quarta-feira, 29 de junho de 2011

Poder Curativo das Plantas na Saúde Animal


O uso de plantas medicinais nos animais pode ser empregado nas diversas doenças como as que afetam as vias respiratórias, as entéricas e que são causadas por vários agentes patogênicos tais como fungos, bactérias ou vírus e as doenças causadas por ecto e endoparasitas. Dentre as doenças causadas por vírus as principais estão relacionadas, por exemplo, com os birnavírus, reovírus, circovírus, e herpesvírus e causam doenças em aves, bovinos, suínos e equinos. 

A melhor prática para uma vida saudável é a prevenção e certas medidas simples podem ser muito eficazes. A primeira delas é promover a redução da quantidade dos agentes causadores por meio da higiene e limpeza. Porém, quando esta prática não for suficiente, o mais recomendável é proceder-se a vacinação do indivíduo ou animal e que tem por finalidade estimular o sistema imune e dar condições ao organismo de se defender do agente causador da doença. As vacinas são preparadas de duas formas: uma pela utilização do micro-organismo patogênico inativado ou morto e a outra pelo agente atenuado. Assim, os animais ficam protegidos pela produção de anticorpos específicos e/ou pela resposta celular do antígeno introduzido no organismo levando a imunidade contra o agente patogênico.

Quando nenhuma dessas medidas for suficiente para o controle das doenças também existem dois caminhos para o tratamento: o convencional e o alternativo. No convencional, utilizam-se produtos químicos sintéticos que podem provocar poluição no meio ambiente e risco de intoxicação do produtor ou do animal. Além disso, pode ocorrer a presença de resíduos nos alimentos (carne, leite, ovos) e o surgimento da resistência do patógeno. Na prática alternativa, por outro lado, os produtos naturais geralmente são biodegradáveis, o custo de produção é baixo, além de propiciar o aproveitamento dos recursos da biodiversidade de forma sustentável e ser uma opção para o uso de insumos na agricultura agroecológica¹. 

Os extratos vegetais e fitoterápicos disponíveis na prática são poucos, devido a vários fatores, principalmente à falta de conhecimento detalhado da eficácia, à falta de padronização, a problemas durante o cultivo pela perda do princípio ativo, à variabilidade sazonal na composição da planta ou mesmo do seu estágio de desenvolvimento e também no seu preparo, no processo de extração, secagem, estocagem e estabilidade etc. Além disso, antes da comercialização, é preciso realizar estudos dos efeitos tóxicos e/ou antinutricionais, neurotóxicos, carcinogênicos, mutagênicos, toxicidade aguda, subaguda, crônica, reprodução e teratologia entre outras. Também é preciso ter conhecimento a respeito do mecanismo de ação dos compostos, da melhor forma de administração, dose e posologia.

 A utilização como suplemento alimentar ou funcional tem por objetivo melhorar o crescimento, a conversão alimentar, a redução da mortalidade e o controle de micro-organismos do trato gastrintestinal dos animais. Dentre os exemplos do uso como suplemento alimentar ou funcional em suínos foi realizada uma meta-análise para avaliar o desempenho comparativo entre a adição de extratos vegetais e uso de antimicrobianos sintéticos. Foram utilizadas 11 publicações e avaliados os dados do consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar com melhora no ganho de peso e também não foi constada diferenças significativas quando comparados entre a adição de extratos e os antimicrobianos sintéticos. As seguintes plantas foram estudadas para leitões: Allium sativum L. (alho);Curcuma longa; Echinacea purpurea L. Moenche (equinácea);Quillaja saponaria; Yucca schidigera; Origanum vulgari (orégano);Caryophyllus aromaticus (cravo da índia)4. 

Os principais patógenos de importância pertencem à família Trichostrongylidae que são vermes pequenos e capilariformes e o principal é oHaemonchus contortus. Em um trabalho realizado em 2006, foi feito um levantamento bibliográfico de plantas utilizadas como vermífugas sendo encontradas 106 espécies consideradas antiparasitárias e, destas, 8 espécies apresentaram evidências de alta atividade anti-helmíntica3. Destas 8, duas foram escolhidas, aDicksonia sellowiana (Presl) Hook. (xaxim), que apresentou alta eficácia na redução de ovos de helmintos gastrintestinais de ovinos, e a Pterocauron interruptum DC., com redução parasitária de 47% para trichostrongilídeos de ovinos.

O carrapato bovino afeta 75% da população causando danos como espoliação sanguínea, perda de peso ou de leite, intoxicação por toxinas na corrente sanguínea e transmissão de agentes infecciosos como riquétsias e a babesia. Em 2007, pesquisadores estudaram com sucesso o potencial acaricida de óleo de sementes de andiroba (Carapa guianensis Aubl.) com 100% de mortalidade de fêmeas ingurgitadas com inibição da ovipostura em testes in vitro de ácaros de bovinos².

As doenças causadas por vírus são os maiores desafios atuais na busca de alternativas de combate e muitos esforços têm sido feitos principalmente voltados para estudos com os herpesvírus. Esses patógenos são os mais escolhidos em modelos in vitro em experimentos que utilizam culturas celulares por apresentarem efeito citopático rápido, evidente e permitir a avaliação da inibição dos extratos vegetais sobre os vírus ou durante a sua replicação nas células.


Os produtos naturais ideais devem penetrar na célula visando parar ou prevenir a replicação viral sem causar danos à célula hospedeira, fato difícil de obter por que os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios e, assim, necessitam das ferramentas celulares para produção da progênie. Além disso, os produtos naturais devem ser muito pouco citotóxicos, ter um amplo espectro de ação e não induzir resistência viral.

Todos os requisitos tornam a busca por antivirais difícil e programas de seleção in vitro são adotados para otimizar a busca. Extratos de mais de 100 espécies de plantas já foram estudadas e entre as espécies de plantas mais promissoras estão vegetais muito conhecidos comoPersea americana (Abacate) e Peumus boldus (Boldo-do-Chile); e também espécies nativas tais como Campomanesia xanthocarpa(Gabiroba) e Xylopia aromatica (pimenta-de-macaco). 

Fonte: Instituto Biológico   Autores: Isabela Cristina Simoni
simoni@biologico.sp.gov.br

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