terça-feira, 7 de junho de 2011

" Ovelhas " Cortisol Interfere na Habilidade Materna




Os primeiros resultados de uma série de estudos realizados na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, mostram que ovelhas com boas habilidades maternas apresentam níveis gerais mais baixos de cortisol, hormônio envolvido com a resposta do organismo a situações de estresse.

Essas boas habilidades estão ligadas ao cuidado e a atenção que a mãe dispensa ao filhote, principalmente logo após o parto, e interferem diretamente na produção: quanto menor for o tempo até a primeira mamada, quando o filhote ingerir o colostro (primeiro leite produzido após o nascimento, muito rico em nutrientes e anticorpos), maiores serão as chances de o animal crescer saudável, ser mais resistente a doenças e apresentar mais ganho de peso ao longo da vida.

Estes são alguns dos resultados de uma linha de pesquisa coordenada pelo professor João Alberto Negrão no Laboratório de Fisiologia Animal da FZEA. Foi a partir de observações do comportamento de ovelhas (da raça Santa Inês) e seus filhotes durante o parto e em outras situações de estresse, como no desmame e na ordenha, que os pesquisadores relacionaram esses comportamentos com os níveis de cortisol das mães. O grupo recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
De acordo com o professor, o estresse fez parte do processo de adaptação e evolução de todos os animais. “Sem estresse não haveria possibilidades de o filhote se habituar a vida extra uterina. Já na ovelha, o estresse do parto é uma resposta fisiológica para que ela fique preparada para cuidar do filhote”, conta. João Negrão cita que logo após o parto, a mãe irá limpar o cordeiro e lamber seu focinho e boca para manter a região limpa e estimular que o filhote comece a respirar. A fêmea também irá incentivar que o animal se levante para mamar. As repostas fisiológicas, inclusive o estresse gerado pelo parto, estimulam o contato com o cordeiro. “Quanto mais rápido ele ficar de pé e ingerir o colostro, mais saudável ele será”, aponta.
Segundo o professor, quando a ovelha não está estressada, o nível de cortisol é constante. Mas em situações de estresse, como o próprio parto, a ordenha e a vacinação, os níveis de cortisol aumentam. No caso das ovelhas com boas habilidades maternas, esses níveis de cortisol são sempre mais baixos, em comparação às ovelhas cuja habilidades maternas são consideradas não tão boas. “O cortisol da mãe influencia no número de vezes e no tempo em que o cordeiro mama”, destaca o professor.
Ele conta que, antes do primeiro parto, é difícil determinar as habilidades maternas da ovelha e que na primeira cria a fêmea sempre tem dificuldades pois é uma experiência totalmente nova para ela. O professor conta ainda que há testes comportamentais que podem indicar se um animal é mais agitado ou calmo, mas que não há boa correlação entre esses fatores com as habilidades maternas.

Equação
Com base em observações do comportamento das ovelhas e de dados fisiológicos ligados às várias situações que esses animais vivenciam, os pesquisadores desenvolveram uma equação que ajuda a determinar de quanto é a probabilidade de determinado animal ter mais habilidades maternas. “Os resultados experimentais demonstraram que as ovelhas menos estressadas deixam de realizar atividades antes prioritárias (como comer e beber) para cuidar do cordeiro. Mas é preciso lembrar que há diversas variáveis, como dificuldades no parto, vitalidade do cordeiro, quantidade de colostro produzida, que podem interferir na ocorrência dessa probabilidade”, ressalta João Negrão.
“Os estudos que realizamos estão ligados aos aspectos fisiológicos e comportamentais das ovelhas. Esses resultados poderão gerar informações úteis para grupos que estudam a genética desses animais. Assim será possível determinar a expressão de genes dessas características comportamentais e interferir na produção”, completa o professor.
Como exemplo, ele cita uma raça de ovelhas da França denominada Lacaune. “Há cerca de 10 ou 15 anos, cada fêmea fornecia de 200 a 300 mililitros de leite em cada ordenha. Após diversos trabalhos de melhoramento genético realizados por pesquisadores franceses, atualmente essas ovelhas conseguem fornecer até 3 litros de leite por ordenha”, finaliza.
Os trabalhos têm participação dos pesquisadores Sandra A. De Oliveira (técnica de laboratório); Alice D. Rodrigues (doutoranda, bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)); Monalissa de M. Stradioto (doutoranda, bolsista da Fapesp); e de Rodrigo M. de S. Imediato (doutorando, bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)).

Mais informações: (19) 3565-4090begin_of_the_skype_highlighting (19) 3565-4090end_of_the_skype_highlighting / 4106 ou email jnegrao@usp.br, com o professor João Alberto Negrão

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