quarta-feira, 1 de junho de 2011

Limão Cultivo e Manejo


Nome popular da fruta: Limão tahiti (limão-verde)
Nome científico: Citrus latifolia Tan.
Origem: provavelmente Estados Unidos

Fruto: A lima Tahiti tem a peculiaridade de ser consumida verde. Possui uma casca geralmente fina, com superfície lisa, composta de duas frações distintas: o flavedo ou epicarpo e o albedo ou mesocarpo, facilmente separáveis da polpa, que corresponde à fração comestível do fruto. No flavedo encontram-se substâncias como carotenóides, vitaminas e óleo essencial. O albedo corresponde à porção esponjosa, branca e aderente à casca.

O peso médio do fruto do limão Tahiti é de 170 g. O suco das vesículas representa cerca de 45% a 50% do peso do fruto. Apresenta teor de ácido ascórbico (vitamina C) entre 20 e 40 mg/100 ml. Os frutos não têm sementes, pois o pólen e as células do óvulo degeneram durante a multiplicação celular na fecundação. Raramente são encontrados frutos com semente.

Planta: A lima ácida Tahiti, chamada popularmente de limão, é uma planta tropical de rápido crescimento, que alcança 4 a 6 metros de altura. A copa é arredondada e bem enfolhada. As folhas são de tamanho médio e com formato elíptico. Os botões florais e as pétalas são brancos e produzidos nas extremidades dos ramos, em grupos de dois a vinte. Não possui espinhos, o que facilita seu manejo.

Dentre as diversas espécies cítricas, a lima ácida Tahiti é considerada uma das mais precoces – a fase produtiva se inicia a partir do segundo ano de plantio. Floresce e frutifica ao longo do ano, mas tem maior produção de janeiro a junho e menor oferta de julho a dezembro. A produtividade depende do espaçamento da cultura e do porta-enxerto utilizado, conseguindo-se produtividades que variam de 6 a 21 t/ha.

Cultivo: A cultura da lima Tahiti exige atenção e planejamento pelo produtor, principalmente devido à forte concentração da oferta – de dezembro a abril – e aos diversos problemas de doenças e pragas enfrentados pela citricultura no país. 

Três pontos importantes devem ser, então, observados: adquirir as mudas de viveirista fiscalizado e, de preferência, produzidas em viveiro telado; evitar que as mudas tenham sempre o mesmo porta-enxerto, utilizando, no mínimo, dois porta-enxertos diferentes no pomar; e procurar, através do manejo, desviar parte da produção para fora do período de safra concentrada.

A utilização de mudas de boa qualidade é base para o sucesso e longevidade do pomar, garantindo a sua produtividade, menor incidência de doenças e, conseqüentemente, o retorno econômico do investimento. Recomenda-se adquirir as mudas de viveiristas idôneos e sob fiscalização, dando preferência para mudas produzidas sob telado, que evita a incidência de pragas e doenças.

Na obtenção das mudas, ainda, observar a utilização de diferentes porta-enxertos. Não é conveniente, para a formação de pomares de ‘Tahiti’, a utilização de apenas um porta-enxerto, em virtude dos riscos do aparecimento de novas doenças, que comprometam até 100% das plantas.

Os porta-enxertos mais recomendados são o limoeiro ‘Rugoso’ e o ‘Cravo’, que apresentam vantagens como crescimento rápido, boa produção, frutos de ótima qualidade e maior tolerância à seca e a tristeza-dos-citros (virose transmitida pelo pulgão preto). A desvantagem do uso desses porta-enxertos, principalmente em plantios irrigados, é serem muito atacados pelo fungo Phytophthora sp., causador da “Gomose” e “Podridão radicular”. Pode-se utilizar alternativamente os porta-enxertos ‘Trifoliata’, Citrange ‘Morton’, Tangelo ‘Orlando’, Tangerina ‘Cleópatra’ e Citrumelo ‘Swingle’. Em plantios mais adensados, o uso do porta-enxerto ‘Fly Dragon’ tem como vantagem desenvolver plantas de menor porte, o que facilita os tratos culturais e a colheita.

Para produzir fora do período de maior oferta do produto, o produtor deve eliminar os frutinhos na época de alta produção, adotar manejo adequado de irrigação e adubação, e assim conseguir alta produção na entressafra. 

Nos plantios irrigados, as sucessivas brotações dão origem a várias floradas que, por sua vez, dão origem a várias colheitas ao longo do ano, podendo acontecer períodos de colheita na entressafra, o que propicia melhores preços. Em plantios de sequeiro, a alternativa para produção na entressafra (setembro a dezembro) é o uso de reguladores de crescimento, como o ethephon e as giberelinas. No entanto, as variações climáticas interferem e não asseguram os resultados, o que demanda maiores estudos sobre esse assunto (dosagem, época e método de aplicação).

A lima ácida tahiti apresenta a peculiaridade, quanto à sua comercialização, da manutenção da cor verde da casca, que é extremamente desejável durante toda a vida útil pós-colheita desta fruta. O aparecimento da coloração amarela, total ou parcialmente, reduz sua aceitação pelo mercado consumidor, principalmente no exterior.

Usos: O suco do limão tahiti “in natura” é usado em culinária, na limpeza e preparo de alimentos (carnes, massas, bolos, confeitos). 

Mercado: Menos de 10% da produção brasileira de limão Tahiti é industrializada. A indústria de suco utiliza 40% a 50% do fruto, sendo o restante considerado resíduo industrial. Esse resíduo contém pectina, vitamina C e fibras, que os tornam matéria-prima para as indústrias alimentícia, farmacêutica e de rações. 

O óleo essencial da casca do tahiti é produto altamente valorizado, com uso amplo nas indústrias farmacêutica e de refrigerantes.




Fonte: Sebrae    Autor: Pierre Vilela

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