terça-feira, 24 de maio de 2011

Figo Cultura e Manejo


Nome popular da fruta: Figo
Nome científico: Ficus carica L.
Origem: Região do Mediterrâneo

Fruto: O figo é um sicônio ou fruto composto (infrutescência). O receptáculo carnoso, de casca fina e macia e formato periforme, comestível, de coloração branco-amarelada até roxa, conhecido como "figo", encerra em seu interior os inúmeros frutos desta espécie, que são freqüentemente confundidos com sementes.

Planta: Árvore de crescimento amplo, caducifólia (perde as folhas no inverno), bastante ramificada e com até 10 metros de altura. O caule é tortuoso e a casca cinzenta e lisa, os ramos são frágeis. Flores muito pequenas desenvolvem-se no interior da chamada fruta do figo, quando ainda verdes.

Os quatro tipos da planta são estabelecidos conforme as características de suas flores e formas de frutificação, a saber:

caprifigo (Ficus carica silvestris): único tipo de figo que apresenta, quando maduro, estames fornecedores de pólen às demais variedades. Também é o único que apresenta flor apropriada para oviposição e desenvolvimento da vespa polinizadora Blastophaga psenes. Na simbiose entre o caprifigo e a vespa, o inseto não vive por muito tempo fora do caprifigo. Por outro lado, a grande maioria dos caprifigos não chega a amadurecer se não houver o estímulo provocado pela presença de larvas da vespa em seu interior;

-  smyrna (Ficus carica smyrniaca): neste tipo de figo, a caprificação (fecundação das flores do figo pelo pólen transportado pela vespa) é indispensável. Sem este estímulo e sem a formação de sementes, as frutas da produção principal enrugam e caem ao atingirem cerca de 2 cm de diâmetro. Figos do tipo smyrna são mais doces, firmes e duráveis após a colheita que os do tipo comum;

-  comum (Ficus carica violaceae ou F. carica hortensis): neste tipo, as flores são exclusivamente femininas. Os figos tipo comum desenvolvem-se partenocarpicamente, ou seja, não necessitam da caprificação (polinização).

-  São Pedro (Ficus carica intermedia): as plantas deste tipo são intermediárias entre as do tipo smyrna e comum. Os figos têm apenas flores femininas. Enquanto as flores dos figos da primeira safra são partenocárpicas, as da segunda safra não se desenvolvem até a maturidade sem o estímulo da fecundação. As variedades mais cultivadas no mundo pertencem ao tipo comum, assim como no Brasil – onde, embora existam cerca de 25 cultivares de figueira, a variedade roxo de Valinhos é a mais cultivada comercialmente e pertence, também, ao tipo comum.

Cultivo: A figueira é uma das árvores que melhor responde à poda, com uma grande brotação. A época recomendada para realizar a poda é no inverno, quando a árvore está em repouso, com o crescimento vegetativo paralisado. 

A poda da figueira geralmente é drástica, eliminando-se praticamente toda a copa. Utiliza-se uma tesoura bem afiada, cortando-se os ramos acima dos nós e nunca sobre eles, pois é de onde surgem os novos ramos. No final, devem restar apenas três ou quatro nós em cada ramo.

A exigência de frio para quebra da dormência das gemas na figueira é de 100 a 300 horas (abaixo de 7,2ºC). No entanto, a figueira se adapta bem a regiões de clima quente (a figueira tolera temperaturas de até 35ºC a 42ºC), com a vantagem adicional de poder-se produzir frutas durante o ano todo, com a irrigação e a poda condicionando a frutificação. Nas regiões quentes, as safras são maiores e os figos, mais doces.

A figueira está sujeita ao ataque de diversas pragas e doenças, que se não forem convenientemente controladas, tornam a cultura antieconômica. Sucessivas gerações de propagação vegetativa (mudas produzidas a partir de partes de uma mesma planta por enxertia, estaquia ou outro meio) provocam degenerações, deixando as plantas mais sensíveis às doenças. O produtor deve comprar as mudas em viveiros registrados e fiscalizados, garantido a ausência de pragas e doenças.

A produção se concentra no Sudeste de novembro a abril e, no Sul do país, de janeiro a abril. Um pomar bem formado, depois do sexto ano de idade, pode produzir 20 a 30 toneladas de figos maduros/ha, o que equivale a 15 a 25 kg/planta, com estande de cerca de 1.600 pés/ha.

A colheita e pós-colheita devem ser realizadas com extremo cuidado, evitando-se danos físicos aos frutos. Os frutos são retirados manualmente das árvores, um a um, com todo o pedúnculo e colocados em caixas de colheitas forradas (palha, espuma ou outro material). O látex ou “leite” produzido pela planta é irritante, devendo a colheita ser realizada com proteção das mãos.

Usos: O figo é consumido fresco ou industrializado. De acordo com sua destinação futura, os frutos das figueiras devem ser colhidos em diferentes estágios de maturação.

Mercado: Os figos verdes se destinam basicamente à industrialização de doces em compotas; os inchados são usados para a produção do figo-rami, espécie de passa de figo; e os maduros são destinados à produção de doces em pasta (figada) ou para consumo “in natura”.

O figo, quando destinado à produção de figo em calda, figo-rami e doces, é colhido 20 a 30 dias antes do figo para a mesa. A colheita é feita quando a cavidade central estiver completamente cheia.



Fonte: Sebrae   Autor: Pierre Vilela

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