terça-feira, 14 de junho de 2011

Silício na Agricultura - Redução de Agrotóxico - Eficaz na Prevenção e Resistência de Pragas e Doenças


O silício (Si) é o segundo elemento em abundância na crosta terrestre, sendo o oxigênio (O) o primeiro. O elemento silício (Si) é considerado um nutriente "benéfico", não sendo essencial para as plantas. Apesar disso, os silicatos são absorvidos pelas plantas em grandes quantidades, podendo superar a absorção de alguns macronutrientes em certas espécies de plantas.

O uso de silício na agricultura é interessante pelo enorme potencial para diminuir o uso de agrotóxicos e aumentar a produtividade através de uma nutrição equilibrada.


Principais Fontes de Silício

As principais fontes de silício para uso na agricultura são:
-escórias de siderurgia,
-wollastonita, é um silicato de cálcio muito empregado em experimentação como fonte de Si.   -subprodutos da produção de fósforo elementar,
-silicato de cálcio,
-silicato de sódio,
-cimento,
-termofosfato,
-silicato de magnésio e silicato de potássio.


Silício no Solo

O silício normalmente é fornecido ao solo em forma de Silicato. Para que o Silicato seja empregado no solo é necessária a retirada dos metais pesados, algumas vezes em alta concentração, o que pode provocar sérios problemas ambientais.

Algumas características para uma boa fonte de silício na agricultura são: alta concentração de silício solúvel, boas propriedades físicas, facilidade para aplicação mecanizada na área, boa disponibilidade para as plantas, boa relação e quantidade de Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg), baixo custo para o agricultor.

O silicato ao ser aplicado no solo proporciona vários efeitos benéficos, tais como:

- Correção da acidez do solo (aumento do pH);
- Redução do efeito do alumínio trocável;
- Aumento dos teores de cálcio e magnésio;
- Aumento na disponibilidade de fósforo e micronutrientes, pelo fato do Silício fornecido ao solo competir com estes elementos, reduzindo sua fixação e aumentando a liberação para as plantas;
- Redução no efeito tóxico do ferro, manganês e alumínio;
- Aumento da saturação por bases do solo;
- Aumento do teor de Silício solúvel no solo.


Os silicatos são aplicados no solo principalmente na forma sólida (pó ou granulado), mas também podem ser aplicados na forma líquida (via solo ou via foliar).Normalmente, os silicatos em pó são incorporados em área total. Já os granulados são aplicados em linha no pé da cultura, juntamente com outros adubos. Os granulados são capazes de fornecer o Silício mais próximo ao sistema radicular, favorecendo a absorção pelas plantas, além de reduzir o custo da fórmula.



Silício na Planta

O silício é absorvido pelas plantas na forma de ácido monossilícico(H4SiO4), juntamente com água (fluxo de massa) e se acumula principalmente nas áreas de máxima transpiração (tricomas,espinhos, etc.) como ácido silícico polimerizado (sílica amorfa). Na planta, o silício concentra-se nos tecidos de suporte, do caule (colmo da planta), nas folhas e também em pequenas quantidades nos grãos

O silício confere à planta:

- Maior tolerância às pragas (sugadores e mastigadores) e doenças (principalmente fúngicas), devido a maior resistência da parede celular em razão da presença de sílica. O silício acumulado na superfície das folhas polimeriza e forma uma camada dura, resistente e difícil de ser penetrada pelos insetos e fungos.
-Maior resistência ao acamamento (tombamento)
-Maior taxa fotossintética devido à melhoria da arquitetura foliar pela presença de maior quantidade de silício nos tecidos de sustentação/suporte do caule e das folhas.
-O acúmulo de silício nas folhas forma uma dupla camada de sílica que provoca a diminuição na abertura dos estômatos, reduzindo a perda de água devido à redução da transpiração, podendo ser um fator de adaptação ao estresse hídrico.
-Reduz os danos provocados pela geada.


O silício é pouco móvel na planta tendo dificuldade em alcançar as folhas, brotos, e frutos, daí a necessidade de pulverizações frequentes quando aplicado via foliar. Ele pode ser misturado aos micronutrientes para aplicação foliar, à calda bordalesa ou sulfocálcica, aos inseticidas e fungicidas químicos e biológicos.

Várias culturas importantes são beneficiadas pela aplicação de silício, como soja, milho, arroz, trigo, algodão e cana-de-açúcar, já que em boa parte dos solos do Brasil os níveis de silício são muito baixos. Portanto, o silício deve ser incluído na adubação de certas culturas de modo a garantir a sustentabilidade da produção agrícola.

Na cultura da soja, trabalhos mostram que com adubação de silicato, há aumento na produtividade, altura da planta, números de vagens, matéria seca da parte aérea e das raízes. Já foram observados sintomas de deficiência de silício na soja, que resultou má formação de folhas novas e redução da fertilidade dos grãos de pólen.

Na cultura do algodoeiro, a aplicação de silício via solo pode promover o crescimento mais rápido do algodão.  Pode também aumentar o número total de capulhos e ramos frutíferos, além de aumentar o tamanho dos capulhos e a porcentagem de fibra.

A cana-de-açúcar é uma cultura acumuladora de silício, e responde bem à adubação silicatada, que aumenta o comprimento e o diâmetro dos colmos e o número de perfilhos, o que promove uma maior produtividade. Alguns trabalhos têm demonstrado aumento no teor de açúcar quando se aplica silício em solos pobres, com baixa concentração de silício disponível. O sintoma de deficiência de silício na cana de açúcar são manchas pardas nas folhas e, nas partes mais iluminadas do limbo, há o aparecimento de manchas de cor prata. Maiores concentrações de silício na cana de açúcar aparecem nos colmos e nas folhas.


A adubação silicatada em milho aumenta o teor de silício nas folhas, podendo, portanto, dificultar a alimentação das lagartas, causando aumento de mortalidade e canibalismo, tornando as plantas de milho mais resistentes à lagarta-do-cartucho.No Brasil há grandes fontes de Silício, o que possibilita ao agricultor optar por uma tecnologia que se revela eficaz, do ponto de vista técnico, no aumento da produtividade, na prevenção e resistência contra pragas e doenças e na redução do uso de agrotóxicos nas culturas. 


Fonte: Rehagro   Autor: Rafael Sá Fortes Silva, graduando em Agronomia

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