, a polpa organossolve de bambu obtida no estudo
Viviane explica que a obtenção da polpa geralmente é feita em um processo denominado kraft, utilizado em larga escala industrial para a fabricação de papel a partir da madeira. São utilizadas diversas substâncias químicas que separam os seus componentes, como a lignina e a celulose. No processo organossolve para obtenção da polpa de bambu, são utilizados solventes orgânicos.
Na pesquisa de Viviane foram usados etanol e água, bem menos poluentes que os agentes químicos do processo kraft. “Uma das constatações do estudo é a viabilidade do método organossolve para obtenção da polpa de bambu. Ele poderia ser usado por pequenos produtores para produções em baixa escala e a lignina extraída poderia ser comercializada”, destaca. Outra vantagem é a menor emissão de enxofre no ambiente.
Matriz
A segunda etapa do estudo avaliou a adição da polpa de bambu a matriz cimentícia, em diferentes proporções, visando a fabricação de placas de fibrocimento. A adição foi realizada na proporção de 6, 8, 10 e 12% de teores em massa seca, em relação a matriz cimentícia. “Os testes que realizamos mostraram que a adição de 8% de polpa de bambu apresentou os melhores resultados.”
Placa de fibrocimento reforçada com polpa organossolve de bambu
A pesquisadora comenta ainda que, nos testes de absorção de água, as placas de cimento reforçadas com polpa de bambu apresentaram um percentual máximo de 26%. “A norma para fibrocimento estabelece 37% como limite máximo de absorção, mostrando mais uma vantagem do produto.”
Viviane destaca a colaboração do professor Antonio Aprigio  Curvelo, um dos coordenadores do grupo de Físico-Química Orgânica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP. “O professor Curvelo foi quem nos deu aporte durante a fase de obtenção da polpa de bambu pelo método organossolve, nos orientando e disponibilizando os equipamentos e infra-estrutura do laboratóio para a produção da polpa, além do fato de ele ser especialista em polpação organossolve”, finaliza.
Imagens cedidas pela pesquisadora
Mais informações: (19) 3565-4176, no Laboratório Construções & Ambiência


Fonte: Agência USP de Notícias   Autora : Valéria Dias

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