quinta-feira, 7 de julho de 2011

Aleitamento Artificial de Bezerras


O fornecimento de leite para bezerras em aleitamento artificial, visando a desmama precoce, pode ser realizado com baldes, prática usada desde os primórdios da implementação da atividade (foto 1, década de 1940, na Inglaterra), até os dias atuais, para possibilitar economia no processo de criação de novilhas. Por instinto, o bezerro recém nascido estica o pescoço e levanta a cabeça para mamar (foto 2) mas, para receber leite no balde, há necessidade de ensiná-lo a sugar com a cabeça para baixo como visualizado na foto histórica.





O uso de balde no aleitamento de recém nascidos requer treinamento do animal por uma pessoa pacienciosa, que ensina o bezerro a sugar lentamente o leite. Para tanto, o bezerro é induzido a sugar o dedo, e então a mão é introduzida no balde e quando houver a sucção o dedo é lentamente retirado. O aprendizado pode ser curto ou longo, dependendo do animal. Quando bem conduzido, o método traz bons resultados, e uma das vantagens refere-se ao fato de que a limpeza do recipiente é mais fácil de ser executada.

Bicos colocados em baldes ou em mamadeiras podem ser utilizados para aleitamento artificial por facilitar a tarefa de fornecimento de leite, eliminando o tempo dedicado ao treinamento do bezerro, que às vezes pode ser longo e exigir a contenção do animal entre as pernas ou em um canto da baia. Entretanto, exigirão cuidados maiores com limpeza dos recipientes. Apresentam a vantagem de possibilitar ao bezerro exercer um ato reflexo com o pescoço e a cabeça na posição natural, como pode ser visto nas fotos 3 e 4. 
  





Outra utilização de bicos diz respeito à possibilidade de contar com recipientes para aleitamento de bezerros em baias coletivas, onde grande número de animais a serem alimentados torna a atividade difícil de ser executada por causa de escassez e custo elevado da mão de obra. Nessas condições um volume de leite adequado é oferecido, e parte-se da premissa de que todos receberão a mesma quantidade. As fotos 5 e 6 mostram exemplos de aleitadores para vários animais.










Quando se usa recipiente com bico, algumas vezes corta-se a ponta ou faz-se a ampliação do orifício, visando acelerar o processo de fornecimento de leite. Essa atitude poderá provocar problemas sérios pois, se o leite ingerido com sofreguidão entrar pela traquéia, pode resultar em infecção pulmonar séria e grande mortalidade. Este problema foi detectado em várias fazendas brasileiras, por falta de orientação dos tratadores.

É importante que o orifício do bico imponha alguma resistência (como o esfíncter da teta), pois o bezerro geralmente executa de 80 a 120 sucções por minuto e consegue criar uma pressão diferencial no canal da teta de cerca de 535 mmHg, o que possibilita um fluxo mais rápido de leite que as ordenhadeiras. Assim, o aumento no volume sugado pela ampliação do orifício do bico, além de reduzir o tempo de sucção, também poderá causar dificuldades na tarefa de criar bem as bezerras.



Fonte: Rural Leite  Autor: Vidal Pedroso de Faria


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