segunda-feira, 20 de junho de 2011

Morango Cultivo e Manejo



Nome popular da fruta: Morango
Nome científico: Fragaria x ananassa Duch.
Origem: Europa

Fruto: Os morangos são frutos falsos (pseudofrutos), sobre os quais se encontram os aquênios, que são os frutos verdadeiros, conhecidos popularmente como as pequenas “sementes” aderidas ao fruto. É resultante do desenvolvimento do receptáculo que, após a fecundação dos pistilos, fica proeminente e se transforma no fruto de coloração vermelha.

Planta: Morangueiro é a denominação de um conjunto de espécies, com seus híbridos e cultivares, do gênero Fragaria, que produz o morango, incluindo um conjunto grande de espécies e variedades silvestres. A espécie mais cultivada comercialmente é um híbrido (Fragaria x ananassa).

O morangueiro é uma planta herbácea e estolonífera, perene e rasteira, da família Rosaceae. Possui caule curto e fibroso, denominado coroa, de onde se desenvolve, no topo, as folhas e as gemas axilares. 

As gemas permanecem dormentes ou transformam-se em botões florais ou perfilhos (estolões), dependendo das condições climáticas, nutricionais e da planta. Dias curtos e temperaturas baixas induzem a produção de botões, enquanto dias longo e temperaturas altas induzem estolões.


Produção de matrizes para o cultivo do morango :

Para uma produção, o agricultor poderá plantar primeiro as matrizes que produzirão as mudas para seu cultivo ou então adquirir a muda de produções certificadas, garantindo um produto limpo de vírus e doenças.
Para produção de matrizes, prepara-se o solo, revolvendo até uma profundidade de 25 cm, adicionando adubo animal de curral curtido, cerca de 3 litros/m² ou a metade deste volume se o adubo for oriundo de cama de galinheiros.
Poderá substituir por composto orgânico completo, feito com resíduos vegetais mais adubo animal curtido e preparado em composteira, conforme artigo publicado sobre compostagem.
Acrescentar mais 100 g de superfosfato simples por cova, misturando de leve para evitar concentração.
O plantio destas matrizes deverá ser feita em dia ameno.

Usa-se o espaçamento de 1,0 x 2,0 m.
Regar a seguir e manter o controle dos inços com tratos culturais freqüentes.
Estas matrizes irão produzir estolhos que após o enraizamento e crescimento serão retirados e levados para os canteiros de produção.


Cultivo: Nas condições brasileiras, a cultura do morango é conduzida como cultura anual, com novos plantios a cada ano-safra. A produção de mudas é efetuada do final da primavera ao início do outono; a colheita dos frutos inicia-se dois meses após o transplante e estende-se do final do outono à primavera seguinte.

A definição da variedade depende do mercado de destino (consumo “in natura” ou industrialização), da suscetibilidade às pragas e doenças e da adaptabilidade à região de cultivo.

O morango figura entre as espécies cultivadas com maior sensibilidade a pragas e doenças e alta perecibilidade. Esta condição exige do produtor um contínuo esforço de manejo, especialmente fitossanitário, para que a fruta seja produzida com a aparência e a produtividade capazes de lhe proporcionar lucro. Entretanto, o uso indiscriminado e sem critérios plenamente definidos dos agrotóxicos pode originar problemas ainda mais sérios, reduzindo a qualidade e o acesso aos mercados.

A polinização é crítica para a produção econômica do morangueiro, pois depende do transporte do pólen pelo vento ou por insetos. Em condições naturais, geralmente, a polinização é deficiente. Problemas na polinização originam frutos deformados e de menor valor. O pólen é liberado durante dois ou três dias, entre 9 e 17 horas. Para que ocorra a polinização, a temperatura mínima deve ser de 12°C e a umidade relativa inferior a 94%.

Recomenda-se colocar conjuntos de caixas de abelhas próximos a área de plantio. Utiliza-se, como atrativo para as abelhas, principalmente no início da floração, mel, água e açúcar, visto que essa prática será realizada em períodos desfavoráveis para atividade dos insetos (temperatura baixa).

A produtividade é bastante variável. Produtores tecnificados obtêm, em média, 35 a 50 t/ha


Principais Cultivares

Campinas: cultivar de dias curtos e rústica; fruto grande e de bom sabor; tolerância à mancha angular (Xanthomonas fragariae); susceptível à rizoctoniose (Rhizoctonia), antracnose (Colletotrichum sp) e à murcha de verticilium (Verticillium albo-atrum).

Vila Nova: cultivar de dias curtos; planta de porte médio; folhas de densidade e tamanho médios e de coloração verde escura; ciclo precoce e alta produtividade. Frutos de formato cônico, longos e graúdos quando das flores primárias e secundárias e pequenos quando das flores terciárias e quaternárias. Os frutos são de dupla finalidade, apresentando sabor subácido, aroma intenso, polpa de textura média e de coloração vermelha, epiderme vermelha. Resistente à mancha de micosfarela (Mycosphaerella fragariae) e à mancha de dendrofoma (Dendrophoma obscurans), tolerante à antracnose (Colletotrichum fragariae) e susceptível ao mofo cinzento (Botrytis cinerea) e à podridão do colo e rizoma (Phytophtora cactorum).

Santa Clara: cultivar de dias curtos; planta de alto vigor, boa densidade de folhas que recobrem os frutos. Frutos de tamanho médio, formato irregular, epiderme vermelha escura; polpa de textura média e cor vermelha uniforme; ciclo médio e produtividade alta; sabor ácido e próprio para industrialização. Resistente à mancha de micosfarela (Mycosphaerella fragariae), à mancha de diplocarpon (Diplocarpon earliana) e à mancha de dendrofoma (Dendrophoma obscurans), tolerante à antracnose (Colletotrichum fragariae) e ao mofo cinzento (Botrytis cinerea).

Bürkley: cultivar de dias curtos; planta de alto vigor; folhas grandes e de coloração verde escura; muito alta capacidade de produção e ciclo precoce: Frutos grandes, polpa de textura média e de coloração vermelha clara; epiderme vermelha; sabor ácido próprio para a industrialização. Resistente à mancha de micosfarela (Mycosphaerella fragariae), à murcha de verticilium (Verticillium albo-atrum) e à mancha de dendrofoma (Dendrophoma obscurans), tolerante à mancha de diplocarpon (Diplocarpon earliana) e à antracnose (Colletotrichum fragariae) e susceptível ao mofo cinzento (Botrytis cinerea).

Tangi: cultivar de dias curtos; planta vigorosa, com folhas grandes e de coloração verde escura, apresentando muita pilosidade nos folíolos, característica que evidencia tolerância ao ácaro rajado; ciclo tardio e capacidade de produção mediana. Frutos de tamanho médio, polpa de textura média e de coloração rósea intensa; epiderme de coloração vermelha clara; sabor semi-ácido, próprio para consumo "in natura". Resistente à mancha de micosfarela (Mycosphaerella fragariae), tolerante à antracnose (Colletotrichum fragariae) e susceptível ao mofo cinzento (Botrytis cinerea).

Oso Grande: cultivar de dias curtos e de grande adaptabilidade; planta vigorosa, com folhas grandes e de coloração verde escura; ciclo mediano e elevada capacidade produtiva. Frutos de tamanho grande, polpa de textura firme no início da produção e mediana no final da colheita, de coloração vermelha clara e aromática; epiderme vermelha clara; sabor subácido, próprio para consumo "in natura". Tolerante ao mofo cinzento (Botrytis cinerea) e susceptível à mancha de micosfarela (Mycosphaerella fragariae) e à antracnose (Colletotrichum fragariae e Colletotrichum acutatum).

Tudla Milsey: cultivar de dias curtos; planta vigorosa com folhas grandes de coloração verde escura; ciclo tardio e com grande capacidade produtiva. Frutos de formato cônico ou de cunha alongado, de tamanho grande, polpa de textura firme e de coloração vermelha; epiderme vermelha; sabor subácido, próprio para consumo "in natura" ou congelamento em fatias ou cubos. Tolerante ao mofo cinzento (Botrytis cinerea) e susceptível à mancha de micosfarela (Mycosphaerella fragariae) e à antracnose (Colletotrichum fragariae e Colletotrichum acutatum).

Camarosa: cultivar de dias curtos; planta vigorosa com folhas grandes e coloração verde escura; ciclo precoce e com alta capacidade de produção. Frutos de tamanho grande; epiderme vermelha escura; polpa de textura firme e de coloração interna vermelha brilhante, escura e uniforme; sabor subácido, próprio para consumo "in natura" e industrialização. Susceptível à mancha de micosfarela (Mycosphaerella fragariae), à antracnose (Colletotrichum fragariae e Colletotrichum acutatum) e ao mofo cinzento (Botrytis cinerea).

Selva: cultivar de dias neutros; média produtividade; frutos de tamanho irregular, de coloração vermelha clara; polpa de textura muito firme; sabor subácido; susceptível às principais doenças que ocorrem no Brasil.

Seascape: cultivar de dias neutros; comportamento parecido com o da cultivar Selva, diferenciando-se principalmente por apresentar frutos grandes e de maior uniformidade, coloração interna dos frutos mais intensa, melhor sabor e polpa de textura firme.


Fonte: Sebrae e Embrapa

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