terça-feira, 31 de maio de 2011

Sablose: ocorrência, diagnóstico e prevenção


Os equinos, mesmo sendo seletivo para alimentos, quando mantidos sob manejo inadequado podem não preservar essa característica. Quando esta situação acontece pode levar à ingestão de areia pela água ou forragem oferecida no solo, acumulando no intestino do cavalo (Sullins, 1990).

A ingestão e o acúmulo de areia no trato gastrointestinal do equino, sablose, em quantidade limitada, normalmente não resulta em manifestações clínicas, mas se em quantidade significativa pode levar a diarreia crônica, perda de peso, quadros de abdome agudo e até a morte (Meagher, 1972; Specht e Colahan, 1988 e Ramey e Reinertson, 1984).

As características individuais, alterações sazonais de pastagem e distúrbios comportamentais em determinadas ocasiões também levam a ingestão de areia (Golouberff, 1993). Práticas indevidas de manejo tais como manter os animais em pasto com pouca cobertura vegetal e arenoso, disponibilizar alimento granulado diretamente no solo ou em quantidade insuficiente são condições favoráveis para a ocorrência de sablose (Ramey e Reinertson, 1984).

O diagnóstico dessa complicação pode ser feito pelo teste de sedimentação das fezes. (Ragle et al., 1989; Snyder e Spier, 1993; Ramey e Reinertson, 1984). Não há estudos controlados padronizando os sítios de acúmulo de areia no trato gastrointestinal dos equinos (Ragle et al., 1989).

Entretanto, em relatos de casuística, os locais mais comuns de acúmulo ou obstrução em ordem decrescente são o cólon dorsal direito, cólon transverso, cólon dorsal esquerdo e flexura pélvica, em se tratando de areia grossa (Ragle et al., 1989, Snyder e Spier, 1993). A areia fina tende a acumular normalmente nos cólons ventrais (Snyder e Spier, 1993).
O volume de areia suficiente para causar obstrução intestinal não é conhecido (Colahan, 1987).

Esse volume e as características individuais determinam a gravidade dos quadros clínicos, sendo possível a resolução com controle da dor, administração de laxativos e hidratação enteral e parenteral. Entretanto, uma quantidade maior de areia acarreta em maiores danos na mucosa intestinal e piora do prognóstico (Colahan, 1987).Considerando os animais sem resposta ao tratamento clínico e com necessidade de intervenção cirúrgica, o prognóstico varia de reservado à ruim (Colahan, 1987). 

Além desse prognóstico reservado, os animais submetidos à cirurgia podem desenvolver um quadro de laminite no período pós operatório, devido à maior absorção de bactérias e toxinas por conta do aumento da permeabilidade da mucosa intestinal lesada pela abrasividade da areia, conforme consideraram Snyder e Spier (1993). Estes fatores implicam em perdas econômicas para o criador.

Mesmo com o tratamento cirúrgico, é impossível remover completamente toda a areia presente nos cólons, sendo necessário um tratamento no pós operatório com laxativos lubrificantes até que a areia restante seja eliminada (Ragle et al., 1989). Ainda são utilizados laxativos como Psyllium mucciloid para o tratamento e prevenção da sablose (Golouberff, 1993), apesar de pesquisas demonstrarem a sua falha na evacuação da areia dos cólons (Hammock et al., 1998).

A mudança de manejo alimentar, ou seja, não disponibilizar alimento granulado no solo ou em quantidade insuficiente e em pastos com pouca corbertura vegetal, é de suma importância para minimizar a incidência de ingestão de areia pelos animais (Ragle et al., 1989).   Nestes casos, a disposição de ração em cocho coletivo, instável e solto ao nível do solo acarreta em aumento da competição, derramamento da ração no solo e possibilidade de ingestão de areia. Da mesma forma, a ingestão de feno após ser disponibilizado e pisoteado no solo facilita a ocorrência de sablose.

Portanto, a falta de adequação na oferta de alimentos aumenta a ocorrência de sablose nos equinos. Visando minimizar as perdas econômicas com cólicas, o ideal é minimizar o manejo inadequado e os fatores do meio que reúnem condições que colaboram para a ingestão de areia junto com os alimentos.


Fonte: Ana Victória Zeppelini Nascimento – Médica Veterinária Ourofino

3 comentários

Izonel Nicomedes de Resende 17 de março de 2013 às 03:35

Plantei aqui no meu sítio um pé de lichia, isso a quase cinco anos; a árvore tá a coisa mais linda, mais nada de flor e muito menos frutos.
Meu sítio fica em Goiás próximo da divisa com Mato Grosso; será que a região não é propícia ou precisa ser feita uma adubação específica para estimular a floração? Obrigado. Izonel.

Unknown 26 de janeiro de 2018 às 02:28

O meu problema é outro: plantei em pé da fruta há mais ou menos 15 anos. Floresce bem anualmente, de ficarem os galhos branquinhos... só que nunca frutifica. Está no rumo da derrubada... tem como acertar?

Unknown 26 de janeiro de 2018 às 02:28

O meu problema é outro: plantei em pé da fruta há mais ou menos 15 anos. Floresce bem anualmente, de ficarem os galhos branquinhos... só que nunca frutifica. Está no rumo da derrubada... tem como acertar?

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