quarta-feira, 27 de julho de 2011

Desafios e Oportunidades da Aqüicultura


Custo da ração, eficiência produtiva, sanidade, qualidade das matérias-primas e sustentabilidade do cultivo são destacados entre os principais desafios da aquicultura mundial pelo biólogo marinho e diretor mundial de aquicultura da Novus Internacional, Francisco Saraiva Gomes, durante a palestra Perspectivas para o desenvolvimento industrial da aquacultura.

“A aquicultura tem cinco desafios diferentes. O mercado vive um cenário de custos elevados e baixos preços de venda, impactando na margem do produtor. Por isso é importante investir em eficiência produtiva, reduzir o custo de produção para garantir margens aos produtores”, disse o especialista. Para ele, este desafio leva a todos os outros.

“A gestão da saúde dos animais é igualmente importante, pois o meio aquático tem desafios para manipular vacinas, por exemplo. Administrar a saúde dos animais fica mais difícil e impacta na produtividade da cadeia”, afirmou Saraiva Gomes, que ainda chama a atenção para a qualidade das matérias-primas das rações. “Ter uma ração de boa qualidade é fundamental para o desafio de produzir mais com áreas menores, que significa maior produtividade por área e volume”.

O executivo defende ainda a sustentabilidade do cultivo. “As interações entre os animais e o meio de cultivo são muito maiores e mais intensas neste segmento. Portanto, a capacidade de suporte do sistema varia de forma muito mais rápida e com maior amplitude”, disse o especialista, lembrando que “para a aqüicultura se desenvolver como indústria, tem que maximizar sua capacidade de suporte, melhorando a qualidade do meio em relacao as necessidades dos animais”.

Inovação e Marketing para aquicultura
Gomes aposta em inovações tecnológicas e investimentos em marketing como as principais ferramentas para contribuir com estes desafios. “A aqüicultura tem que avançar em inovação de tecnologias e marketing para colocar o produto no mercado”.

A competitividade da aqüicultura depende de inovações nas áreas de nutrição e saúde animal, ressalta o executivo. “As inovações mais importantes serão nas áreas de gestão de saúde, saúde intestinal, vacinas, genética e domesticação e tratamentos de águas e solos”.

Ele explica que a industrialização do setor é recente, mas tem potencial de grande desenvolvimento. “Em 1970, a aquicultura era responsável por menos de 3% de toda a produção animal do mundo. Em 2010 já era de 15% e em 2020 será de cerca de 25%, ou seja,em 50 anos, a aquicultura será uma forte concorrente de matérias-primas”.

O especialista acredita que até 2050 a atividade será a maior fonte de produção de proteína animal do mundo. “Neste ano, o setor deve produzir entre 37 e 40 milhões de toneladas de carne. A nossa perspectiva é que até 2050 a produção salte para cerca de 400 milhões de toneladas”.

O especialista esteve no Brasil para participar do Congresso Mundial de Aquicultura (World Aquaculture Society - WAS), que aconteceu na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte.

Fonte: O Presente Rural e Instituto da Pesca

0 comentários

Postar um comentário